Filosofia de viagem – pensamentos ordinários

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Números e mais números. (foto: Waldson Gutierres)

As horas passadas sobre o selim da bicicleta nos trazem grande revelações sobre nós mesmos e o mundo em que vivemos. Mas nem sempre é assim. Por vezes, nos distraímos com cada bobagem que falta até coragem para admitir depois. Pra mim, muitas vezes, o que faz o tempo passar é a criação de equações com os números que vejo pela estrada. Vale qualquer operação com os números que ví, contanto que o resultado seja o último avistado. E você, qual o pensamento banal que te distrai nas horas menos inspiradas? Para ver que não estamos sós, seguem aí duas passagens, digamos, menos nobres de grande viajantes.

“Nesse primeiro dia de pedal, criei um jogo para me distrair: eu brincava de avaliar as sensações e as particularidades do dia dividindo-as entre “boas” e “ruins” conforme minha perspectiva egocêntrica. Nada muito sofisticado. Eu simplesmente resumia o mundo ao dualismo básico de “bom” e “ruim”, luz e escuridão, Deus e o diabo, como se a realidade respeitasse esse maniqueísmo rudimentar. […] Nessa brincadeira pseudofilosófica de enxergar tudo como reflexos simétricos de um espelho ilusório, o tempo passou e depois de horas entretido comigo mesmo, cheguei ao topo do paso Garibaldi e parei no mirante para o Lago Escondido.”

Guilherme Cavallari – Transpatagônia – pag 253.

“Muitas vezes me perguntam no que eu pensava enquanto pedalava. […] Sempre fico pensativo com esta pergunta. Lembro-me das vezes que olhava para baixo e via duas pernas, duas rodas e quatro alforges. O que exatamente penso quando estou pedalando? Não faço ideia.”

Charles Zimmermann – Travessia – pag 27.

 

3 opiniões sobre “Filosofia de viagem – pensamentos ordinários

  • abril 4, 2016 em 09:44
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    Aliás “ocupar” o pensamento com o que se vai observando ao longo do caminho, é uma das grandes virtudes da bicicleta. Independente da “filosofia de viagem” particular de cada ciclista, a bicicleta pela sua velocidade e contato direto com o entorno, “Te faz perceber o caminho”!
    As “brincadeiras” fazem você se divertir com tudo até mesmo com equações!
    E vamos pedalando…..

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  • abril 8, 2016 em 16:49
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    Interessante, eu nunca havia pensado nisso. Contudo, após ler o tópico, concluí que vou fazendo o relato mental, aliado às fotos, que colocarei no Blog.
    Outras vezes, vou “esvaziando” a mente dos problemas de casa, da família, etc. Talvez seja por isso que adoro fazer pedais solo quando estou com a mente sobrecarregada.
    Cicloviajar, creio, é a melhor maneira de limpar a mente de todos os problemas que a atormentam.

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  • abril 13, 2016 em 11:40
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    Mesmo com a distração destes pensamentos, eu vejo a viagem como uma forma de reconectar com nós mesmos.

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