Aurélio descobre a Ásia (inteira)

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Seu plano inicial era pedalar pela Ásia. Apresentado em 2013, o novo projeto de Aurélio Magalhães previa um roteiro de 8 mil quilômetros. Meses depois, o trajeto do “Ásia by Bike” foi recalculado e a distância total a ser percorrida caiu para pouco mais de 6 mil quilômetros. Os amigos, claro, não perdoaram. Afinal ele estava dando um novo significado ao verbo “aureliar”, que já designava o ciclista que deixa de pedalar quando chove. Agora também dizia respeito ao que fica com medo de grandes pedaladas e reduz seus planos.

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Pura bobagem! Em novembro de 2013 Aurélio iniciou sua viagem , começando por Hong Kong. Seis meses e 6,4 mil quilômetros depois, encerrou a jornada Cingapura. Encerrou em teoria.

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“Quero voltar quando for a hora, e tenho certeza que a hora não é agora.  Também não sei quando será. Tenho uma nova perspectiva do mundo, e ele se torna cada vez menor diante dos meus pedais. Sinto que posso ir mais longe, muito mais longe e voltar pra casa. Quero desbravar cada lugar e me aprofundar verdadeiramente do que me faz sentido”, escreveu o cicloturista em seu blog ao anunciar um novo projeto, o “Da China da Casa by Bike”.

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Lançada a nova viagem, Aurélio passou por Austrália e Nova Zelândia, na Oceania, e Coréia do Sul, Taiwan e outros países da Ásia, em um roteiro aberto, que é alterado constantemente por um viajante sem pressa de voltar pra casa e com muita curiosidade por diferentes realidades.

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Nesta quarta-feira, dia 22 de abril, mandou notícias informando que encerrou a travessia da Mongólia. Na região enfrentou grandes desafios para pedalar, acampar, se alimentar e até se comunicar.

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Como pesquisador de culinária, experimentou de tudo pela Ásia. até cabeça de pato e de cordeiro.

De troco, conheceu uma belíssima e marcante região, com um povo único e hospitaleiro. Parte agora para um novo e igualmente duro desafio: atravessar a região da Ásia Central. Siga seus passos no blog atmagalhaes.wordpress.com.

Pedalando e acampando nos cânions

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Viagens de bicicleta pelos Estados Unidos não são muito conhecidas aqui no Brasil. Quando se fala em roteiros internacionais, os destinos mais buscados são os Andes e o Uruguai, na América do Sul, e o Caminho de Santiago e a Via Claudia Augusta, na Europa. Milhares de brasileiros fazem estes roteiros anualmente.

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Mas o país que inventou o Mountain Bike e realiza uma das provas de ciclismo mais legais do mundo, a Race Across America, tem ótimos circuitos para cicloturismo. Um deles explora o interior do Parque Nacional de Canionlands, no Estado de Utah. Com 156 quilômetros, sendo 140 de estrada de terra, a trilha de White Rim percorre uma região seca, de belas paisagens ocres.

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Este roteiro foi percorrido pelo pessoal do site Pedaling Nowhere de forma autônoma. Durante três dias eles pedalaram e acamparam com liberdade para explorar os cenários da região. Segundo o blog, o acampamento na borda do cânion em uma noite estrelada é incrível. O preço desta opção autônoma é a necessidade de levar sua água para três dias, já que o único rio do trajeto não tem água potável.

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Para os menos aventureiros, outras formas mais comuns de percorrer a trilha são de jipe e em grupos de ciclistas com carros de apoio. Qualquer que seja a modalidade do passeio, vale dar uma conferida nas dicas que o Pedaling Nowhere preparou. Lá eles falam sobre condicionamento exigido, equipamentos e as autorizações necessárias.

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Se empolgou e vai lá? Conte pra gente como foi!

Cicloturismo: de maluquice a algo “cool” em 30 anos

O evento será realizado de 1º a 3 de maio, mas os ingressos já estão esgotados. Não se trata de uma edição do Rock in Rio ou do campeonato mundial de alguma famosa modalidade esportiva, mas do primeiro Festival de Cicloturismo do Reino Unido. Reportagem do The Guardian mostra que, em um espaço de 30 anos as viagens de bicicleta passaram de uma diversão de malucos para algo “cool”, desejado por muitos.

