Relato: Serra do Tabuleiro com amigos

Salve, salve!

No começo de fevereiro fiz uma viagem-acampamento para a Serra do Tabuleiro, aqui perto de Florianópolis. Além de ser muito agradável pelas companhias, foi minha primeira experiência com os equipamentos de bikepacking da Aresta. A meu pedido, o Juliano Goularti, um dos participantes da viagem escreveu o relato abaixo. Sobre os equipamentos eu devo fazer uma avaliação avaliação em breve!

Tomando como ponto de partida a “ponte do jacaré”, em Florianópolis, com um pequeno atraso, iniciamos nosso pedal às 7h25min. Com tempo favorável, seguimos em direção ao nosso ponto de chegada: região do Tabuleiro. Num ritmo leve, uns com carga relativa de peso, outros sem nada e outros a bike parecia um bitrem, seriam 4h30min de pedal, isso sem intervalos para descanso e lanche.

Com um percurso de 64 km, 885m de elevação acumulada e 412 de elevação máxima, os primeiros 44 km foram relativamente tranquilos. Relativamente porque a parte de pedalar as margens da BR-101 e BR-282 requer uma atenção mais que redobrada em função do trânsito pesado. Este trecho, principalmente, na parte de Santo Amaro da Imperatriz, é muito chato, tedioso e, principalmente, perigoso.

 

Num ritmo de passeio, a primeira parada foi num posto de combustível logo depois do centro histórico de São José. Hidratamos-nos e repomos as calorias. Claro, não poderíamos deixar de beber Pureza! Repostas as energias, seguimos nosso pedal. Ao completarmos 44 km, antes de encarar a dignidade da subida, paramos novamente para repor as energias e papear um pouco. Não faltou Pureza!

Alimentados, subimos na bike e cruzamos a ponte sobre o Rio Cubatão. À nossa frente estava ele, o Tabuleiro. Faltando 20 km ao nosso destino (19 km de estrada de chão) este seria o trecho mais difícil, pelas condições do terreno, peso dos equipamentos e pela subida íngreme. O sol e a umidade estavam nos aguardando para surrar. Mas a vista da paisagem e o contato direto com a natureza recompensavam. Havia muitas árvores frutíferas às margens da estrada, como goiaba (branca e vermelha), araçá (amarelo e vermelho), morango silvestre e limão. Desfrutamos-nos de todas.

Após 14 km de subida forte, paramos para um banho de rio. Mas antes de chegar ao rio, ocorreu o primeiro incidente, um pneu furado. Nada de mais, concertado, seguimos adiante. Nas margens da água corrente do rio, aproveitamos a oportunidade para fazer um café e comer uns pãezinhos. Passados 1h, seguimos viagem. Faltavam apenas 7 km, de subida forte, terreno irregular e alguns rock garden. Nos últimos 500 metros, boa parte foi empurrando devido à irregularidade do terreno. Às 15h30min chegamos ao nosso destino.

Chegando ao nosso objetivo, levantamos acampamento. Não foi possível fazer uma fogueira, as madeiras estavam muito úmidas. Ao redor das pedras que seriam utilizadam para a fogueira nos reunimos para fazer a comida. Macarrão integral, brócolis, molho branco, linguiça e salame colonial estavam no cardápio. Miojo é para os fracos. Não faltou aquela cachaça artesanal. Mas faltou vinho! “Eu quero um gole de vinho, acabou!” Ao que consta, duas garrafas de vinho estavam garantidas. Mas apenas 500 ml de foram levados. Baita Fake News! Sem fogueira (madeira úmida) e sem vinho (mi mi mi). Mesmo assim, ao redor da comida, rimos muito e apreciamos o Tabuleiro. 19h30min já estávamos postos em nossas barracas, ao som da sinfonia dos grilos e sapos, esperando o sono.

A noite foi agradável. A chuva fraca não foi empecilho. Pelo contrário, os pingos de chuvas sobre o teto da barraca torna a situação mais romântica. Magistral do acampamento selvagem é o rush da floresta, isto é, perceber que depois das 4h da manhã o som da floresta começa a mudar. O som dos animais noturnos começa a dar lugar ao som dos animais diurnos. Pela manhã, tomamos um café reforçado, ajustamos os equipamentos, fizemos algumas fotografias e levantamos acampamento em direção à Florianópolis. Alimentados e com o local limpo, próximo das 10h, montamos em nossas bikes para descer a dignidade da subida, mas sem antes subir alguns metros.

