RELATO: a batalha do Morro dos Conventos

Salve, salve!

Neste fim de semana fui conhecer um lugar que há tempos ocupa minha imaginação. O Morro dos Conventos me chamou a atenção desde que vi uma foto de 1958. Ela mostrava um solitário prédio em estilo modernista, construído entre o morro e o mar, sobre a restinga. Bem na filosofia do homem se descobria capaz de dominar a natureza pela tecnologia, nem que isso custasse agressões ao meio-ambiente e à estética. Mas e hoje, como estaria a região? Quem teria vencido a batalha? De propósito, não busquei fotos atuais do morro. Deixei para ver pessoalmente.

Meu parceiro para a viagem foi o Felipe Munhoz, ciclista amigo já de outros carnavais. O Felipe é companhia boa para viagem. Acompanha ritmo forte de pedalada, mas não tem problema nenhum em parar para tirar fotos ou resolver qualquer outra coisa. Não é de falar muito, o que permite boas reflexões ao longo das jornadas. Assim como eu, ele andava querendo fazer uma cicloviagem há tempos. Calhou de estarmos liberados no mesmo fim de semana e partimos.

Selfie na saída. Cuidado com o guidão!

Fomos de carona até o acesso à praia do Sonho, evitando pedalar no famigerado morro dos cavalos e suas pistas cheias de caminhão e sem acostamento. Pegamos a BR-101 e fomos direto pelo acostamento. Logo percebemos que o vento estava a nosso favor, o que nos fez começarmos em ritmo forte, já pedalando na coroa maior. Considero este trecho em especial um dos mais bonitos da BR, por ter longa vista para a Serra do Tabuleiro, à direita.

A viagem seguia se embalando pelo vento quando passei por tachões a aproximadamente 40 km/h e meus dois alforges traseiros foram simplesmente ejetados da bike. O Felipe vinha atrás e começou a sinalizar para os carros e caminhões desviarem de um deles, que tinha ido parar na faixa da direita. Enquanto eu voltava, ele acabou deixando a bike no chão e indo pegar o alforge suicida. Mas foi preciso ainda que eu atravessasse até a faixa da esquerda para resgatar um adaptador plástico do sistema de fixação. Fortes emoções neste começo de viagem, mas nada nem ninguém saiu atropelado.

Marcha pesada e seguimos em direção ao Sul. Sem demora chegamos em Laguna. Na alça de entrada, quase fui ao chão com a derrapada que o pneu traseiro deu. Estava furado e, ao pararmos para trocar a câmara, deu pra ver que o vento seguia aumentando. Corri para concluir a operação o mais rápido possível e sair da “zona de ataque” das lufadas de areia.

Entramos em Laguna pelo acesso principal, passando pelo seu simpático centro. Sempre me pergunto porque esta não é a principal cidade da região. Por ali passava o Tratado de Tordesilhas, criado em 1494, que dividia a América entre Portugal e Espanha. Também é uma das mais antigas vilas de Santa Catarina, tendo sido oficializada em 1676. Além disso, em 1839, foi cenário da batalha que uniu o italiano Giuseppe Garibaldi e a catarinense Ana Maria de Jesus Ribeiro, que viria a ser conhecida como Anita Garibaldi. O casal revolucionário teve participação decisiva na Revolução Farroupilha e no processo de unificação da Itália.

Aula de história vivenciada, comemos um pastel e seguimos para a balsa que atravessa o canal da Lagoa do Imaruí. Durante a travessia, um grupo de botos nadava ao lado da balsa, pena que não deu tempo de fotografar.

E após o desembarque… Olha, o vento acho que estava em torno dos 30 km/h. Bastava aplicar alguma força no pedal que a bicicleta se encarregava de manter o movimento indefinidamente. Pedalávamos na última marcha disponível com mínimo esforço. Ao chegar aos cruzamentos era preciso acionar os freios com força, pois a aceleração do vento continuava empurrando. E assim, voando, chegamos ao trevo que leva diretamente ao Farol de Santa Marta. Seria minha primeira passagem por esta estradinha depois do asfaltamento. Fizeram uma obra bacana. com ciclofaixa bem delimitada e mensagens de preservação. Mas o clima naquela região não é muito amigável e parte da estrada já estava coberta por areia. Ela foi trazida pelo vendo, que neste momento nos atingia lateralmente e desequilibrava a bicicleta o tempo todo.

O acampamento foi montado no Cardoso Surf Camping, onde já tinha ficado em uma cicloviagem de 2017. É um lugar agradável, com boa infraestrutura e atendimento de acordo. O preço, de R$ 35, está bem justo para o que encontramos lá. Uma única ressalva à noite que passei lá é o barulho de carros e motos em exibições de aceleração e som alto nas redondezas. Isso era algo que não existia antes e só posso imaginar que seja uma consequência do asfaltamento do acesso. Antes este público não arriscava suas “maquinas” na estrada arenosa e esburacada.

Para o segundo dia de pedal eu tinha imaginado duas opções de roteiro. Voltar à BR-101 e seus caminhões ou seguirmos por estradinhas secundárias, que correm entre o mar e a BR. Mas o Felipe alertou que muitas destas são de terra/areia, com longos trechos de “costela de vaca” e areia fofa, boa para atolar a bike. Sugeriu que fossemos pela praia mesmo, e assim fizemos. Logo após a Barra do Camacho nós deixamos as ruas e estradas para trás e fizemos da beira da água nosso caminho. O piso não era tão firme quanto eu tinha experimentado na Ilha Comprida, mas era sim possível pedalar em bom ritmo. Seguimos por muitos quilômetros, até que a proximidade de uma tempestade me fez sugerir que buscássemos uma estrada convencional, menos exposta a raios.

Após uns 20 minutos neste desvio a tempestade de desfez e, já no caminho de volta para a areia, passamos pelo Chuveirão de Jaguaruna. Eu nunca tinha ouvido falar e a informação do Felipe é que era um lugar “esquisito”, seja lá o que isso quer dizer. Mas bastou me aproximar para ter certeza que iria me molhar. Ao Felipe, que estava tirando fotos, só avisei: “Está filmando? Eu vou entrar!”. E fui de capacete e tudo para aquele dilúvio refrescante. Que coisa boa!

Ensopado voltei à praia e seguimos pedalando por mais dezenas de quilômetros e muitos balneários desta praia sem fim. Alguns são mais simpáticos, com deques de madeira e turistas aproveitando o domingo, e outros parecem cidades do faroeste, com casas muito precárias e sujeira para todo lado. Ao chegarmos a Barra Velha, ficamos em dúvida se iríamos pelas ruas ou seguíamos pela praia até a pequena balsa que atravessa o Rio Araranguá. O problema é que ela fica um pouco pra dentro do rio, e a viabilidade de se pedalar no trajeto de sete quilômetros entre a foz e o porto da balsa era dúvida. Em um rápido papo com um pescador, ele disse que sim, bastaria irmos bem rente a água.

Resolvemos então seguir na areia, apesar do risco de ter que pedalar de volta até o balneário se a travessia não fosse possível. Àquela altura já estávamos um pouco cansados dos 80 km na areia. Conforme avançamos em direção à foz do Araranguá o movimento de pescadores e banhistas foi diminuindo bastante. De repente a faixa de areia virou à direita e começamos a pedalar em direção à serra. A faixa de areia dura diminuiu pela metade. Troncos e galhos de árvores caídas reduziam um pouco mais o espaço pedalável. Um pouco tenso, fui avançando sem apreciar muito o entorno. Até que de repente cruzo com um ciclista pedalando em sentido contrário. De chinelo e ouvindo rádio, pedalava bem relaxado em direção ao mar. Me senti ridículo com toda aquela preocupação e tratei de aproveitar o gostinho deste final de percurso.

Após mais uns quilômetros na beira do rio chegamos à Ilha, uma comunidade que vive em um pedaço de terra cercado pelo Rio Araranguá e um dos seus afluentes. O nome é tudo isso mesmo: Ilha. De lá, percorremos uma pequena estrada rural até o portinho da balsa. Ao embarcarmos, o capitão perguntou se tínhamos vindo pedalando pela areia. Questionei como ele tinha adivinhado e ele disse que era pelo estado dos nossos tênis e bicicletas.

Aliás, sobre isso. Sei de várias pessoas que nunca colocariam sua bicicleta na areia, por medo de desgastar/enferrujar. Por elas eu lamento. A sensação de liberdade, incluindo o visual e o som das ondas, compensa qualquer possível problema que a pedalada venha a causar na bike. Basta uma boa ducha na bicicleta e um pouco de óleo na corrente para a viagem seguir. Ela, a bicicleta, está aí para nos servir, e não o contrário.

De volta ao relato, foi nesta balsa que tive a primeira visão do Morro dos Conventos. Ela aporta na parte de trás do morro, dando uma vista de perfil dos paredões. Mas ainda não seria neste dia que eu conheceria o morro. Tocamos direto para o Balneário Arroio do Silva, onde acamparíamos. O Camping Morro dos Conventos, último que restava próximo ao morro, foi desativado para se transformar em um condomínio de luxo. Mas os quilômetros adicionais até a cidade vizinha foram recompensados. O pessoal do Camping e Pousada Serra Mar nos recebeu de forma exemplar e nos ofereceu o pernoite em chalé por um preço irrecusável.

Bem descansados, o plano para o dia seguinte era “turistar” pelo morro e pegar o ônibus para Florianópolis no começo da tarde. Seria o momento de ver quem teria levado a melhor na guerra entre a bruta natureza da região e a sede do homem por domina-la.  Então, após limparmos as bicicletas da areia, seguimos com elas descarregadas pelas curiosas ruas do Arroio do Silva. Lá se encontra todos os tipos de pavimento, da terra ao asfalto, passando por lajotas e pedras lascadas. As vezes tudo na mesma rua, em espaço de um quilômetro.