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O jornalista Travor Ward relata esta mudança através de experiências próprias:

“Em meados da década de 1980 eu fiz algo que os membros do meu clube de ciclismo local acharam hilário – pedalei para o deserto do Saara e voltei. Em seus calções de lycra e agasalhos de corrida, eles riram da minha bicicleta, que, carregada com alforges, barraca, fogão, saco de dormir, pneus sobressalentes e até uma pequena cadeira dobrável, tinha se transformado de uma elegante lâmina de aço em algo parecido com as consequências de uma explosão.

Minha humilhação continuou nas partes mais remotas da Tunísia e Argélia, onde grupos de crianças saudavam minha chegada a suas aldeias jogando pedaços de pedra em minha cabeça.

Parece que eu estava à frente do meu tempo – cicloturismo é agora considerado legal. Mesmo ciclistas de estrada de alto desempenho estão trocando suas máquinas de corrida de carbono para pesadas bicicletas de turismo. E, quando em territórios desconhecidos, eles estão mais propensos a serem recebidos com endereços de e-mail e solicitações do Facebook do que com uma saraivada de pedras.””

Já tendo viajado por Iran, Mongólia, Escandinávia, EUA, Austrália e Nova Zelândia, Tom Allen, será um dos palestrantes do evento britânico. “A maioria das pessoas que me deparei que estão planejando grandes aventuras em bicicletas não são realmente os ciclistas. Às vezes, eles são tipos que valorizam a vida ao ar livre e se atraem pelo desenvolvimento físico e pela gama de distâncias que você pode cobrir pedalando. Às vezes, são pessoas com pouco dinheiro, que procuram uma maneira de viajar para longe de forma barata. Às vezes, eles acabaram de ler um livro ou blog e pensam “isso parece incrível””, diz.

“A ideia de um ano sabático está se tornando cada vez mais popular, em parte devido aos blogs e mídias sociais. A ideia de atravessar continentes de bicicleta é assustadora, mas ver todos aqueles que foram antes, seguindo todos os seus passos ao longo do caminho, deu a mim e meu marido a confiança de que nós também poderíamos fazê-lo”, afirma Laura Moss, organizadora do encontro.

Brasil – Por aqui, parece que estamos em um estágio intermediário. Apesar de muitos ainda considerarem uma maluquice o simples fato de pedalar fora de parques ou ciclovias, um número cada vez maior de pessoas tem experimentado, e aprovado, as viagens sobre a bicicleta. Para os que buscam inspiração, há diversos viajantes brasileiros hoje na estrada, postando fotos e relatos incríveis. Pedalando pela América estão a Ada Cordeiro, a Carol Emboava e o Beto Ambrosio. Além disso, o nosso “festival de cicloturismo” já está em sua 13a edição. Promovido pelo Clube de Cicloturismo do Brasil, o encontro anual acontece em Campos do Jordão (SP) e reúne mais de uma centena de viajantes de todo país.

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Se empolgou? Quer botar sua bicicleta na estrada? Confira dicas para iniciantes neste post.

RELATO: Vale Europeu, a parte baixa

RELATO: Vale Europeu, a parte baixa

A grama do vizinho é sempre mais verde. É uma afirmação surrada, mas que cai bem para o fato de, morando em Florianópolis desde a inauguração do Circuito Vale Europeu, nunca ter pedalado por lá. Bom, com o incentivo da Letícia, que falou que iria nem que fosse pra acampar no mato, decidimos que neste carnaval participaríamos do Velotur.

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É a Alemanha no Brasil

O evento é promovido pelo Clube de Cicloturismo do Brasil e pretende divulgar o circuito e incentivar a prática da viagem autônoma. Como sabia que era complicado de conseguir vaga nas pousadas, fizemos nossas reservas já no começo de dezembro. E mesmo assim tivemos dificuldade para conseguir pouso em Pomerode.