Nos primeiros quilômetros da volta, um novo incidente, pneu furado. Nada demais, concertado seguimos adiante até uma padaria na região de Santo Amaro da Imperatriz. Pausa para o lanche. Passados 1h, tocamos o pedal. Oos últimos 40 km, 20 km foram de chuva torrencial, transito pesado, acostamento alagado e pista escorregadia. Faltando 30 km para nosso chegarmos nosso destino, mais um pneu furado. Concertamos de baixo de uma chuva forte e seguimos viagem em fila indiana.

 

Ao final de dois dias de cicloviagem, foram três pneus furados, sem nenhum incidente mecânico, 128 km pedalados e 1.366 de altimetria acumulada (equivalente à subida da Serra do Rio do Rastro, com seus 1.421m). O que ficou pedal foi o reforço do laço de amizade é a certeza de um novo cicloturismo, a Serra da Garganta, Anitápolis.

Juliano Goularti.

Afinal, conteúdo é o que realmente importa

Afinal, conteúdo é o que realmente importa

Salve, salve!

Nos últimos dois anos o Pedal Nativo diversificou sua atuação. Neste tempo guiei grupos em viagens pelo Estado, conhecendo e revendo pessoas e lugares bacanas. Também investi, em parceria com a Letícia, bastante tempo na formulação de um roteiro de cicloturismo por Florianópolis. Porém, o retorno a tanto trabalho e dedicação não foi o esperado. Nem no campo financeiro nem no campo pessoal. Em ambas iniciativas.

Assim, em 2018 o Pedal Nativo volta a se focar no faz desde 2009: conteúdo. Texto, foto e vídeo. Trabalho que tanta satisfação me dá, ao contar histórias e inspirar pessoas. Que me levou a conhecer muita gente. Que me possibilitou à experiência fantástica de passar 14 dias na natureza em um programa da OBB. Que gerou boas parcerias para novas aventuras.

Desde janeiro venho trabalhado para fortalecer a presença do Pedal Nativo no Youtube. Já são vários vídeos com teste de equipamentos, informações para iniciantes e relato de viagem. Aos poucos, esta onda de novidades vai chegar aqui ao blog, com um novo visual e novas postagens. Também teremos a segunda edição do concurso de fotos de cicloviagens e outras novidades bem bacanas.

Vamos em frente que o caminho vale a pena!

 

 

Dica: como limpar caramanholas e bolsas de hidratação

Salve, salve!

Tomar água em recipiente sujo ninguém merece, né? Mas isso acaba acontecendo se as caramanholas e as mochilas de hidratação não foram limpadas corretamente. E não adianta passar esponja com sabão, porque em locais de difícil acesso, como bicos e tubos, o fungo vai se criar. A dica é deixar as peças de molho em uma solução com água sanitária. Qual proporção? Por quanto tempo? Confira um passo-a-passo no vídeo abaixo.

Ainda sobre o tema, descobri há pouco tempo que existe um perigo grande em se hidratar acima do necessário. Isso dilui a quantidade de sódio no organismo e pode causar uma série de problemas. Confira neste texto bem detalhado do Camelbak Training Club. Ele fala para corredores de maratona, mas as dicas servem perfeitamente para cicloturistas e suas longas jornadas.

Uma das primeiras coisas que pensamos quando começamos a nos exercitar é a hidratação. Trazemos nossas garrafas d’água, bebemos água em bebedouros e sabemos que precisamos continuar a nos hidratar quando praticamos exercícios no calor ou quando suamos, mantendo a temperatura do organismo baixa e maximizando nossa performance. Ficamos tão focados em uma questão que acabamos esquecendo outra: a hidratação acima do necessário (hiponatremia), que realmente acontece e precisa ser encarada com seriedade. A hiponatremia está crescendo por conta do aumento da popularidade dos eventos esportivos de resistência. Vamos começar, então, com os sinais e sintomas causados por uma ingestão excessiva de líquidos.

Sinais e Sintomas:

Náusea
Vômitos
Dor de cabeça
Tonturas
Espasmos musculares
Desorientação / Confusão
Perda da coordenação
Fadiga
Perda de apetite
Fraqueza muscular
Exaustão física
Convulsões
Formigamento
Coma
Parada cardíaca ou respiratória

Estrago que o sol e o excesso de água causaram em mim em uma viagem de 2015. Foram dois dias de cama para ficar bom.