Subimos o Morro dos Conventos por trás. Uma rua bastante arborizada e com belas casas sobe em direção à beira do penhasco, e ao farol da Marinha que está instalado ali. No mirante, a vista é muito ampla, incluindo, bem ao fundo, as encostas da serra, as curvas e a foz do Rio Araranguá, as dunas entre o morro e a praia e… uma pequena vila que se formou em torno do prédio pioneiro, que continua por lá. Há uma dezena de ruas e boas casas de veraneio. A natureza, no entanto, segue ditando condições e espalhando areia com suas dunas móveis. Não deve ser pequeno o trabalho de manutenção no bairro, que ainda tem que lidar com a salinidade trazida pelos sempre fortes ventos. Sei que é uma batalha sem fim e sei também que a humanidade está sempre em crescimento e precisa avançar. Mas acredito que lugares como este deveriam ser poupados, preservados em sua forma natural. Quando a natureza ganha, ganhamos nós também.

Selfie de fim de viagem. Guidão bem seguro.

Com estas reflexões na cabeça, descemos o morro e seguimos de forma objetiva até a pousada. Era preciso ajeitar os alforges e pedalar até a rodoviária, desmontar as bicicletas e guarda-las em um malabike (a do Felipe) em uma caixa (a minha), que eu ainda iria conseguir no comércio. Mas tudo isso deu certo e às 15h embarcamos de volta para Florianópolis. Tempo de reflexão, de processar tudo o que vivi nestes dias de pedalada rumo ao sul. Agradeço ao Felipe, em especial, pela parceria impecável durante todo o tempo. Precisamos fazer outras! Agradeço também aos que de alguma forma ajudaram nesta jornada. Valeu!

 

RELATO: Nas manhãs do sul do mundo

RELATO: Nas manhãs do sul do mundo

Salve, salve!

Uma coisa que o meu parceiro Rodrigo Herd não pode dizer é que não aproveita seus dias livres. Após fazer um retorno à terra de seus antepassados em julho, como ele relatou aqui, ele partiu de Floripa agora em setembro, em direção ao Sul de Santa Catarina, visitando as belas paisagens rurais das cidades cortadas pela SC-108. Segue abaixo seu relato de viagem.

“Vou fugir desta metrópole à libertação e seguir algum caminho que me leve ao sul…”

Como na canção do Grupo Engenho, resolvi aproveitar os dias ensolarados que me restavam de férias, após uma semana de chuva ininterrupta, para seguir um caminho que me levasse ao sul de Santa Catarina. Mais especificamente, o plano era sair de Floripa e ir até Nova Veneza pedalando na maior parte do tempo pela SC-108, que corta o estado de norte a sul pelo interior, ligando a região de Joinville à divisa com o RS, em Praia Grande.

A primeira etapa foi subir até Angelina, para alcançar a referida estrada. Os 40 km iniciais até São Pedro de Alcântara são tranquilos, apesar das subidas, pois é tudo asfaltado ou pavimentado. Mas a medida em que se continua para Angelina, os aclives vão ficando cada vez mais duros e, somando-se às condições da estrada de chão, os quilômetros acumulados vão pesando nas pernas. Nada que não se compense com as belas paisagens e construções históricas pelo caminho, que é muito usado por peregrinos católicos com destino à Igreja de Nossa senhora da Imaculada Conceição de Angelina.

O segundo dia começou com 13 km de muitas subidas até Rancho Queimado, além de um calor considerável, mas num asfalto lisinho e quase sem nenhum movimento automotor. Após uma parada para almoço e descanso, segui, já protegido do sol pelas sombras da face oeste da estrada, os 35 km até Anitápolis. Esse trecho é dos mais divertidos pelos quais já tive o prazer de pedalar. Há duas subidas fortes, uma no início, outra já bem perto do fim, mas o que separa ambas são mais de 10 km de deliciosas descidas asfaltadas.

No terceiro dia, a estrada segue descendo, primeiro num trecho não pavimentado de 23 km até Santa Rosa de Lima, onde se destacam os penhascos e as vistas privilegiadas do vale do Rio Braço do Norte. Depois volta o asfalto, num caminho em que prevalecem as descidas e trechos planos, passando por Rio Fortuna até chegar à Braço do Norte. Os últimos 10 km antes da chegada foram um pouco desagradáveis: menos pela chuva que resolveu cair, e mais pelo maior tráfego na região, aliado à falta de acostamento do trecho e à impaciência de alguns poucos motoristas, que decerto gostariam que eu me desintegrasse para sair dos seus caminhos.

O quarto dia foi, sem dúvida, o menos “aprazível”. Ao optar por permanecer seguindo a SC-108, pelo trajeto mais direto até Urussanga, me vi pedalando junto a um constante fluxo de veículos, especialmente caminhões. O acostamento pedalável, na maior parte do trecho, evita maiores riscos ou tensões, mas não há grandes paisagens ou locais tranquilos para contemplação. O asfalto e a falta de sombreamento também contribuíram bastante pra aumentar a sensação de calor. Mas foi um dia de encontros: primeiro, cruzei com um ciclista local na saída de Braço do Norte e fomos pedalando juntos trocando amenidades até São Ludgero. Depois, encontrei um amigo da época da escola para almoçar em Orleans. E ao fim dos 40 km do dia, ao chegar em Urussanga, um encontro merecido com uma(s) caneca(s) de chopp artesanal da região, no pub anexo ao hotel.

No quinto e último dia da viagem, eu desisti da SC-108 e resolvi ir até Siderópolis pela não pavimentada SC-445. As generosas sombras e belas vistas fizeram valer a pena o esforço a mais nas subidas (e descidas!) pelos esburacados caminhos do interior. E ao passar pela praça central de Siderópolis uma recompensa extra: um concurso e mostra de cachaças artesanais, com direito à degustação, claro! Na hora de continuar em direção à Nova Veneza, uma distração (ou a “marvada”) me fez perder o acesso e descer quase 1 km no sentido errado. Corrigido o rumo, segui pelo belo caminho, ora asfaltado, ora de chão, que leva ao charmoso centro de Nova Veneza. Mais alguns poucos quilômetros e cheguei ao destino final, a Pousada Di Venezia, onde Alícia e Manuel (minha esposa e filho) me encontrariam. :DDD

Tracklogs:
Dia 1:

Dia 2:

Dia 3:

Dia 4:

Dia 5:

Hospedagens:
Angelina : blumengartenhaus.com.br 48 3274-1180
Anitápoils: Pousada Weiss (48) 3256-0109
Braço do Norte: costanobrehotel.com.br (48) 3658-3121
Urussanga: Urussanga Palace Hotel (48) 3465-4231
Nova Veneza: pousadadivenezia.com.br (48) 98479-3131

Relato: Caminho dos antepassados

Relato: Caminho dos antepassados

Salve, salve!

Neste mês de julho o grande parceiro de pedaladas Rodrigo Herd fez uma viagem bem bacana pelo interior de SC. A meu pedido, ele escreveu um relato para publicação aqui no Pedal Nativo. Espero que gostem!

 

Há 100 anos, em 1918, João Hoffmann (meu bisavô materno) com sua família (entre eles meu avô Waldemar, então com 12 anos) chegaram à Rio do Sul – SC. Era o fim de uma saga tão comum aos imigrantes alemães e seus descendentes estabelecidos em Santa Catarina desde metade do séc. XIX. A busca por terras melhores para sustentar a família havia começado alguns anos antes quando deixaram a região das colônias próximas à Capital. Primeiro subindo o caminho das tropas (como era conhecida a estrada que levava à Lages) até a localidade de Barracão (hoje Alfredo Wagner). Depois, usando a estrada aberta em 1912, seguiram pela margem do Rio Itajaí do Sul até a localidade de Ilha Grande, para anos depois, finalmente se fixarem em Rio do Sul. Para comemorar o centenário desta história, decidi fazer uma cicloviagem pelos caminhos percorridos pela minha família materna.

Saí de Rancho Queimado numa sexta-feira de sol e calor atípico para mês de julho. Os primeiros 15km incluem um divertido zigue-zague no trecho asfaltado, uma bela descida em estrada de chão e trechos com calçamento em Rio Bonito e ao chegar em Taquaras. Destino turístico de final de semana, a localidade mantém preservada muitas de suas construções históricas, como a casa de campo do ex-governador Hercílio Luz e as igrejas católica e luterana. Esperava almoçar num restaurante local, mas este só funciona aos sábados, domingos e feriados, e acabei dando com a “cara na porta”. Teria que me contentar então com a pouca comida seca que trazia comigo. De Taquaras, uma subida de 4km, suave e constante, me levou até à BR282, na altura do mirante da Boa Vista. Desci pelo acostamento da BR por alguns poucos quilômetros até sair à esquerda rumo aos distritos de São Leonardo e Picadas. A partir dali eu percorreria a margem esquerda do Rio Itajaí do Sul, cujo leito eu acompanharia até chegar à Rio do Sul. Nesse trecho prevalecem as paisagens típicas rurais, pequenas plantações e pastagens na beira do rio. Fiquei sem água logo após terminar a descida, mas apesar de não haver pontos de apoio nesse trecho, logo encontrei uma casa onde pude pedir um pouco. Reabastecido de água gelada, segui no sobe e desce característico dos vales até reencontrar a BR282 poucos quilômetros antes do trevo de Alfredo Wagner e meu destino final do dia: Hotel, Lanchonete e Churrascaria Kretzer.

