RELATO: Circuito das Araucárias – parte 2

Continuação do relato sobre minha viagem pelo Circuito das Araucárias. Leia a primeira parte aqui.

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Apesar da tranquilidade que o som de um riacho próximo passava, a noite não foi tranquila. Um isolante térmico muito fino me deixou em contato próximo demais com a terra e suas pedrinhas. Assim, acordei com muito sono e ainda um tanto de gripe. Desmontei a barraca sem pressa e fiz um café com menos pressa ainda. Acho que bati meu recorde, levando mais de duas horas para guardar tudo e sair pedalando. E olha que o objetivo do dia não era dos menores. Pretendia terminar o trecho quatro e fazer o cinco e o seis.

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Bombom de barraca

Bastou a primeira subida pra ver que não daria. Como ela não era pequena, com uns quatro quilômetros, tive a certeza que o meu organismo não estava para fazer mais força aquele dia. Pedalei até o centrinho de Campo Alegre, que marca o fim do quarto trecho, e estacionei em uma padaria. Dois pastéis e duas fatias de bolo de morango depois, fui buscar hospedagem. Acabei ficando no hotel que carimba o “passaporte” de quem está fazendo o circuito. Lugar de preço relativamente econômico e quartos simples, mas arrumados. E tirei a tarde pra deixar meu corpo trabalhar com a gripe e o cansaço.

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Deu resultado. Acordei no quarto dia com disposição e apetite. Tomei um saboroso café da manhã e parti para os 55 km do dia. Ah, como foi bom voltar a pedalar com energia. Ajudado pelo Pearl Jam no fone de ouvido, nem vi passar o tempo até a Casa Antiga, quinto ponto de carimbo. Pra não perder a disposição, me alonguei enquanto conversava com a anfitriã do local. Em alguns minutos já estava pronto para seguir na montanha russa do dia.

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Não havia nenhuma grande subida, mas uma série de pequenos “tops”, como o pessoal chama, seguidos de pequenas descidas. Tudo dentro do programado, mas que não deixa de impressionar pela repetição ao longo do dia, morro após morro. Estes dois trechos passam por propriedades rurais mais autênticas, de gente que mora e vive do campo. Com menos placas de “NÃO ENTRE – VIGILÂNCIA POR SATÉLITE” e mais porteiras baixas e pessoas que dão bom dia.

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Como o dia estava rendendo bem, resolvi parar em frente de uma bela e vazia casa de campo para tomar um café. Foram quase 40 minutos sem que nenhum carro ou caminhante passasse, o que me permitiu ouvir vários tipos de pássaro enquanto comia meu sanduíche e tomava meu café feito na hora. Momentos especiais, que quem viaja de bicicleta pode curtir.

Você está lendo a parte dois, confira as partes um e três, além do post complementar.

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Mais uns 90 minutos pedalando e cheguei ao ponto final do sexto trecho, a Pousada Ponte de Pedra. Muito bem recomendada por seu clima acolhedor, a pousada me surpreendeu por estar cheia de carros e com mais de 100 pessoas almoçando e conversando lá dentro. Vendo minha cara um tanto perplexa, a mãe da dona da pousada, Sra Hildegard, veio ao meu encontro e insistiu para que eu almoçasse, já que eram 14:30 e eles estavam para desmontar o buffet.

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Comi um prato de boa comida caseira, deixei minhas coisas no quarto em que dormiria e parti para o centro de São Bento do Sul, sacar um dinheiro para o restante da viagem. O caminho de ida e volta ao banco, claro, também é cheio de morros e fez com que a altimetria acumulada do dia chegasse aos 1.530 metros.

Nico e Eloá (Foto: Felipe Munhoz)
Nico e Eloá (Foto: Felipe Munhoz)

Disposto pelo alívio na gripe, tratei de tomar meu banho cedo e buscar minha janta. Enquanto aguardava que a mesa fosse servida, fiquei de brincadeira com os três filhos da Hariet, a dona da pousada: Michael, Nico e Eloá. Após os dois mais velhos começarem a se estranhar, e serem colocados em cantos diferentes do salão, me diverti muito com a pequena de dois anos. Ela tinha curiosidade sobre tudo e adorava dar risada. Jantamos todos – eu, a família da Hariet e alguns convidados deles – em um clima muito leve, de gente em paz.

Você leu a parte dois, confira as partes um e três, além do post complementar.

Track Recanto do Noti – Campo Alegre

Track Campo Alegre – Pousada Ponte de Pedra

Inventário da bagagem no Circuito das Araucárias.

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