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Arthur e o seu Rebobike puxando a fila

Mas quis o destino que a Letícia não realizasse seu sonho desta vez. Algumas semanas antes do carnaval ela teve uma série se complicações na coluna que a impossibilitaram de seguir pedalando. Mesmo assim, se empolgou e foi pra lá comigo, se deslocando de carro e curtindo a região.

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Farol a carbureto. Praticamente um fósforo perto das potentes lâmpadas de LED atuais.

Partimos na manhã de sábado para Timbó, de onde os viajantes partiriam na manhã seguinte. Naquela tarde a organização realizou uma feirinha com duas lojas de bicicleta, incluindo o grande Garupa, daqui de Floripa, uma exposição de bikes antigas, e palestras sobre viagens.

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Os dias seguintes seriam de pedal em estradas de terra, com pouco movimento e algumas subidinhas pra divertir. Não é uma região de natureza exuberante, esta é a da parte alta. Mas este início do roteiro chama a atenção pela arquitetura Enxaimel, presente nas cidades e na zona rural, pelas ruas muito bem cuidadas e pela culinária caprichada. Fizemos Timbó > Pomerode, Pomerode > Indaial e Indaial > Rodeio em trechos diários curtos, com 43 km, 40 km e 28km.

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O evento seguiu na tarde de terça para a parte alta do circuito, que os participantes percorreriam até o fim da semana. Como volto a trabalhar nesta quarta, encerrei os pedais em Rodeio, ficando com o caderninho de carimbos pela metade, louco pra preencher em breve. Parabéns mais uma vez ao pessoal do clube (Rodrigo, Eliana, FES e Eduardo), pelo belo trabalho de preparação e  realização do Velotur. É muito bacana ver gente que nunca viajou de bicicleta de forma autônoma experimentando e gostando da brincadeira.

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Rodrigo e Eduardo, do clube, se deslocando entre os PCs
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Eliane e Rodrigo conferindo os nomes dos que faltavam passar

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Fim da pedalada no primeiro dia
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Choperia da Schornstein, em Pomerode
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Como diz a Letícia: Como beber outras cervejas depois de tomar este chope weiss?

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Experimentamos outros chopes também. Mas o de trigo…
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Outro ótimo produto de Pomerode
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Começando bem o segundo dia

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Neste dia eu não estava muito pra fotografar. Fui o último a passar pelo PC1 e o primeiro do PC3. rsrsrs

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Arthur pai e Arthur filho. Belo exemplo!

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Tá guardado pra continuar de onde parou!

RELATO: Cicloviagem pelo litoral Norte de São Paulo (2/3)

RELATO: Cicloviagem pelo litoral Norte de São Paulo (2/3)

Salve, salve

Eu nunca dei muita bola para Ilhabela. Na minha infância sempre me disseram que era um lugar “cheio de borrachudo”, que ir lá era “muito complicado”. Minha praia nesta época sempre foi Ubatuba. Mesmo assim, lá pelos meus 18 anos fui pra lá pedalando com o meu irmão Eduardo. Saímos de  São José dos Campos, onde morávamos, para uma viagem de três dias até a selvagem praia de Castelhanos, no lado da ilha que é virado para o mar aberto. Ficamos lá acampados por mais três dias e voltamos de ônibus de São Sebastião para São José dos Campos. E tinha muito borrachudo mesmo. E nós não tinhamos nenhum repelente, ficando totalmente à mercê deles. Isso, somado a um tempo que se alternava em muita chuva, que formava lama em nosso caminho, e sol escaldante, não ajudou muito para que eu pegasse gosto pela ilha.

Porém, quando estava planejando os pontos de parada desta viagem de 2014, o meu amigo Waldson (Antigão) sugeriu um camping que fica na ilha. Ele destacou que era uma região muito bonita e que ciclista não enfrentava fila nem pagava para atravessar na balsa. Por que não dar uma nova chance à ilha?

Bom, a ilha soube aproveitar esta chance e conseguiu mudar radicalmente minha visão de lá. Acabei ficando no camping Canto Grande, localizado no Sul da ilha, próximo à Praia Grande. De frente para o mar, o camping estava todo vazio, mas com a estrutura bem limpa e funcional. Logo ao lado fica o restaurante Barba, com atendimento e comida muito bons, além de preços razoáveis e uma bela vista do pôr do sol. Enfim, um local de uma beleza e paz incríveis, que me fez mudar os planos durante a viagem e parar lá para um dia de descanso.