A antiga estrada que possibilitou a chegada dos meus antepassados ao Alto Vale do Itajaí seguia pela margem direita do rio, onde hoje é a rodovia SC350. Como pedalar na rodovia não é muito agradável, o caminho que tracei até Ituporanga margeava o outro lado do Itajaí do Sul por estradas vicinais e rurais sempre que possível. Logo após a saída de Alfredo Wagner, há um pequeno trecho em que não há alternativa até Catuíra, onde uma estreita ponte pênsil me levou de volta à tranquilidade da margem esquerda. A partir daí, as paisagens rurais se intercalam com trechos de mata e o caminho vai ficando mais duro. Uma montanha-russa com pequenas subidas íngremes e estradas com muito cascalho e pedras soltas esgotaram rapidamente minhas energias. Na altura da localidade de Jararaca, pra evitar um trecho em aclive e sem acostamento pela SC, desviei morro acima sentido Chapadão do Lageado, aumentando a distância, a subida acumulada e o cansaço das minhas pernas. Nesse momento, ficou claro que eu havia cometido um vacilo grave. Sabendo da falta de pontos de apoio, levei comida seca comigo, mas claramente era insuficiente para repor minhas energias. Fica a dica: Mandolate, pipoca Bilu, amendoim doce e banana passa não tem a “sustança” necessária pra um dia inteiro de pedal. Como resultado passei a me arrastar morro acima e, ao invés de curtir o caminho, só conseguia pensar no quanto de sofrimento ainda me faltava pela frente. Apesar de tudo, viajar de bike sempre revela boas e novas experiências. Ao passar em frente a uma propriedade, um agricultor me pediu pra “tocar” umas vacas e bezerros, que haviam se perdido, pra direção certa. Descobri mais uma utilidade da bicicleta: o pastoreio. Dado o meu estado de esgotamento físico, ao cruzar com a estrada asfaltada de acesso à Chapadão do Lageado, retornei por ela até a rodovia pra encurtar o caminho e chegar logo à Ituporanga.

 

O terceiro dia foi tranquilo, cerca de 30 km até Rio do Sul. Me mantendo à esquerda do rio pra fugir da SC, o sobe e desce é bem mais sossegado que o dia anterior, e de Aurora em diante é basicamente plano. A paisagem também muda, com mais áreas urbanizadas intercaladas com pequenas propriedades rurais. Havia combinado de almoçar na casa da minha madrinha e cheguei bem na hora que serviram à mesa. O almoço de domingo reuniu alguns dos descendentes (meus tios, tias e primos) do João Hoffmann que ainda moram em Rio do Sul 100 anos depois. Não poderia haver forma melhor de celebrar minha chegada.

Agora era só voltar.

Com a previsão de chuva para o início da semana, cheguei a cogitar voltar de ônibus, mas as empresas (a Reunidas no caso) fazem tantas exigências para o transporte da bicicleta, que preferi apostar na imprecisão da meteorologia.

Saí de Rio do Sul na segunda antes das 9h. Com 65km pela frente até Vidal Ramos, além da bela serra de Presidente Nereu, não iria cometer o mesmo erro de sábado. Iniciei a pedalada com duas bananas e um café no estômago, mas 15 planos quilômetros depois parei numa padaria em Lontras pra reforçar o estoque calórico. O dono do estabelecimento puxou papo ao ver minha bicicleta e disse que também era ciclista. Contou que organizam todo ano uma prova na estrada que percorreria até Presidente Nereu. São 28 km totalmente asfaltados, quase sem movimento, os 8 primeiros planos, 10 subindo (com os 4 últimos mais inclinados) e os últimos 10 numa deliciosa descida. Cheguei no centro de Nereu 12h30 e tratei logo de parar para almoçar e descansar. O dia que havia amanhecido nublado e encoberto as vistas da serra, agora se mostrava ensolarado e razoavelmente quente.

Se a estrada até Pres. Nereu é uma atração em si, o caminho dali até Vidal Ramos é cheio de paisagens belas, pitorescas e bucólicas, em especial quando se avista o rio Itajaí-Mirim. Já quase chegando em Vidal Ramos, duas construções chamam a atenção. Primeiro a charmosa casa comercial Irmãos Stoltenberg, em estilo enxaimel. E alguns quilômetros à frente, destoando da natureza ao redor, ergue-se uma enorme fábrica de cimento da Votorantim. Dali até a entrada da cidade, onde fica o Acacius Hotel, meu destino do dia, pedalei pelo acostamento da rodovia usada pra escoar a produção da fábrica.

Os menos de 30 km de distância entre Vidal Ramos e Leoberto Leal podiam indicar um dia fácil de pedal, mas como percebi ao longo da pedalada, a sequência de subidas que acumulam mais de 1000m elevação, tornam o caminho bem desgastante. Em compensação, pedalei em meio à tranquilidade da natureza. A impressão é de que não pára de subir nunca, e realmente só pára quando se chega à divisa dos municípios, já na asfaltada rodovia SC281. Uma forte descida leva ao centro de Leoberto Leal. Cheguei a tempo de almoçar no Hotel e Churrascaria JK, onde me hospedei e fui muito bem recebido. Consegui lavar e secar todas as minhas roupas de ciclismo, o que seria primordial pro dia seguinte, quando a previsão de chuva e frio finalmente se concretizaria.

Deixei Leoberto Leal pouco antes das 9h, sob uma fina garoa, para encarar os últimos 57km da minha jornada. Durante os primeiros 16 km, que me levaram ao sopé da Serra dos Tropeiros, a garoa fina apertou, me obrigando a colocar em ação a capa de chuva comprada na Cravil de Vidal Ramos no dia anterior. A estrada de chão, inaugurada em 2012, tem apenas 1750m, mas uma inclinação absurda. Os primeiros 500, 600 metros eu nem tentei pedalar, simplesmente desci e empurrei a bici morro acima. Depois que suaviza um pouco a subida eu voltei pra cima do selim. Ao chegar no “fim” da serra encontrei o caminho que liga à BR282 e à localidade de Mato Francês, já em Rancho Queimado. Mas as subidas continuam por pelo menos uns 6km, mas bem mais leves. Nesse ponto, já acima dos 1000m de altitude, junto com a garoa, o vento gelado se tornou um grande inimigo. Parei para trocar de roupas, e colocar a calça plástica que veio com a capa de chuva, antes de encarar a descida. Isso me ajudou a manter o corpo seco e aquecido apesar do intenso frio. Após a descida, em frente à igreja luterana de Mato Francês, entrei num rancho aberto e aparentemente desocupado para me abrigar, descansar e me alimentar. Desta vez sem vacilação: pão de centeio, linguiça defumada e uma lata de atum ralado. Coloquei a última muda de roupa seca de pedal que ainda me restava para percorrer os 20km finais. Uma pequena subida antes de descer novamente à Taquaras, e de lá segui pelo caminho inverso ao percorrido logo no início da viagem. O último desafio, subir o Morro Chato, fez jus ao nome do local, especialmente com o vento contra, e ajudou a somar os quase 1.800m de subida acumulada no dia. Avistar meu carro estacionado no centro de Rancho Queimado significava o fim dessa incrível viagem por alguns dos caminhos que levaram meus antepassados e tantos outros imigrantes ao interior de Santa Catarina.

Números da viagem: 9 cidades, 6 dias, 297km e 7.325m de subida acumulada.

Registros do Strava:
Dia 1
Dia 2
Dia 3
Dia 4
Dia 5
Dia 6

Relato: Serra do Tabuleiro com amigos

Relato: Serra do Tabuleiro com amigos

Salve, salve!

No começo de fevereiro fiz uma viagem-acampamento para a Serra do Tabuleiro, aqui perto de Florianópolis. Além de ser muito agradável pelas companhias, foi minha primeira experiência com os equipamentos de bikepacking da Aresta. A meu pedido, o Juliano Goularti, um dos participantes da viagem escreveu o relato abaixo. Sobre os equipamentos eu devo fazer uma avaliação avaliação em breve!

Tomando como ponto de partida a “ponte do jacaré”, em Florianópolis, com um pequeno atraso, iniciamos nosso pedal às 7h25min. Com tempo favorável, seguimos em direção ao nosso ponto de chegada: região do Tabuleiro. Num ritmo leve, uns com carga relativa de peso, outros sem nada e outros a bike parecia um bitrem, seriam 4h30min de pedal, isso sem intervalos para descanso e lanche.

Com um percurso de 64 km, 885m de elevação acumulada e 412 de elevação máxima, os primeiros 44 km foram relativamente tranquilos. Relativamente porque a parte de pedalar as margens da BR-101 e BR-282 requer uma atenção mais que redobrada em função do trânsito pesado. Este trecho, principalmente, na parte de Santo Amaro da Imperatriz, é muito chato, tedioso e, principalmente, perigoso.

 

Num ritmo de passeio, a primeira parada foi num posto de combustível logo depois do centro histórico de São José. Hidratamos-nos e repomos as calorias. Claro, não poderíamos deixar de beber Pureza! Repostas as energias, seguimos nosso pedal. Ao completarmos 44 km, antes de encarar a dignidade da subida, paramos novamente para repor as energias e papear um pouco. Não faltou Pureza!

Alimentados, subimos na bike e cruzamos a ponte sobre o Rio Cubatão. À nossa frente estava ele, o Tabuleiro. Faltando 20 km ao nosso destino (19 km de estrada de chão) este seria o trecho mais difícil, pelas condições do terreno, peso dos equipamentos e pela subida íngreme. O sol e a umidade estavam nos aguardando para surrar. Mas a vista da paisagem e o contato direto com a natureza recompensavam. Havia muitas árvores frutíferas às margens da estrada, como goiaba (branca e vermelha), araçá (amarelo e vermelho), morango silvestre e limão. Desfrutamos-nos de todas.

