RELATO: Nas manhãs do sul do mundo

Salve, salve!

Uma coisa que o meu parceiro Rodrigo Herd não pode dizer é que não aproveita seus dias livres. Após fazer um retorno à terra de seus antepassados em julho, como ele relatou aqui, ele partiu de Floripa agora em setembro, em direção ao Sul de Santa Catarina, visitando as belas paisagens rurais das cidades cortadas pela SC-108. Segue abaixo seu relato de viagem.

“Vou fugir desta metrópole à libertação e seguir algum caminho que me leve ao sul…”

Como na canção do Grupo Engenho, resolvi aproveitar os dias ensolarados que me restavam de férias, após uma semana de chuva ininterrupta, para seguir um caminho que me levasse ao sul de Santa Catarina. Mais especificamente, o plano era sair de Floripa e ir até Nova Veneza pedalando na maior parte do tempo pela SC-108, que corta o estado de norte a sul pelo interior, ligando a região de Joinville à divisa com o RS, em Praia Grande.

A primeira etapa foi subir até Angelina, para alcançar a referida estrada. Os 40 km iniciais até São Pedro de Alcântara são tranquilos, apesar das subidas, pois é tudo asfaltado ou pavimentado. Mas a medida em que se continua para Angelina, os aclives vão ficando cada vez mais duros e, somando-se às condições da estrada de chão, os quilômetros acumulados vão pesando nas pernas. Nada que não se compense com as belas paisagens e construções históricas pelo caminho, que é muito usado por peregrinos católicos com destino à Igreja de Nossa senhora da Imaculada Conceição de Angelina.

O segundo dia começou com 13 km de muitas subidas até Rancho Queimado, além de um calor considerável, mas num asfalto lisinho e quase sem nenhum movimento automotor. Após uma parada para almoço e descanso, segui, já protegido do sol pelas sombras da face oeste da estrada, os 35 km até Anitápolis. Esse trecho é dos mais divertidos pelos quais já tive o prazer de pedalar. Há duas subidas fortes, uma no início, outra já bem perto do fim, mas o que separa ambas são mais de 10 km de deliciosas descidas asfaltadas.

No terceiro dia, a estrada segue descendo, primeiro num trecho não pavimentado de 23 km até Santa Rosa de Lima, onde se destacam os penhascos e as vistas privilegiadas do vale do Rio Braço do Norte. Depois volta o asfalto, num caminho em que prevalecem as descidas e trechos planos, passando por Rio Fortuna até chegar à Braço do Norte. Os últimos 10 km antes da chegada foram um pouco desagradáveis: menos pela chuva que resolveu cair, e mais pelo maior tráfego na região, aliado à falta de acostamento do trecho e à impaciência de alguns poucos motoristas, que decerto gostariam que eu me desintegrasse para sair dos seus caminhos.

O quarto dia foi, sem dúvida, o menos “aprazível”. Ao optar por permanecer seguindo a SC-108, pelo trajeto mais direto até Urussanga, me vi pedalando junto a um constante fluxo de veículos, especialmente caminhões. O acostamento pedalável, na maior parte do trecho, evita maiores riscos ou tensões, mas não há grandes paisagens ou locais tranquilos para contemplação. O asfalto e a falta de sombreamento também contribuíram bastante pra aumentar a sensação de calor. Mas foi um dia de encontros: primeiro, cruzei com um ciclista local na saída de Braço do Norte e fomos pedalando juntos trocando amenidades até São Ludgero. Depois, encontrei um amigo da época da escola para almoçar em Orleans. E ao fim dos 40 km do dia, ao chegar em Urussanga, um encontro merecido com uma(s) caneca(s) de chopp artesanal da região, no pub anexo ao hotel.

No quinto e último dia da viagem, eu desisti da SC-108 e resolvi ir até Siderópolis pela não pavimentada SC-445. As generosas sombras e belas vistas fizeram valer a pena o esforço a mais nas subidas (e descidas!) pelos esburacados caminhos do interior. E ao passar pela praça central de Siderópolis uma recompensa extra: um concurso e mostra de cachaças artesanais, com direito à degustação, claro! Na hora de continuar em direção à Nova Veneza, uma distração (ou a “marvada”) me fez perder o acesso e descer quase 1 km no sentido errado. Corrigido o rumo, segui pelo belo caminho, ora asfaltado, ora de chão, que leva ao charmoso centro de Nova Veneza. Mais alguns poucos quilômetros e cheguei ao destino final, a Pousada Di Venezia, onde Alícia e Manuel (minha esposa e filho) me encontrariam. :DDD

Tracklogs:
Dia 1:

Dia 2:

Dia 3:

Dia 4:

Dia 5:

Hospedagens:
Angelina : blumengartenhaus.com.br 48 3274-1180
Anitápoils: Pousada Weiss (48) 3256-0109
Braço do Norte: costanobrehotel.com.br (48) 3658-3121
Urussanga: Urussanga Palace Hotel (48) 3465-4231
Nova Veneza: pousadadivenezia.com.br (48) 98479-3131

2 opiniões sobre “RELATO: Nas manhãs do sul do mundo

  • setembro 27, 2018 em 10:10
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    Muito bom Rodrigo, a viagem deve ter sido uma ótima maneira para a conclusão das férias! Gostei do relato e dos caminhos por onde passou, é uma boa sugestão de rota pelo interior de Santa Catarina. Abraço!

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    • setembro 27, 2018 em 11:19
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      Valeu Mateus, q bom que você gostou. O interior de Santa Catarina é repleto de possibilidades pros amantes do cicloturismo. Abraço!

      Resposta

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