Causa:
Sob o ponto de vista científico, a hiponatremia é uma condição que ocorre quando o nível do sódio no sangue está abaixo do normal. Sua causa mais comum é a ingestão excessiva de água durante a prática de esportes de resistência, quando o consumo de água ultrapassa a capacidade do organismo de eliminá-la. Para as pessoas que têm um “suor salgado”, a hiponatremia também pode ser causada por uma grande perda de sódio através da transpiração. Beber uma quantidade excessiva de água ou perder uma grande quantidade de sódio no suor provoca a diluição da concentração de sódio circulando no organismo, fazendo com que o nível da água no organismo aumente e inche. O inchaço é o que pode causar uma série de problemas médicos.

Quem Está Exposto ao Risco?
Atletas de atividades de resistência precisam dar uma atenção especial à hiponatremia, especialmente aqueles com pouca experiência, cujo ritmo é mais lento e acabam fazendo as provas em mais tempo. Provas mais longas causam um maior consumo de água e maior perda de sódio, aumentando os riscos da hiponatremia.

Como Evitar a Hiponatremia:
É importante destacar que beber água é muito importante, porém chega um ponto em que se pode estar causando mais prejuízo do que benefícios. Um teste simples é: continue com seus exercícios cotidianos e se pese antes e depois da atividade. Se você terminou o exercício com um peso maior do que começou, pode-se concluir que está consumindo mais água do que necessário e potencialmente se colocando em risco. Na Maratona de Boston de 2002, por exemplo, dentre os corredores que tiveram hiponatremia, 73% ganharam peso durante a maratona. Se começar a sentir alguns dos sinais e sintomas da hiponatremia, tente urinar para que a taxa de água no seu organismo volte ao normal. Nesse ponto, uma bebida rica em eletrólitos não irá ajudar, pois a quantidade de sódio nessas bebidas esportivas é relativamente baixa comparada ao volume líquido, então será contra-produtivo.

Conhecer os sinais, sintomas e os riscos associados à hiponatremia é o primeiro passo para a melhoria na segurança em maratonas.

 

Review: Acampamento em rede

Salve, salve!

É praticamente impossível conhecer um brasileiro que nunca tenha deitado em uma rede. Esta invenção indígena está presente em todos os cantos do país, independentemente da origem de seus colonizadores. Mas e passar uma noite na rede, em meio à natureza?Pouquíssimos já tiveram esta experiência.

Que é possível nós já sabíamos, graças ao ótimo podcast que fizemos com o Palmieri, fabricante das redes Kampa. Mas faltava ainda passar uma noite efetivamente acampado em rede. E eu tive esta oportunidade há pouco, acompanhando meu filho em um evento escoteiro. Confira abaixo a avaliação desta experiência, e deixe o seu comentário!

RELATO: a natureza como escola – parte final

Esta é a quarta e última parte do relato da minha experiência no programa de Fundamentos da Educação ao Ar Livre (Feal), da Outward Bound Brasil (OBB), que participei em agosto de 2017. Confira a primeira, a segunda e a terceira partes.

Acordamos no nono dia sabendo que não haveria deslocamento. Tivemos duas ou três atividades logo pela manhã e fomos liberados para o banho no rio. Aí a “rádio corredor” já cantou a letra de que teríamos a experiência do solo. Mas o que era isso?

Fotos: Fábio almeida e João Teodósio

 

Basicamente, teríamos momentos para refletirmos sobre os aprendizados do Feal e, de alguma forma, conectá-los a nossas vidas. Para isso, iríamos nos afastar do grupo e buscar algum local interessante para o pernoite. Havia regras bem claras sobre o que poderia ou não ser levado.

Pois é. Não teríamos barraca, iriamos “bivacar” nesta noite. Esta é uma experiência que há tempos eu tinha vontade de ter, mas sempre faltou coragem. Naquele momento, no entanto, eu já estava muito a vontade na natureza. Nem mesmo as várias fezes de onça que vimos ao longo dos dias anteriores me preocupavam. Tinha a convicção que elas evitariam qualquer encontro.

Sem muita dificuldade, encontrei um morro para chamar de meu. Um degrau de pedra seria minha casa nas próximas horas. Como cheguei no fim da tarde, tratei de montar o abrigo rapidamente, para aproveitar a luz natural. Para isso, prendi a minha tarp em um arbusto, de um lado, e no bastão de caminhada, do outro.

Parece simples, mas não é muito, não. A parte de esticar a tarp envolveu enrolar as cordinhas em pedras pesadas, encher a mochila de pedras e amarrar a cordinha em raízes. Apesar da apreensão de fazer algo tão importante pela primeira vez, achei bastante divertido.