Após 14 km de subida forte, paramos para um banho de rio. Mas antes de chegar ao rio, ocorreu o primeiro incidente, um pneu furado. Nada de mais, concertado, seguimos adiante. Nas margens da água corrente do rio, aproveitamos a oportunidade para fazer um café e comer uns pãezinhos. Passados 1h, seguimos viagem. Faltavam apenas 7 km, de subida forte, terreno irregular e alguns rock garden. Nos últimos 500 metros, boa parte foi empurrando devido à irregularidade do terreno. Às 15h30min chegamos ao nosso destino.

Chegando ao nosso objetivo, levantamos acampamento. Não foi possível fazer uma fogueira, as madeiras estavam muito úmidas. Ao redor das pedras que seriam utilizadam para a fogueira nos reunimos para fazer a comida. Macarrão integral, brócolis, molho branco, linguiça e salame colonial estavam no cardápio. Miojo é para os fracos. Não faltou aquela cachaça artesanal. Mas faltou vinho! “Eu quero um gole de vinho, acabou!” Ao que consta, duas garrafas de vinho estavam garantidas. Mas apenas 500 ml de foram levados. Baita Fake News! Sem fogueira (madeira úmida) e sem vinho (mi mi mi). Mesmo assim, ao redor da comida, rimos muito e apreciamos o Tabuleiro. 19h30min já estávamos postos em nossas barracas, ao som da sinfonia dos grilos e sapos, esperando o sono.

A noite foi agradável. A chuva fraca não foi empecilho. Pelo contrário, os pingos de chuvas sobre o teto da barraca torna a situação mais romântica. Magistral do acampamento selvagem é o rush da floresta, isto é, perceber que depois das 4h da manhã o som da floresta começa a mudar. O som dos animais noturnos começa a dar lugar ao som dos animais diurnos. Pela manhã, tomamos um café reforçado, ajustamos os equipamentos, fizemos algumas fotografias e levantamos acampamento em direção à Florianópolis. Alimentados e com o local limpo, próximo das 10h, montamos em nossas bikes para descer a dignidade da subida, mas sem antes subir alguns metros.

Nos primeiros quilômetros da volta, um novo incidente, pneu furado. Nada demais, concertado seguimos adiante até uma padaria na região de Santo Amaro da Imperatriz. Pausa para o lanche. Passados 1h, tocamos o pedal. Oos últimos 40 km, 20 km foram de chuva torrencial, transito pesado, acostamento alagado e pista escorregadia. Faltando 30 km para nosso chegarmos nosso destino, mais um pneu furado. Concertamos de baixo de uma chuva forte e seguimos viagem em fila indiana.

 

Ao final de dois dias de cicloviagem, foram três pneus furados, sem nenhum incidente mecânico, 128 km pedalados e 1.366 de altimetria acumulada (equivalente à subida da Serra do Rio do Rastro, com seus 1.421m). O que ficou pedal foi o reforço do laço de amizade é a certeza de um novo cicloturismo, a Serra da Garganta, Anitápolis.

Juliano Goularti.

RELATO: a natureza como escola – parte final

Esta é a quarta e última parte do relato da minha experiência no programa de Fundamentos da Educação ao Ar Livre (Feal), da Outward Bound Brasil (OBB), que participei em agosto de 2017. Confira a primeira, a segunda e a terceira partes.

Acordamos no nono dia sabendo que não haveria deslocamento. Tivemos duas ou três atividades logo pela manhã e fomos liberados para o banho no rio. Aí a “rádio corredor” já cantou a letra de que teríamos a experiência do solo. Mas o que era isso?

Fotos: Fábio almeida e João Teodósio

 

Basicamente, teríamos momentos para refletirmos sobre os aprendizados do Feal e, de alguma forma, conectá-los a nossas vidas. Para isso, iríamos nos afastar do grupo e buscar algum local interessante para o pernoite. Havia regras bem claras sobre o que poderia ou não ser levado.

Pois é. Não teríamos barraca, iriamos “bivacar” nesta noite. Esta é uma experiência que há tempos eu tinha vontade de ter, mas sempre faltou coragem. Naquele momento, no entanto, eu já estava muito a vontade na natureza. Nem mesmo as várias fezes de onça que vimos ao longo dos dias anteriores me preocupavam. Tinha a convicção que elas evitariam qualquer encontro.

Sem muita dificuldade, encontrei um morro para chamar de meu. Um degrau de pedra seria minha casa nas próximas horas. Como cheguei no fim da tarde, tratei de montar o abrigo rapidamente, para aproveitar a luz natural. Para isso, prendi a minha tarp em um arbusto, de um lado, e no bastão de caminhada, do outro.

Parece simples, mas não é muito, não. A parte de esticar a tarp envolveu enrolar as cordinhas em pedras pesadas, encher a mochila de pedras e amarrar a cordinha em raízes. Apesar da apreensão de fazer algo tão importante pela primeira vez, achei bastante divertido.

 

Montei o modelo inferior esquerdo, que permite observar as estrelas

 

A noite me pegou neste misto de preocupação e satisfação. Um pouco cansado, e sem muito mais o que fazer, peguei no sono logo. Acho que não era nem 19h.

Acordei no meio da noite. O vento tinha acalmado e as nuvens, sumido. Acima de mim, um maravilhoso céu estrelado. Ambiente perfeito para o que seria a materialização desta experiência: escrever uma carta para mim mesmo.

E ela começou com “Fabiolândia, agosto de 2017”. Mandei vários recados para este cara. Sem pressa alguma, fui analisando sucessos e fracassos da minha vida, lembrando de quem está comigo na batalha e refletindo sobre meus anseios.

Pra quem não gosta de escrever a mão, até que as três páginas foram preenchidas com facilidade. Processo concluído, peguei no sono novamente sem grande dificuldade.

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O décimo dia amanheceu e pouco tempo depois ouvi o longo apito que indicava a hora de voltarmos para o acampamento. A carta foi entregue aos instrutores e nos será enviada pelo correio, em algum momento próximo.

Com a turma menos falante, comemos um belo café da manhã, desmontamos tudo e partimos para o deslocamento do dia. Iriamos caminhar bastante, com uma navegação relativamente simples.

Porém, dois problemas atrasaram o dia. Primeiro, chegamos a uma longa área alagada, que exigiu vários “scouts” para encontrarmos uma rota alternativa. Mais pra frente, com pressa, erramos a navegação. Isso nos custou uma hora de iluminação natural em um dia bastante nublado. Com a chuva querendo se instalar, acabamos montando acampamento bem antes do objetivo do dia.

O local escolhido não era o ideal. Cheio de pequenas árvores e longe da água. No entanto, não demos muita bola. Com a divisão da turma em equipes, conseguimos fazer a janta com agilidade e nos liberarmos para descansar para o dia seguinte, que teria bastante caminhada.

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Partimos cedo para o 11° dia, que teria, além da caminhada “normal”, a subida ao Pico Santo Agostinho, ou do Garrafão, que fica a 2.359 metros sobre o nível do mar. Saímos do acampamento com chuva e fomos caminhando com a navegação bem clara em nossas cabeças. Sem maiores dificuldades, chegamos rapidamente à parte baixa, que não pertence ao parque e tem várias pequenas fazendas.

Os instrutores nos presentearam com um delicioso queijo parmesão fresco, comprado em uma casa próxima ao começo da subida para o pico. Paramos para um lanche bem calórico e iniciamos a subida.

Eu estava particularmente ansioso com este desafio. Picos me fascinam e assustam na mesma proporção. No começo da subida tratei mais uma vez de subir na frente, encarando a parede inicial com toda a energia que tinha no momento.

Com a chuva se instalando de vez, segui caminhando forte. O grupo foi ficando para trás, com paradas para descansar, arrumar bagagens e afins. Comigo na frente foram o Oliver e o Dan. Conforme íamos ganhando altitude o vento ficava mais forte e a chuva, mais constante. Percebemos que já não era uma boa pararmos para esperar o grupo. Com o corpo molhado, era parar e começar a tremer.

 

Subimos então direto ao pico, chegando lá sob forte chuva. A temperatura estava pouco acima de zero e tratamos de montar um abrigo da chuva e colher água enquanto esperávamos os demais. Em aproximadamente 20 minutos eles começaram a aparecer. Percebemos, no entanto, que havíamos parado no lugar o errado. O ponto de acampamento era cerca de 200 metros à frente.

Rapidamente nos mudamos para o local correto e iniciamos uma linha de produção. Uma grande tenda foi armada e sob ela as barracas eram montadas secas. Com as quatro armadas, corremos para colocarmos roupas quentes e secas.

Na natureza nada se perde.

E aí surgiu um problema para mim. Com a calça molhada do dia anterior, tinha caminhado neste dia com a segunda calça. E isso era tudo que eu tinha de calças. Até tentei usar a segunda pele com uma bermuda por cima. Mas o frio e a umidade estavam demais. Entrei na barraca para não mais sair neste dia.

A equipe soube compreender e me levaram a janta. Perdi, no entanto, a importante conversa sobre o espírito de equipena subida. Soube que algumas roupas sujas foram lavadas e eu também tinha umas peças. rsrsrs.

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Sem chuva nem vento. O 12° dia amanheceu tranquilo. O frio havia diminuído e eu consegui sair da barraca. Fizemos o café da manhã e a primeira aula do dia foi bem no alto, com a vista para todo o vale do Garrafão, 700 metros abaixo. Mais uma vez, não foi fácil manter a atenção só na exposição. E olha que o assunto era bem interessante: como foi construído o conceito “Não Deixe Rastros”, ou “Leave No Trace”.