Abaixo, as fotos do caminho de Boiçucanga até lá e o dia de passeios pela ilha e pelo centrinho de São Sebastião.

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Sol forte desde cedo neste dia

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Este era o começo da subida da “Serra de Maresias” Um inclinação surreal.

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Já em Maresias, praia do campeão mundial de surfe, Gabriel Medina

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Os trechos de mata aliviavam um pouco do calor

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No Porto de São Sebastião.

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Chegando no camping é hora de…

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…correr pro mar!

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No dia de descanso, balsa para ir a São Sebastião

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Bem legal de andar com a bicicleta na pista de skate vazia 🙂

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Balsa de volta à ilha

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A ciclovia do Norte de Ilhabela está ficando bem boa.

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Já de volta à Praia Grande

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O pôr do sol era na frente do camping

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E o nascer da lua também!

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Confira o trajeto percorrido e baixe o tracklog.

Pra quem está chegando agora, esta é a segunda parte do relato. A primeira está aqui e a terceira e última parte está aqui.

Fim de Semana na Bike #1

Fim de Semana na Bike #1

Salve, salve!

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Pra quem gosta dos passeios diurnos e se interessa em experimentar o cicloturismo o Pedal Nativo irá promover um novo tipo de passeio. O “Fim de Semana na Bike” será uma oportunidade para conhecer novas regiões, descansar do dia-a-dia agitado e praticar o cicloturismo autônomo. Faremos passeios de bate-volta, sempre saindo na manhã de sábado e voltando na tarde de domingo.

E o primeiro, onde iremos validar um dos roteiros, será gratuito. Partiremos no próximo dia 24 para uma volta pela ilha, fazendo a região sul no sábado e a norte no domingo. Serão cerca de 60 quilômetros em cada dia, pedalando sem carro de apoio e levando nossos próprios pertences para uma noite acampada. O ponto de parada será no Camping do Rio Vermelho, que fica dentro de uma área de preservação ambiental e tem acesso à inspiradora praia de Moçambique.

Todo o passeio será guiado, com os participantes se responsabilizando pelos seus equipamentos e alimentação. Para quem quiser orientação sobre equipamentos, bagagem e preparação, estamos à disposição!

E então, vamos passar o fim de semana pedalando pela ilha?

Serviço
Fim de Semana na Bike #1
Sábado, 24 de janeiro, às 7:30
Reitoria da UFSC

Confira a página do evento no Facebook.

Encostas da Serra, o relato

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Um fim de semana de primavera, com sol pós vários dias de chuvas, marcou o primeiro passeio completo do Pedal Nativo. Um grupo de 12 ciclistas percorreu 130 km de estradas de terra das Encostas da Serra Catarinense, passando por Leoberto Leal, Rancho Queimado, Anitápolis e Santa Rosa de Lima. Um trajeto inédito, com verde exuberante, belas paisagens e muitos morros.

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O Pedal Nativo agradece a confiança destes que participaram do nosso primeiro passeio mais estruturado. Este foi o primeiro de uma série de passeios de dois dias programados para a região. Em 2015, o Pedal Nativo repetirá este formato e também apresentará opções inéditas de passeios, sempre buscando promover, através do cicloturismo, o contato com a natureza.

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“Parece que estamos de ferias” Mariele Bonfante

“Incrível,  uma experiência inesquecível” Eduardo Furukawa

“Fim de semana sem igual! Foi ótima a companhia de vocês” Germano Almeida

“Cansada, mas feliz. Obrigada pela oportunidade e pela companhia. Valeu Fábio e Felipe, a organização foi nota 10” Edila Sardá

“Tudo perfeito, nem lembro mais do cansaço. Tava bem organizado e a turma foi bem legal. Obrigada Fábio e Felipe pela dedicação e por ter proporcionado um fim de semana destes!” Salete Vieira

“Companhia ótima e galera guerrera e inspiradora. Parabéns a todos e, em especial, ao Felipe e ao Fábio, que se dedicaram na organização do passeio.” Luciana Vieira

Abaixo, uma pequena amostra das centenas de fotos tiradas pelos participantes do passeio. No Flickr estão mais 121 imagens.