 

Montei o modelo inferior esquerdo, que permite observar as estrelas

 

A noite me pegou neste misto de preocupação e satisfação. Um pouco cansado, e sem muito mais o que fazer, peguei no sono logo. Acho que não era nem 19h.

Acordei no meio da noite. O vento tinha acalmado e as nuvens, sumido. Acima de mim, um maravilhoso céu estrelado. Ambiente perfeito para o que seria a materialização desta experiência: escrever uma carta para mim mesmo.

E ela começou com “Fabiolândia, agosto de 2017”. Mandei vários recados para este cara. Sem pressa alguma, fui analisando sucessos e fracassos da minha vida, lembrando de quem está comigo na batalha e refletindo sobre meus anseios.

Pra quem não gosta de escrever a mão, até que as três páginas foram preenchidas com facilidade. Processo concluído, peguei no sono novamente sem grande dificuldade.

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O décimo dia amanheceu e pouco tempo depois ouvi o longo apito que indicava a hora de voltarmos para o acampamento. A carta foi entregue aos instrutores e nos será enviada pelo correio, em algum momento próximo.

Com a turma menos falante, comemos um belo café da manhã, desmontamos tudo e partimos para o deslocamento do dia. Iriamos caminhar bastante, com uma navegação relativamente simples.

Porém, dois problemas atrasaram o dia. Primeiro, chegamos a uma longa área alagada, que exigiu vários “scouts” para encontrarmos uma rota alternativa. Mais pra frente, com pressa, erramos a navegação. Isso nos custou uma hora de iluminação natural em um dia bastante nublado. Com a chuva querendo se instalar, acabamos montando acampamento bem antes do objetivo do dia.

O local escolhido não era o ideal. Cheio de pequenas árvores e longe da água. No entanto, não demos muita bola. Com a divisão da turma em equipes, conseguimos fazer a janta com agilidade e nos liberarmos para descansar para o dia seguinte, que teria bastante caminhada.

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Partimos cedo para o 11° dia, que teria, além da caminhada “normal”, a subida ao Pico Santo Agostinho, ou do Garrafão, que fica a 2.359 metros sobre o nível do mar. Saímos do acampamento com chuva e fomos caminhando com a navegação bem clara em nossas cabeças. Sem maiores dificuldades, chegamos rapidamente à parte baixa, que não pertence ao parque e tem várias pequenas fazendas.

Os instrutores nos presentearam com um delicioso queijo parmesão fresco, comprado em uma casa próxima ao começo da subida para o pico. Paramos para um lanche bem calórico e iniciamos a subida.

Eu estava particularmente ansioso com este desafio. Picos me fascinam e assustam na mesma proporção. No começo da subida tratei mais uma vez de subir na frente, encarando a parede inicial com toda a energia que tinha no momento.

Com a chuva se instalando de vez, segui caminhando forte. O grupo foi ficando para trás, com paradas para descansar, arrumar bagagens e afins. Comigo na frente foram o Oliver e o Dan. Conforme íamos ganhando altitude o vento ficava mais forte e a chuva, mais constante. Percebemos que já não era uma boa pararmos para esperar o grupo. Com o corpo molhado, era parar e começar a tremer.

 

Subimos então direto ao pico, chegando lá sob forte chuva. A temperatura estava pouco acima de zero e tratamos de montar um abrigo da chuva e colher água enquanto esperávamos os demais. Em aproximadamente 20 minutos eles começaram a aparecer. Percebemos, no entanto, que havíamos parado no lugar o errado. O ponto de acampamento era cerca de 200 metros à frente.

Rapidamente nos mudamos para o local correto e iniciamos uma linha de produção. Uma grande tenda foi armada e sob ela as barracas eram montadas secas. Com as quatro armadas, corremos para colocarmos roupas quentes e secas.

Na natureza nada se perde.

E aí surgiu um problema para mim. Com a calça molhada do dia anterior, tinha caminhado neste dia com a segunda calça. E isso era tudo que eu tinha de calças. Até tentei usar a segunda pele com uma bermuda por cima. Mas o frio e a umidade estavam demais. Entrei na barraca para não mais sair neste dia.

A equipe soube compreender e me levaram a janta. Perdi, no entanto, a importante conversa sobre o espírito de equipena subida. Soube que algumas roupas sujas foram lavadas e eu também tinha umas peças. rsrsrs.