E, quando achávamos que o bivaque e a subida sob chuva e frio tinham sido os grandes desafios do Feal, soubemos que havia mais um. E dos grandes. Os instrutores iriam se afastar e grupo deveria se autogerir até o dia seguinte. Isso incluiria navegação, definição de local de acampamento, alimentação e tudo mais, até nos encontrarmos com a van e os instrutores novamente.

Na bastasse isso, uma nuvem chegou, reduzindo a visibilidade a 10 ou 15 metros. Assim, partimos bastante apreensivos com a navegação. As referências visíveis eram poucas e muito parecidas entre si. Pouco tempo depois passamos reto por um ponto onde deveríamos virar à direita.

Mal dá pra ver, mas os pelinhos do dedo estavam congelados

Este erro banal custou várias idas e vindas do grupo em meio a um cenário cinza, frio e com chuva intermitente. Com a moral ameaçando cair, tratamos de manter a objetividade e entender de uma vez onde estávamos no mapa. Após quase duas horas de idas e vindas, reencontramos o caminho e fomos descendo rapidamente. Quando finalmente saímos de dentro da nuvem a sensação foi de alívio geral.

Chegamos no fim da tarde ao “Curralzinho”, que tinha sido nosso local de acampamento na terceira noite do Feal. Fizemos quase uma festa por estarmos em um lugar seguro, sem chuva e pela pizza que jantaríamos naquela noite. Deu bastante orgulho do grupo.

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Para o 13° dia tratei de me candidatar à liderança pela segunda vez. Já imaginava que seria um dia descomplicado para esta função. Bastava cuidar da navegação, que era um tanto quanto simples, e manter um bom ritmo de caminhada, pois ainda estávamos a 14 quilômetros do ponto de resgate.

E, mais uma vez, deu pra perceber o amadurecimento do grupo. Fomos caminhando em um astral leve. Soubemos alternar momentos de contemplação com piadas e músicas. Não nos perdemos em momento algum e iniciamos a grande descida até a van. Foram mais de 10 quilômetros perdendo altitude e utilizando tudo que os joelhos tinham a oferecer.

Sem maiores ocorrências, chegamos ao ponto de encontro com apenas 2:30 horas de atraso. Digo apenas porque a névoa do dia anterior tinha nos levado a acampar bem antes do que o ideal, e este último dia de expedição tinha ficado muito grande.

Hora de todos se abraçarem e se parabenizarem pelo sucesso no Feal. Curiosamente, achei esta festa menor que a da véspera. Acredito que sabíamos que o maior desafio desta etapa autônoma tinha sido mesmo a navegação dentro da nuvem.

A chegada da van. Até o camarada do do banco ficou feliz.

Em pouco tempo a van chegou e partimos de volta a Campos do Jordão. Estávamos tão cheirosos que a tentativa de ligar o ar condicionado foi abortada rapidamente. Era impossível fecharmos as janelas.

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Após um banho de chuveiro e uma estranha noite em uma cama, na base da OBB, acordei para o 14° e último dia. Nossa missão era pintarmos um grande muro da base. Para isso faríamos uma mistura de argila com cola branca, algo que eu nunca tinha ouvido falar.

Após umas duas horas, e um tanto sujos de novo, encerramos nossa derradeira missão. Fizemos uma bela macarronada, compramos algumas cervejas no mercado próximo e pudemos, enfim, relaxar.

No meio da tarde caminhei até o portal da cidade para encontrar meu pai. Havia uma pequena multidão por lá. Todos saiam correndo dos carros e ônibus, tiravam selfies e voltavam para suas capsulas. Estranho. Ainda bem que meu pai chegou logo e tomamos o rumo de Taubaté.

Do papo sempre bom com ele, comecei um grande momento de reflexão sobre tudo que tinha passado nas últimas semanas. Caminhada e acampamento na natureza são coisas muito boas. Mas o Feal tinha sido muito mais que isso. Pude fazer uma grande viagem dentro de mim mesmo. Me questionei e me afirmei em vários momentos. Presenciei momentos péssimos e fantásticos de outras pessoas. Fiz fortes elos com vários dos que participaram. E, como sempre acontece com coisas boas, me pergunto quando será a próxima.

Gostou deste relato? Assine nosso boletim e receba informações sobre novas viagens. Quer fazer um Feal? Procure o pessoal da OBB!

 

RELATO: A natureza como escola – parte 3

RELATO: A natureza como escola – parte 3

Esta é a terceira parte do relato da minha experiência no programa de Fundamentos da Educação ao Ar Livre, da Outward Bound Brasil, que participei em agosto de 2017. Se você está chegando agora, confira a primeira e a segunda partes.

A liderança de equipes era um assunto complicado para mim. Tive algumas experiências boas e algumas ruins nesta posição ao longo dos anos, e andava evitando assumir novos encargos. Mas como o espírito do programa da OBB é o crescimento, decidi me candidatar a líder do grupo no quito dia. Eu tinha um assunto pessoal para trabalhar neste dia: a comunicação com os colegas.

Todo o peso da gravata de líder. Fotos: João Teodósio e Fábio Almeida.

E a comunicação já foi fundamental para que, apesar de termos nos atrasado com as primeiras aulas do dia, eu fizesse um acordo com os colegas para mantermos a programação para o banho de rio. Era algo que estávamos precisando. Não só pelo cheiro, mas também para espairecermos os conflitos.

E foi muito bom! Um rio com pequenas quedas e várias piscinas naturais só para nós. Água gelada na medida, para um dia que já estava quente desde cedo.

Bem mais leves, partimos para a caminhada perto do meio-dia. Curta e com bastante descida, a rota do dia foi boa para treinarmos um pouco de navegação. Com a turma caminhando sem muita distração, terminamos o deslocamento às 15:59h, um minuto antes da meta.

Ainda bem, pois esta era noite de pizza! Sim, fizemos pizza em um acampamento selvagem. Uma verdadeira linha de produção foi montada, com parte do grupo preparando a massa, outros cortando os ingredientes e os demais assando tudo em uma Fry-Bake e uma frigideira normal. Foi bastante trabalho, mas elas ficaram deliciosas e em quantidade para empanturrar a todos.

Com palavras gentis dos colegas sobre a minha liderança, terminei o dia aliviado. A comunicação, na base do “o combinado não sai caro”, funcionou muito bem. Percebi que, tomando cuidado com as minhas já conhecidas falhas, dá sim para fazer um trabalho bacana de liderança.

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Vamos ou ficamos? O dia começou com a dúvida se o reabastecimento chegaria a tempo para fazermos a caminhada prevista. Esta incerteza deu esperança para alguns, que, já cansados dos dias anteriores imaginavam se ao longo do curso teríamos um dia sem deslocamento.

Mas o reabastecimento chegou, a comida foi redistribuída e nós partimos para a caminhada do dia. A perspectiva era de uma rota dura, com bastante subida e um longo trecho sem trilha demarcada no mapa.

Em pouco tempo vencemos o primeiro morro. Uma paradinha na sombra e logo partimos para o segundo. Já sem trilhas no mapa, a navegação do grupo começou sob a responsabilidade do líder Oliver. Aos poucos, no entanto, outros começaram a debater as opções e participar das decisões.

“Brilhante”, foi como o Helder, um dos instrutores, viria a definir a nossa navegação naquele dia. Porém, não bastava apenas definir caminhos. Com as mochilas mais pesadas do que nunca, alguns sentiram dificuldades com o passar dos morros.

O ritmo foi lento e, como começamos tarde, chegamos ao destino com os últimos raios de sol. Neste momento o grupo foi tomado por um mix de emoções. O João corria pelos campos, a Bianca abraçava a todos e o Oliver criava uma força-tarefa para buscar água.

Já no escuro, e com a mediação do Helder, percebemos que já chegamos com água suficiente para o nosso consumo naquela noite. Pôde prevalecer, então, a sensação da conquista. Aliviados, montamos as barracas e fizemos uma “reunião” de 10 pessoas dentro de uma única tenda para 4. Até o Michel, também nosso instrutor, se jogou, contagiado por nossa energia.

Como disse a Patrícia, em uma música criada na hora, foi um “dia lindo pra viver. Aqui na serra do papagaio eu só tenho a agradecer”.

Ainda com tempo bastante aberto, no sétimo dia fizemos uma longa caminhada pela crista de duas serras. Apesar da belíssima vista, foi uma caminhada muito dura, seja pelo sol constante, seja pela longa distância, seja pelas mochilas cheias.

Sem muita filosofia, nos esforçamos em manter o ritmo e cumprirmos o deslocamento do dia. Neste esforço, cometemos duas imprudências: almoçamos expostos ao sol, sem conseguirmos relaxar, e fomos em direção a um grande erro de navegação, que iria nos custar horas para desfazer. Foi um dos poucos momentos em que os instrutores precisaram interferir mais fortemente.

Bom, etapa vencida, fomos para o alto de um pequeno morro para a aula que falava muito sobre tudo que o grupo vinha passando e ainda iria a passar: fundamentos da educação experiencial. Muito bacana entender um pouco do funcionamento do curso que estávamos passando e ter contato com outras ferramentas disponíveis.

Pena para o Helder, que deu a aula, pois estávamos exaustos e, atrás dele um pôr do sol fantástico se exibia lentamente. Montanhas douradas ao longe e um balé de andorinhas. Não foi fácil para ele competir.