Mais uma vez, obrigado! E até a próxima!

Convite para o Pedal da Mari em Itajaí

Convite para o Pedal da Mari em Itajaí

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Salve, salve!

O famoso pedal da Mari terá uma nova edição em Itajaí no próximo dia 24. Serão cerca de 90 km pelos municípios de Camboriú, Balneário Camboriú e Itajaí, passando por estradas de terra e pela rodovia Interpraias. No ano passado o evento teve a participação de 600 ciclistas de várias regiões do Estado. E para facilitar a participação do pessoal de Floripa, o Pedal Nativo está montando um ônibus que fará o transporte de ciclistas e bikes na ida e na volta.

E então, vamos participar desta festa da bicicleta?

O custo do transporte será de R$ 25 por pessoa/bicicleta e a confirmação deve ser feita no endereço https://e-inscricao.com/pedalnativo/pedaldamari2014. São apenas 26 vagas. A inscrição para o pedal (R$ 10 ou R$ 40 com almoço) deverá ser feita diretamente com a organização, até o dia 20 (http://www.pedallicomamari.com.br/).

Atenção:

1 – Em caso de desistência, será devolvido ao ciclista 50% do valor pago. Os outros 50% serão retidos a titulo de reserva de vaga e custos de processamento da inscrição.

2 – O serviço NÃO inclui apoio durante o passeio

3 – Não nos responsabilizamos pela organização do evento.

 

Acompanhe novidades sobre este e outros eventos na página do Pedal Nativo no Facebook (facebook.com/pedalnativo)

Acolhidos pela colônia: o relato

Acolhidos pela colônia: o relato

Pra quem quer um relato mais convencional, segue um apanhado das minhas anotações ao longo da viagem. Não fiz uma grande revisão nem dei um tratamento estilístico pro texto, mas dá pra ter uma ideia do que foram aqueles dias.

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Chegamos em Leoberto Leal tarde, lá pelas 11h, por causa da fila na BR-282. Decidimos começar pelo caminho maior, mas que tinha menos subida. Menos na extensão, porque a inclinação foi fortíssima para quem tinha começado a pedalar há menos de 10 minutos. Umas empuradas depois e já estamos descendo.

O Ricardo estava tão empolgado com o visual rural que resolveu comprar um lote. Sua blusa, presa no bagageiro, se soltou e travou a roda. Resultado: caiu na minha frente, em uma curva. Como estávamos relativamente devagar e ele finalizou com um rolamento de judô, não se machucou.

A fome bateu e comemos paramos para comer o lanche de queijo com salame que haviamos comprado na beira da estrada. Uma delícia!

Ao passarmos por uma pequena vila, pedimos água a uma senhora que estava pra fora de casa pendurando roupas no varal. Depois de nos servir uma boa duma água gelada, pergunta se lavar roupa era trabalho, portanto pecado. Afinal, era sexta-feira Santa.

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Subidas começam a ficar pesadas, e vai aparecendo um aperto no peito.

Chegamos a Taquaras, com seu posto simpático posto com cara da década de 1930. Perguntamos sobre a pousada Bauer, mas e ela era “lá em Rancho Queimado” . Ou seja, 10 km morro acima. Belo visual, com cachoeira. Mas o rio não era limpo o suficiente.

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Encaramos ainda mais 300 metros de subida acumulada. Ao menos estava servindo para encurtar as do dia seguinte.

Chegamos e fomos recebidos “em casa”. Apesar dos quatro cicloturistas terem virado dois, o sorriso não mudou. Banho e lanche farto, com geleias e bolos.  Depois fomos ver uma sapecada de pinhão, costume indígena de preparar pinhão na brasa. Decidirmos deixar os pinhões para a criançada que acompanhava tudo, mas achei interessante o processo.

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Finalmente consegui encontrar um sofá e relaxar. Foi a chave para sofrer uma câimbra fortíssima no adutor da coxa. Músculo muito difícil de alongar. Após a ajuda de um outro hóspede, consegui ao menos interromper a crise.

