Bikepacking é mesmo uma boa?

Salve, salve!
Vinha bem empolgado com a moda de bikepacking que tomou conta dos EUA. A tentação de ter uma bike mais na mão, com a bagagem mais concentrada, é muito grande.
O negócio está tão forte que esta semana a Ortlieb entrou na moda e lançou sua linha de bikepacking. Só que olhando as peças me surgiu uma questão.
Sem Título-1
Para estes “pacotes” carregarem um volume razoável de carga eles ficam muito grandes e devem balançar bem em uma pedalada fora do asfalto. Em especial o que se prende no canote do selim. Acredito que até mais que um alforge como os da própria Ortlieb.
Então, qual é a vantagem mesmo?

Filosofia de viagem – pensamentos ordinários

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Números e mais números. (foto: Waldson Gutierres)

As horas passadas sobre o selim da bicicleta nos trazem grande revelações sobre nós mesmos e o mundo em que vivemos. Mas nem sempre é assim. Por vezes, nos distraímos com cada bobagem que falta até coragem para admitir depois. Pra mim, muitas vezes, o que faz o tempo passar é a criação de equações com os números que vejo pela estrada. Vale qualquer operação com os números que ví, contanto que o resultado seja o último avistado. E você, qual o pensamento banal que te distrai nas horas menos inspiradas? Para ver que não estamos sós, seguem aí duas passagens, digamos, menos nobres de grande viajantes.

“Nesse primeiro dia de pedal, criei um jogo para me distrair: eu brincava de avaliar as sensações e as particularidades do dia dividindo-as entre “boas” e “ruins” conforme minha perspectiva egocêntrica. Nada muito sofisticado. Eu simplesmente resumia o mundo ao dualismo básico de “bom” e “ruim”, luz e escuridão, Deus e o diabo, como se a realidade respeitasse esse maniqueísmo rudimentar. […] Nessa brincadeira pseudofilosófica de enxergar tudo como reflexos simétricos de um espelho ilusório, o tempo passou e depois de horas entretido comigo mesmo, cheguei ao topo do paso Garibaldi e parei no mirante para o Lago Escondido.”

Guilherme Cavallari – Transpatagônia – pag 253.

“Muitas vezes me perguntam no que eu pensava enquanto pedalava. […] Sempre fico pensativo com esta pergunta. Lembro-me das vezes que olhava para baixo e via duas pernas, duas rodas e quatro alforges. O que exatamente penso quando estou pedalando? Não faço ideia.”

Charles Zimmermann – Travessia – pag 27.

 

Vídeo – Reflexões no Salar de Uyuni

Um deserto de sal é ambiente mais que propício para reflexões. Inspirado por sua passagem no Salar de Uyuni, o cicloturista André Fatini fez uma bela interpretação da música Society, de Eddie Vedder. A canção é conhecida por compor a trilha sonora do filme Into The Wild e fala dos questionamentos do personagem principal sobre os valores da sociedade.


Sociedade
É um mistério para mim
Nós temos uma ambição que concordamos
E você pensa que você tem que querer mais do que precisa
Até você ter tudo, você não estará livre
Sociedade, sua raça louca
Espero que não esteja solitária sem mim
Quando você quer mais do que tem
Você pensa que precisa
E quando você pensa mais do que você quer
Seus pensamentos começam a sangrar
Acho que preciso encontrar um lugar maior
Pois quando você tem mais do que imagina
Você precisa de mais espaço
Sociedade, sua raça louca
Espero que não esteja solitária sem mim
Sociedade, realmente louca
Espero que não esteja solitária sem mim
Tem aqueles achando, mais ou menos, que menos é mais
Mas se menos é mais, como você mantém um placar?
Quer dizer que pra cada ponto que faz, seu nível cai
É como começar do topo
Você não pode fazer isso
Sociedade, sua raça louca
Espero que não esteja solitária sem mim
Sociedade, realmente louca
Espero que não esteja solitária sem mim
Sociedade, tenha piedade de mim
Espero que não fique brava se eu discordar
Sociedade, realmente louca
Espero que não esteja solitária sem mim.