**

Na manhã do oitavo dia um pico de tensão eclodiu no grupo. Um dos integrantes não saiu da barraca para ajudar na preparação do café. Assim como não tinha participado dos trabalhos da janta no dia anterior. E como vinha se desviando de lavar a louça em todas as refeições.

Vários foram à barraca conversar com ele. Tentar ouvir suas razões e argumentar sobre a importância do trabalho de cada um para o grupo. Mas não houve mudança. Outro, já não tão paciente, foi lá “resolver” a questão. Provocar para ser respondido. Mas nem assim.

Aos poucos o grupo foi deixando este caso de lado e seguindo com a arrumação para o café da manhã. Aos poucos o episódio foi sendo processado. Mais tarde, ficou assim registrado no diário do grupo.

“Hoje abri o saco de dormir de um colega. Ali dentro, um corpo. O frágil corpo de um homem. Qual o próximo passo? Me contive, retrocedi. Vamos buscar outro caminho. Em grupo. Andar junto. Viver junto. É um compromisso que assumimos em 11 pessoas. Nenhum problema é só individual.”

Bom, a caminhada foi mais uma vez dura. Começamos com uma forte subida, sem trilha demarcada. Mas pelo menos eu estava descansado. Na noite anterior caí na barraca logo após cumprir minhas obrigações com o grupo, dormindo uns 40 minutos mais cedo que o restante dos colegas.

Com esta disposição para caminhar, e confiança na minha navegação, fui seguindo o dia à frente do grupo. Era eles chegarem e eu já partia para o próximo trecho. Apesar de energizado, eu não queria muito papo. O caminhar contemplativo estava muito bom e a falação dos demais estava atrapalhando isso.

Cheguei a comentar com o Helder que sentia a necessidade de um momento de introspecção para processar tudo que vinha passando desde o começo do curso. Ainda não podendo comentar sobre o nosso próximo, ele apenas consentiu.

Mal sabia eu que, nos próximos dias, eu iria dormir em bivaque, encarar uma temperatura baixíssima com chuva e vento, e ter que navegar por horas sem qualquer referência visual. Mas estes são assuntos para a quarta e última parte do relato. Confira agora!

RELATO: Serra da Garganta em quatro dias

Salve, salve!

Neste feriado de 7 de setembro fomos revisitar a Serra da Garganta, em uma viagem de quatro dias a partir de Floripa. Atendendo ao nosso pedido, o amigo Juliano Goularti fez o relato da viagem. Confira!

“Quinta feira, feriado da independência, 9h. Primeiro dia: Saímos do posto de saúde da Trindade, Florianópolis/SC, com destino a cidade de Águas Mornas/SC (Grande Florianópolis). O percurso de 52,2km com ganho de elevação de 452m, desconsiderando a atenção redobrada em função do trânsito pesado, o trajeto não apresenta dificuldades. A parte mais tensa foi cruzar a parte central de São Amaro da Imperatriz pela BR-282 que não dispõe de acostamento.

Pedalamos em ritmo leve, média de 17,1Km/h, com uma parada para descanso em Palhoça. Hidratamos-nos e repomos as calorias. Reposta as energias, seguimos viagem até nosso destino final. Demos ainda uma pequena parada na prefeitura de Águas Mornas para uma fotografia. Chegamos ao destino final um pouco depois das 13h. Desconsiderando a parada para descanso, foram 3h e 02min pedalados. Desmontamos parte de nossos equipamentos, papeamos, tomamos um banho de rio e almoçamos uma deliciosa macarronada. À tarde tiramos para montar as barracas, repor as energias e ir até a padaria (8,6km, ida e volta) para comprar comida para o jantar, pão com salame. À noite ficamos ao redor da churrasqueira papeando.

Sexta Feira, 08 de setembro, 10h. Segundo dia, o dia D: Pela manhã, preparamos um café reforçado, levantamos acampamento e despedimos da valorosa acolhida propiciada pelo Vinicius e pela Naiara.

Saímos de Águas Mornas com destino a Serra da Garganta, em Anitápolis/SC. Expectativa de conhecer a Serra da Garganta que foi palco da Revolução de 30 era tamanha. Eu particularmente já tive a oportunidade de fazer alguns cicloturismo, dentro os quais envolvem a Serra do Rio do Rastro, Serra do Corvo Branco, Serra da Rocinha e Serra do Faxinal (todas em Santa Catarina). Até então não conhecia a da Garganta. Fui pesquisar sobre a serra e, principalmente, o conflito entre as forças federais Legalistas e as forças Rebeldes, ou as tropas Revolucionárias gaúchas. Despertou meu espírito de curiosidade e coloquei nos pedais cicloturístico a ser realizado. Para felicidade, o Pedal Nativo criou essa oportunidade.

Do ponto de partida até o ponto de chegada, seriam 42,1Km com uma altimetria acumulada de 1.498m (equivalente a subida da Serra do Rio do Rastro, 1.421m). Seria o dia mais difícil, pelas condições do terreno, peso dos equipamentos, subida íngreme e sol forte. Pedalados 10min, ainda sem esquentar o corpo, logo nos deparamos com uma subida de terra íngreme e longa. O sol forte nos surrou. Mas a vista da paisagem e o contato direto com a natureza recompensavam.

Certos da dignidade da subida, fizemos algumas paradas para hidratação, descanso e para tirar algumas fotos dado a beleza da paisagem natural. Estávamos em quatro pessoas. Cada um possui um ritmo, uns mais fortes e outros mais fracos. Porém prevaleceu a camaradagem, os que estavam à frente sempre esperavam por quem estava atrás. Vencida a primeira parte do trajeto, seguimos pela BR-282 até a entrada de São Bonifácio/SC. Pela SC-435, uma subida longa, seguimos até a comunidade de Rio Novo que da acesso a Serra da Garganta. Percorridos 27,5km, antes de encarar uma nova subida, esta a mais longa e digna, desancamos um pouco e fizemos um lanche reforçado. Confesso que pedalar pela BR-282 é chato e tedioso.

 

Passados 1h de descanso e lanche seguimos o pedal. Logo no começo, depois de uns 7km pedalados, acontece algo inusitado. Sempre procuramos esperar quem possui um ritmo menor para reagrupar. Embora tivesse um momento que esperamos e esperamos por um membro(a)do grupo que não aparecia. Preocupado(a), um de nós voltou (aprox. 1km, o que acaba sendo 2km) desceu serra abaixo para saber o que havia acontecido. Ao final encontramos o(a) membro(a) do grupo conversando com um morado local que ao final acabou presenteando(a) com um pote de mel.

Até o destino final do acampamento passamos por alguns perrengues que nos trouxe experiência para que não seja cometido na próxima cicloviagem. Excesso de peso para uma subida digna como é a Serra da Garganta deve ser evitado. O peso em excesso faz você cansar mais rápido, podendo levar a exaustão, reduz o ritmo do pedal e faz você consumir energia muito mais rápido. Mas prevaleceu novamente a camaradagem, distribuímos o peso o que acabava distribuindo a fadiga para que todos pudessem chegar ao destino final do acampamento selvagem. Se estiver valendo uma dica, é a camaradagem na cicloviagem, que além de reforçar os laços de amizade, permite que todos cheguem ao destino final.

Chegando próximo ao ponto final da subida, estávamos cansados e paramos mais um pouquinho para apreciar a vista e repor o fôlego para encarara os últimos 2,5km de descida e subida, que envolvia passar pelo local da batalha da Revolução de 30, e assim chegar ao local do acampamento. A pergunta que mais rolava era se faltava muito para chegar ao destino final. Parecia aquela cena do segundo filme de Shrek quando o Burro perguntar vezes sem conta “já chegámos?”, quando ele, o Shrek e a Princesa Fiona se deslocam de carro até Bué Bué.

Com uma média de 9,5Km/h e 4h e 27min de pedal (sendo que saímos às 10h e chegamos às 17h e 30min), ao chegar ao local do acampamento, com pouco tempo de sol, tratamos de nos apressar em montar as barracas e deixar os mantimentos prontos para fazer a janta. Ao redor do fogareiro, já que não foi possível fazer uma fogueira, todos nós estávamos exausto. Papeamos, bebemos uma boa pinga para baixar a poeira e brindar a dignidade da subida. Ao redor da comida, rimos muito e apreciamos as estrelas.

Além disso, vale registra que acampados em baixo de um corredor de vento, o que fazia as arvores da floresta se retorcer e produzir um som magistral noite adentro. Tão magistral quanto isso, é perceber que depois das 5h da manhã o som da floresta começa a mudar. Como assim: o som dos animais noturnos começa a dar lugar ao som dos animais diurnos, principalmente dos pássaros. Isso são coisas que somente o acampamento selvagem pode lhe propiciar!

Sábado, 09 de setembro. Terceiro dia: No dia seguinte, preparamos o café reforçado, apreciamos o mel que nosso(a) membro(a) do grupo ganhou do morador local e levantamos acampamento, mas sem antes recolher todo o lixo. Alimentados e com o local limpo, próximo das 10h, montamos em nossas bikes para descer a Serra da Garganta, mas sem antes subir aprox. 150 metros para iniciar a descida.

 

Ao todo, o Pedal Nativo de feriado da independência estava planejado para quatro dias, porém eu somente estaria presente em três. Mas antes disso, seguimos juntos do acampamento até uma lanchonete na comunidade de Teresópolis. Saímos próximo das 10h, fizemos algumas paradas para fotografia e encher as garrafinhas de água. Ao chegarmos ao ponto mais alto fomos contemplados por uma neblina que nos fez sentir a sensação de estar dentro das nuvens. Disse um de nós: “Pedal Nativo nas nuvens”. Depois de algumas fotos, iniciamos a descida até a comunidade de Teresópolis para descanso e lanche. Aqui nos despedimos. Uma parte do grupo seguiu viagem até Águas Mornas, local de acampamento do primeiro dia, e eu segui em direção a Florianópolis. Nesse dia, percorri 86,6km em 5h e 34min com um ganho de elevação de 911m.