Foi quando me dei conta que a dor no peito que senti em todas as subidas do dia era, provavelmente, pressão alta. Tinha esquecido de tomar o remédio para a pressão naquela manhã. Como já me disseram outra vez, mais sorte que juizo.

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Após janta com sopa de galinha e peixe ensopado e frito. Fui para a cama. Bem aquecido e com um relaxante muscular, dormi cedo, antes do chá de arnica que a dona Laura havia me prometido.

Acordamos sem pressa e fizemos um baita café da manhã. Como iriamos ter um dia pesado, comemos sem dó. Na sequência, passei bastante arnica pela minha perna e a dona Laura Bauer vem me contar que é massagista… Olha, após a dedicação dela à minha coxa, fiquei zerado para encarar o segundo dia. É talentosa, com sensibilidade.

Ainda sem o Nando, que estava enrolado pra sair de Floripa, começamos descansados e empolgados com a bela manhã.

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Mais um pouco de subida e chegamos ao ponto mais alto, cruzamos a 282 e começam os condomínios de luxo. Ficamos andando nas alturas por um tempo e paramos para tirar algumas fotos e trocar boas ideias como só uma viagem de bicicleta permite.

Chega a tão esperada descida. De 1.100 para 550 metros, sendo a parte inicial na terra. No asfalto passamos por ciclistas subindo, que acenaram bem. Deveriam estar cansados  e com vontade de descer. rsrsrs.

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Nova e pesada subida, mas vencida de forma cada vez mais tranquila e sem dor no peito. No alto, paramos em uma gruta em homenagem a Santo Expedito. Lugar vazio e de muita paz, onde paramos para descansar.

Mais uma descida e chegamos logo a Anitápolis. Tinha esquecido como era pequena e simpática. A  “lanchonete” não fazia lanches, mas uma cliente nos indicou a outra, no outro lado da praça. Achávamos que estávamos perto da pousada e pedimos xegg e xbacon, com uma cerveja para cada. Porém, vimos o nome da pousada em nossas anotações e descobrimos que teríamos mais 13 quilômetros de estrada de terra, sendo 6 quilômetros de subida, logo de cara. Terminamos de comer, enquanto conversávamos com os caras da mesa ao lado. Tomei um energético e fomos de uma vez. Os 6 km se passaram com mais facilidade que o presvisto. Na subida, em mais um de seus causos, o Ricardo conseguiu bater de frente com uma moto. rsrsrs Ninguém ferido.

Disparou na decida e eu fiquei curtindo. Primeiro, a vista era para os paredões da serra, que imagino que seja de Urubici, depois, a mata atlântica preservada e muito próxima. O celular estava preparado para chuva, mas tirei várias fotos. Em uma curva me empolguei e fiz um vídeo.

Encontrei o Ricardo no fim da descida, sobre uma alta ponte. Logo depois encaramos uma subida curta, mas muito inclinada rumo à pousada. Estradinha mal feita, com pedaços planos e trechos com inclinação absurda. Em apenas uma rampa subimos 30 metros.

Logo chegamos a pousada Encantos da Serra. O Nando já nos aguardava. Dormindo. Acordamos o cidadão e pegamos a dica de uma cachoeira próxima. O Ricardo queira uma que desse para entrar. Eu não estava com esta vontade toda. Estava um pouco frio. O rio era bonito, mas parecia que não renderia uma bela cachoeira. Pouco acima, no entanto, achamos uma legalzinha. Não iria entrar, mas me empolguei com os dois e acabou sendo legal. Voltamos já sob chuva fraca. Nos arrumamos e fomos para a casa principal da pousada. Pedimos um vinho caro e meia boca e uma porção idem. Depois veio a janta, uma panqueca sem graça e uma sopa mais ou menos.

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Dormimos mal. Peguei a cama de casal, a única em que eu cabia. O Ricardo não dormiu nada, por causa do beliche pequeno.

Dia seguinte, arrumamos as coisas e fomos tomar café da manhã. Pagamos a diária mais cara da viagem e pegamos a estrada.