Ao final dos três dias de cicloviagem, foram 189,5km pedalados e 2.949 de altitude acumulada. Mas o que ficou é a certeza de retornar a Serra da Garganta, mas agora pelo lado de Anitápolis, e não por Águas Mornas.”

Esta foi mais uma viagem da nossa agenda anual de viagens rápidas. A próxima será para o Circuito das Araucárias, em novembro. Saiba mais aqui.

RELATO: A natureza como escola – parte 2

RELATO: A natureza como escola – parte 2

Esta é a segunda parte do relato da minha experiência no programa de Fundamentos da Educação ao Ar Livre, da Outward Bound Brasil, que participei em agosto de 2017. Confira a primeira parte aqui.

O terceiro dia começou com um belo nascer do sol no Pico da Bandeira. Ainda com a boa sensação da conquista da montanha no dia anterior, curtimos bastante o café da manhã. Tempo de batermos fotos e, nos papos, irmos nos conhecendo melhor.

Quase não percebemos o tempo passando e acabamos nos atrasando um pouco para a primeira aula do dia, que foi sobre navegação por mapa e bússola. Orientação para o norte, escala, curvas de nível. Nada disso era novidade para mim, graças ao curso de guia de turismo que fiz no IFSC.

Fotos: Fábio Almeida e João Teodósio

Mas aprender a utilizar a bússola para a navegação, em conjunto com mapa, era um desejo antigo. E daí tive contato com conceitos como azimute, declinação magnética e outros. O curioso é que, na aula, nada é complicado. São conceitos de lógica bem simples, mas que precisam de bastante prática para serem assimilados. E eu iria perceber isso com clareza em alguns dias.

Neste terceiro dia, no entanto, a ordem era guardarmos tudo nas mochilas após a aula, para partirmos para o próximo ponto de acampamento. Conseguimos sair às 11h. Já um pouco tarde, mas ainda normal para quem está pegando o embalo da viagem.

Foi uma caminhada de muito sol, mas sem maiores esforços físicos. Fomos descendo do pico pelas cristas dos morros, cruzando pequenas matas e curtindo o visual. Ao longo do caminho, os papos foram ficando mais interessantes também. Poder e economia global, estilo de vida saudável e outros tantos assuntos passaram pelas trilhas do dia.

E durante este caminhar relaxado, fui me dando conta de que poderia me abrir mais para o grupo. Ao contrário da cidade, onde a norma, ao menos para mim, era nunca se expor sem necessidade, ali era um ambiente emocionalmente seguro, que funcionaria bem como um laboratório para lidarmos com questões pessoais.

Este assunto seria tratado dois dias depois, quando tivemos uma aula sobre a Janela de Johari. Conceito novo para mim, esta teoria divide o conhecimento sobre nós mesmos em quadrantes. Vale conferir:

Eu público: aquilo que eu conheço de mim mesmo e exponho aos demais.

Eu secreto: características minhas que opto por não mostrar para as pessoas.

Eu cego: os traços meus que são percebidos pelas pessoas que convivo, mas eu mesmo não percebo.

Eu escuro: o setor da minha personalidade que nem eu nem as pessoas com quem convivo já tiveram acesso.

O grande aprendizado desta teoria é a de que a maior exposição de nós mesmos, e a disponibilidade em ouvir o feedback das pessoas, são ações que ampliam o conhecimento sobre nós mesmos. Elas reduzem especialmente as áreas do eu cego e eu escuro.

Não por um acaso, ao conversar com os instrutores após o programa, eles comentaram que notaram diferença no meu comportamento após o terceiro dia. Sentiram que eu, aí sim, agia como um participante engajado no Feal, e não como alguém que estava lá apenas para tirar fotos e escrever um relato.

Bom, “decisão tomada”, seguimos caminhando rumo ao antigo curral que serviria de local de acampamento. Chegamos lá no fim da tarde, com tempo para armarmos rapidamente as barracas e corrermos para apreciar o belo pôr do sol.

Enquanto as meninas tomavam banho no rio, nós fomos ao mirante. De lá pudemos ver o vale da vargem e todas as altas montanhas ao seu redor. Nomeamos até o “morro do gavião”, que parecia uma ave, de costas para nós, voando rumo ao por do sol.

O quarto dia começou com uma novidade em nossas atividades. Cada um de nós teria que fazer uma apresentação sobre um assunto de nossa preferência. E quem abriu a agenda foi o João, que falou sobre sua paixão por andar de skate. O objetivo, no entanto, não era avaliar o conteúdo. Após sua fala, fomos estimulados a dar um retorno sobre a forma como ele apresentou o tema.

Feedback passado, terminamos de fechar as mochilas e começamos a caminhada do dia. Nosso destino era o que viríamos a batizar de Vale da Geada. Neste quarto dia, a liderança do grupo ficou com a Patrícia. Aliás, vale falar disso um pouco.

Todos os dias tínhamos um líder entre os participantes. A ele cabia zelar pela união do grupo, determinar pontos de parada e lanche e cuidar dos horários, entre outras funções. O objetivo era o mesmo das palestras: nos expor para depois obtermos feedback dos colegas. E ele era dado todas as noites, após o jantar.

Bom, este quarto dia foi de bastante caminhada. Estávamos sentindo o esforço de andar com tanto peso nas costas. Progredimos lentamente e terminamos a caminhada perto do horário do pôr do sol.

Foi o tempo assistir a segunda aula do dia, pegar água e montar as barracas. Já era noite e mais uma vez tivemos um jantar saindo tarde. O papo após a janta foi meio complicado, com a tensão entre alguns participantes crescendo. Havia queixas sobre a não participação de alguns nos trabalhos coletivos, como preparar comida e lavar a ouça. Mas o conflito ainda estava velado e fomos dormir perto da meia-noite.

Os próximos dias da nossa jornada você acompanha na terceira parte do relato.

RELATO: A natureza como escola – parte 1

RELATO: A natureza como escola – parte 1

Elas estão por toda as partes. Cruzamos por elas em vales, descampados, matas e platôs. As cercas, que há alguns anos limitavam as propriedades, perderam a utilidade com a criação do Parque Estadual da Serra do Papagaio. Hoje apenas compõem o cenário durante deslocamentos livres pela enorme área de vida silvestre.

Além de transitar por terras outrora restritas a cada um de seus donos, minha participação no programa Fundamentos da Educação ao Ar Livre, da Outward Bound Brasil (OBB), me levou a aprender sobre educação experiencial* e a romper barreiras internas e ampliar meu autoconhecimento. É sobre estas experiências que este e os próximos textos tratam.


Cheguei à base da OBB, em Campos do Jordão, em cima da hora. Havia dormido na casa do meu pai, em Taubaté, e nos atrapalhamos no momento da saída. Mas tudo bem, o grupo estava se preparando para a primeira atividade do curso: a conferência dos itens pessoais que cada um havia separado para passar 14 dias na natureza. Não era algo muito complicado, já que havíamos recebido uma lista com itens obrigatórios e opcionais. Porém, o minimalismo desta relação nos levou a querer levar mais coisas.

Segunda bermuda, quarta cueca, espuma de barba, shampoo e condicionador. Estes e outros tantos itens foram convidados a ficarem na base. A explicação era de que precisaríamos de espaço livre nas mochilas para carregarmos outros itens pessoais, como saco de dormir, e alguns coletivos, como barracas e alimentação.

Feita a limpa, fomos conhecer o cardápio. Pizza, estrogonofe, carne seca, arroz, feijão, legumes, tabule, frutas secas, pão sírio, pão de queijo, bolo de chocolate. Passaríamos bem longe do Miojo-com-enlatados que muitos acreditam ser a única comida possível em acampamentos.

As barracas eram quatro. Uma para os dois instrutores e três para os nove alunos. Nos dividimos em equipes meio no susto, sem saber absolutamente nada um do outro, e dividimos as partes das barracas. Afinal, já estava na hora de entrarmos na van para o deslocamento até a Serra do Papagaio, que fica no sul de Minas Gerais, não muito distante do Pico das Agulhas Negras (este já no Rio de Janeiro).

Após três horas de viagem, a van nos deixou na fazenda da dona Marieta, localidade do Ribeirão, em Pouso Alto. Como já estávamos no fim da tarde, caminhamos apenas o suficiente para encontrarmos um lugar plano para montarmos as barracas.

Hora de nos apresentarmos “oficialmente” ao grupo. Mas nada de “meu nome é Fábio, tenho 43 e sou jornalista”. Somos convidados a falarmos quem somos. Em muitos anos de atividades em grupos, esta foi a primeira vez que vi este pedido. Mas achei bacana. Afinal, quem estava ali para formar um grupo e conviver por 14 dias era a pessoa, com suas qualidades e defeitos. E aí teve “sou tímido”, “gosto de descobrir a verdade das coisas” e, de minha parte, “gosto de lidar com coisas novas”.

Fomos então às primeiras aulas. Coisa bem básica para quem vai passar dias na natureza: uma gota de purificador a cada 500 ml de água, louça limpa com o mínimo de sabão e sem o uso de esponja, carregar conosco todo o lixo, inclusive borra de café. Para mim, no entanto, a parte mais complicada foi aprender a fazer o “número 2” causando o mínimo impacto no ambiente.

Já tinha experiência em fazer cocô no mato, usando uma pazinha para cavar um buraco e enterrar as fezes. Mas para me limpar havia usado papel higiênico, que também se degrada, mas de forma mais lenta. Só que um grupo de 11 pessoas durante 14 dias causa um impacto consideravelmente maior na natureza, e a OBB optou por uma técnica de limpeza que usa folhas ou gravetos, em associação com um pingo de sabonete líquido.

E aí é que a coisa pegou. Durante os primeiros dois dias este foi um momento psicologicamente complicado para mim. Sempre ficava com a impressão que não tinha feito certo. Porém, com o passar do tempo isso foi se tornando natural e hoje tendo a manter isso nas próximas incursões na natureza. Pra quem quiser saber mais, o Blog da Escalada tem um ótimo artigo sobre o assunto.

Bom, a primeira noite foi relativamente tranquila. Dormi aliviado ao perceber que o isolante inflável, que havia se furado aqui em casa, estava segurando bem o ar após ter sido remendado. Apenas o latido constante de cães um canil nas proximidades incomodou um pouco. Mas sabia que seria o último sinal de “civilização” que veria em um bom tempo. Então nem atrapalhou tanto assim.

A preparação do café da manhã foi marcada para as 7h. Um bom indicador que, apesar de estarmos na natureza, não se tratava de férias. Conseguimos finalizar os preparativos e partirmos às 9h. Seria um dia relativamente curto, mas com muita subida. Era preciso “ganhar” a serra. E assim fomos, subindo, parando, nos acostumando com o peso nas costas, subindo, colocando esparadrapo no pé e curtindo o visual.

Em algumas horas chegamos ao Pico da Bandeira, com 1.930 metros. E poucas coisas são mais empolgantes que alcançar um pico após uma caminhada dura em um dia de céu aberto. Montanha! Ainda na empolgação da subida, começamos a montar acampamento. Logo percebemos que o descampado estava com o solo todo revirado. Segundo os instrutores, quem faz isso é o javali. Este animal, que não tem origem brasileira, se tornou uma praga em diversos estados, principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

Bastante agressivo, ele anda em grupos e gosta de comer tubérculos, como batata, cenoura e cebola. Também há registros de ataques a outros animais e a humanos. Não vimos nenhum durante a expedição, mas encontramos solo revirado em mais alguns lugares. De qualquer forma, a dica é subir em árvores para fugir de um ataque.

Dormimos no cume e a única bandeira que avistamos foi a “blupita”. Trata-se de uma flamula branca com a borda azul, utilizada por navios. Seu nome é um aportuguesamento de “Blue Peter”, pronunciado com sotaque britânico. Ela indica que a embarcação está pronta para sair. Mesmo significado da expressão Outward Bound, que dá nome à OBB. A bandeira foi carregada a cada dia por um de nós. Sempre presa na mochila, à vista de todos.

Sem cachorros, nem javalis, por perto, tivemos uma ótima noite de sono. Bom para nos prepararmos para as diversas atividades dos dias que viriam. Mas isso é assunto para a segunda parte do relato. Confira aqui.

* O termo educação experiencial começou a ser utilizado a partir das experiências educacionais de Kurt Hahn, fundador da Outward Bound, quando ao treinar jovens no manejo de veleiros para lapidar-lhes o caráter, fez a diferenciação entre o que seria o treinamento pelo mar (aprendizado de vida proporcionado pela experiência de velejar) contrapondo-o ao treinamento para o mar (aprendizado operacional das tarefas necessárias para velejar).

RELATO: Quatro dias na Serra da Mantiqueira

RELATO: Quatro dias na Serra da Mantiqueira

Bela e bruta. Linda e impiedosa. Divina e desumana. A Mantiqueira não dá trégua, são estradas de terra, subidas desgranhentas, acampamentos selvagens, longas descidas, um frio da “mulestia”…. mas também são cenários de tirar o fôlego, uma região rica e muito agradável para se pedalar, com um povo acolhedor sempre com disposição pra um dedim de prosa, e toda aquela receptividade que o mineiro tem de sobra.

E assim, com o pensamento inabalável de que no domingo teríamos completado o trajeto e estaríamos de volta ao ponto de partida, passamos os 4 dias de feriado pedalando, acampando e cicloviajando pela Serra da Mantiqueira. Ritmo lento, baixa quilometragem, aproximadamente 150km, mas 3.500 de altimetria acumulada entre topos e vales, terra e lama, subidas e descidas…. com as bicicletas carregadas com nossas barracas, comidas, roupas, e todo equipamento necessário.

Na quarta a noite reunimos o grupo em Itajubá: Vivi, Elaine, Meire, Ruiara, Fabio, Ricardo, Bruno e Heitor. Alguns já são amigos de longa data, mas o Heitor e Ruiara são amigos do Bruno/Meire e fariam sua primeira vivência com o ‘cicloturismo’ de maneira auto-suficiente. Fomos para o local de acampamento a uns 12 km da cidade e montamos acampamento por lá. No dia seguinte retornamos para Itajubá de onde saímos pedalando.

Dia 1: Itajubá x Morrão x Taquaral – 34km com aproximadamente 1200 de altimetria subida acumulada
Iniciamos a pedalada por volta de 11 da manhã em Itajubá e seguimos sentido Marmelopolis, pela estrada de chão (terra). Foram 15km de retas tranquilas, e na bifurcação se pegar a direita vai para Delfim Moreira, e pela esquerda sobe a serra pelo topo do morro. Pegamos a esquerda. Foram alguns kms de uma subida desgranhenta, com bastante terra, lama, e uma certa dificuldade devido a bicicleta pesada nesses trechos com mais lama escorregadia. Creio que uns 8kms de sobe sobe sobe constante pelo Taquaral. E lá no topo começa a descida, e depois um sobe/desce. 34 km rodados e Já começava a anoitecer. Hora de procurar um local para acampar. De um lado era encosta, e do outro barranco, rs. Diante da dificuldade de achar um local plano para acampar, optamos por adentrar numa propriedade rural e acampar na entradinha. Gastos do dia: 0,00
Link do dia (não marquei completo)


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Dia 2: Acamps x Sertão Pequeno x Morangal x quase Virgínia – 28km com aproximadamente 978 de altimetria subida acumulada
Levantamos acampamento tarde pois o dia amanheceu frio, gelado, úmido, e onde acampamos não batia sol. Subimos o restinho da serra, e a esquerda seguia para Barra, mas mantemos o nosso trajeto a direita. Entramos a esquerda novamente, sentido oposto a Cubatão. E no ponto de bus entramos a esquerda, sentido Prainha Morangal. (se entrar a direita segue para Marmelópolis). Em Morangal fizemos uma longa parada para fazer manutenção em 2 bagageiros do grupo, que devido a muitas costeletas na estradinha de terra não aguentaram o tranco. E da-lhe enforca gato, a melhor gambiarra de sempre, rs. Dali seguimos por 8 km por uma subidinha suave e pouco inclinada sentido Virginia. Logo depois da cachoeira de Virginia paramos para acampar antes de chegar na cidade. Gastos do dia: 10,00 bar de Morangal, com pasteis a R$ 1,50, espetinhos a R$ 2,00.
Link do dia


Dia 3: Acamps x Virginia x Igrejinha São Miguel – 27 km com 916 de altimetia subida acumulada
Levantamos acampamento e a partir daí foi somente descer, descer e descer. No centrinho de Virginia uns foram para o mercado, outros para padaria. Tocamos sentido Maria da Fé… saímos da cidade subindo a estradinha da Pousada Mantiqueira, e continuamos subindo até 1.500 de altitude, ali no topo saímos da principal pela estradinha da direita e descemos todo o vale por uma linda estradinha estreita e sem movimento algum. A descida era sentido Pinto Negreiros. Era cedo, por volta de 15hs, mas resolvemos acampar em uma Igreja/Cemitério no bairro de São Miguel que tinha um gramado bom e um riozinho ao lado. Foi o acampamento perfeito. Eu já acampei em Prefeitura, praças, escolinhas, ps, bombeiro, rodoviária, casa, abrigos, wc, … mas nunca tinha acampado em um cemitério de vilarejo …rs. Gastos do dia: 12,50 (Padaria, mercadinho, cerveja)
Link do dia


Dia 4: São Miguel x subida até a capela x Mata de Cima x Charquinho x Jardim x Posses x Maria da Fé x Itajubá – 47,6 km com 868 de subida acumulada
A subida não foi íngreme, mas constante, sobe sobe sobe…. e hoje foi o dia mais quente de todos, rs. Judiou um bocado da thurma toda, que com a bike carregada toda subida com sol forte fica mais sofrida. Já saímos subindo até a cruz (o ponto mais alto)…. e a partir dali foram poucos km pedalados e muitas descidas até Maria da Fé, onde fizemos uma longa pausa para almoço. De Maria da Fé para Itajubá foi um pulinho, rs, descida rápida e retinha suave, e logo chegamos na praça de Itajubá.
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Agradeço a todos os companheiros de pedalada. Ao Ricardo por traçar o roteiro e por pesquisar toda a rota. Aos parceiros de sempre: Elaine, Fabio, Bruno e Meire, que dispensam comentários, são cias que adoro estar junto nos melhores momentos de Perrengue Supremo, rsrs. E agradeço especialmente a Ruiara e Heitor “O Roncador” (rsrsrs) pela valentia de terem seguido com a gente, mesmo que num ritmo mais lento e com toda a sofrência, não desistiram e terminaram o roteiro com alto astral e muita historia pra contar. Parabéns !!!

*Relato de Vivi Mar, gentilmente cedido para publicação no Pedal Nativo.