Com a companhia do Nando a dinâmica ficou mais arejada. Fizemos um caminho diferente, indicado pelo dono da pousada, para fugir da subida enorme. Foi uma ótima dica, com terreno muito plano e grandes áreas de mata. Quase nenhum movimento de carro nas estradas, que eram bem pequenas.

Paramos em uma igreja no alto de um pequeno morro. Igreja sem graça e com cemitério sinistro nos fundos. Lápides escuras, local estranho. Não tirei foto, mas deveria.

Nos deparamos com a igreja de Santa Catarina. Estrutura e cuidado impressionam para um vilarejo no meio do nada. Depois descobririamos que era a igreja de alvenaria mais antiga da cidade. Estava quase caindo, quando a Acolhida na Colônia, em associação com uma instituição americana, restaurou tudo. Segundo nos contaram, como para os gringos, a igreja católica é rica e não precisa de dinheiro, a propriedade precisou ser passada para a associação. A restauração deu muito certo e ela será devolvida para a igreja em um ou dois anos. Pena que estava fechada, o interior é pintado à mão.

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A chuva ia e vinha e logo chegamos ao “centro” de Santa Rosa de Lima. Claro, havia mais subida. Um pouco tranquila no começo e mais forte no final. Como estávamos informados, fomos na manha e chegamos à pousada Doce Encanto com alguma dignidade. Na hora do almoço. Nosso quarto ainda não estava pronto. A dona Leda conseguiu toalhas e ofereceu um banheiro para nos livrarmos da lama. Enquanto isso, todos os demais hóspedes acabaram de comer. Acabaram servindo o almoço apenas para nós. E que almoço! Arroz, feijão, farofa, carneiro no forno, sopa, salada, batata com brócolis, abóbora cozida e suco de limão galego. Será que esqueci de algo?

Com a chuva, ficamos de bobeira a tarde. Assistimos à vitória do São Paulo no Brasileirão. Há muito tempo eu não via um jogo inteiro do meu time. Foi legal achar o Fernando, um sãopaulino, pra comentar o jogo.

Papo, descanso e um vinho. Mais barato e melhor que o de Anitápolis. Depois veio o café-janta, com sopa de frango, virado de feijão com ovo frito, pão, salame e queijo, café, leite e suco.

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Como a chuva não parava, marcamos para o tio do Nando sair de Floripa e ir nos pegar logo cedo. Dormimos em meio a muitas risadas com vídeos da internet. Com o calor, tive um pesadelo e acabei dando um chute no ar, que quase acertou o Ricardo na outra cama. Susto grande, seguido de muitas risadas.

Boa noite de sono.

Acordamos cedo, vimos a reforma da casa dos donos da pousada, que passará a ter quatro novos quartos. Muito legal de ver a prosperidade em que eles estão imersos. Toamos mais um belo café e tivemos que descer para a cidade, nossa carona já estava lá.

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Bikes no carro e o resto é história, que fica passando na cabeça enquanto volto pra casa em uma tarde nublada de feriado.

 

Acolhidos pela colônia

Treinar a parte física, fazer a manutenção da bicicleta, encontrar um feriadão disponível, convidar os amigos, traçar e conhecer o roteiro, revisar os equipamentos, resolver a logística de transporte, arrumar os alforges e acordar às 4:30h de um feriado. Toda esta complicação para pedalar quatro dias por uma tranquila, fisicamente desafiadora e belíssima região.

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Fazer cursos e capacitações para transformar dois agricultores em donos de pousada. Reformar um antigo depósito de fumo, construindo quartos, banheiros e um refeitório. Aprender sobre agricultura orgânica, cultivando várias culturas em sua propriedade. Receber viajantes após o horário normal de almoço e, enquanto limpa o quarto recém liberado, servir arroz, feijão, farofa, carneiro assado, sopa de frango, salada, batata com brócolis, abóbora cozida e suco de limão galego.Tudo para deixar pra trás um passado sem futuro e lançar uma família de agricultores em uma realidade sustentável e próspera.

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Vale a pena? Vale. Nada nesta vida vem fácil e é muito gratificante quando esforçados no que gostam de fazer se encontram, se reconhecem e se valorizam.

 *Quer um relato mais convencional? Leia aqui.