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Sem chuva nem vento. O 12° dia amanheceu tranquilo. O frio havia diminuído e eu consegui sair da barraca. Fizemos o café da manhã e a primeira aula do dia foi bem no alto, com a vista para todo o vale do Garrafão, 700 metros abaixo. Mais uma vez, não foi fácil manter a atenção só na exposição. E olha que o assunto era bem interessante: como foi construído o conceito “Não Deixe Rastros”, ou “Leave No Trace”.

E, quando achávamos que o bivaque e a subida sob chuva e frio tinham sido os grandes desafios do Feal, soubemos que havia mais um. E dos grandes. Os instrutores iriam se afastar e grupo deveria se autogerir até o dia seguinte. Isso incluiria navegação, definição de local de acampamento, alimentação e tudo mais, até nos encontrarmos com a van e os instrutores novamente.

Na bastasse isso, uma nuvem chegou, reduzindo a visibilidade a 10 ou 15 metros. Assim, partimos bastante apreensivos com a navegação. As referências visíveis eram poucas e muito parecidas entre si. Pouco tempo depois passamos reto por um ponto onde deveríamos virar à direita.

Mal dá pra ver, mas os pelinhos do dedo estavam congelados

Este erro banal custou várias idas e vindas do grupo em meio a um cenário cinza, frio e com chuva intermitente. Com a moral ameaçando cair, tratamos de manter a objetividade e entender de uma vez onde estávamos no mapa. Após quase duas horas de idas e vindas, reencontramos o caminho e fomos descendo rapidamente. Quando finalmente saímos de dentro da nuvem a sensação foi de alívio geral.

Chegamos no fim da tarde ao “Curralzinho”, que tinha sido nosso local de acampamento na terceira noite do Feal. Fizemos quase uma festa por estarmos em um lugar seguro, sem chuva e pela pizza que jantaríamos naquela noite. Deu bastante orgulho do grupo.

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Para o 13° dia tratei de me candidatar à liderança pela segunda vez. Já imaginava que seria um dia descomplicado para esta função. Bastava cuidar da navegação, que era um tanto quanto simples, e manter um bom ritmo de caminhada, pois ainda estávamos a 14 quilômetros do ponto de resgate.

E, mais uma vez, deu pra perceber o amadurecimento do grupo. Fomos caminhando em um astral leve. Soubemos alternar momentos de contemplação com piadas e músicas. Não nos perdemos em momento algum e iniciamos a grande descida até a van. Foram mais de 10 quilômetros perdendo altitude e utilizando tudo que os joelhos tinham a oferecer.

Sem maiores ocorrências, chegamos ao ponto de encontro com apenas 2:30 horas de atraso. Digo apenas porque a névoa do dia anterior tinha nos levado a acampar bem antes do que o ideal, e este último dia de expedição tinha ficado muito grande.

Hora de todos se abraçarem e se parabenizarem pelo sucesso no Feal. Curiosamente, achei esta festa menor que a da véspera. Acredito que sabíamos que o maior desafio desta etapa autônoma tinha sido mesmo a navegação dentro da nuvem.

A chegada da van. Até o camarada do do banco ficou feliz.

Em pouco tempo a van chegou e partimos de volta a Campos do Jordão. Estávamos tão cheirosos que a tentativa de ligar o ar condicionado foi abortada rapidamente. Era impossível fecharmos as janelas.

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Após um banho de chuveiro e uma estranha noite em uma cama, na base da OBB, acordei para o 14° e último dia. Nossa missão era pintarmos um grande muro da base. Para isso faríamos uma mistura de argila com cola branca, algo que eu nunca tinha ouvido falar.

Após umas duas horas, e um tanto sujos de novo, encerramos nossa derradeira missão. Fizemos uma bela macarronada, compramos algumas cervejas no mercado próximo e pudemos, enfim, relaxar.

No meio da tarde caminhei até o portal da cidade para encontrar meu pai. Havia uma pequena multidão por lá. Todos saiam correndo dos carros e ônibus, tiravam selfies e voltavam para suas capsulas. Estranho. Ainda bem que meu pai chegou logo e tomamos o rumo de Taubaté.

Do papo sempre bom com ele, comecei um grande momento de reflexão sobre tudo que tinha passado nas últimas semanas. Caminhada e acampamento na natureza são coisas muito boas. Mas o Feal tinha sido muito mais que isso. Pude fazer uma grande viagem dentro de mim mesmo. Me questionei e me afirmei em vários momentos. Presenciei momentos péssimos e fantásticos de outras pessoas. Fiz fortes elos com vários dos que participaram. E, como sempre acontece com coisas boas, me pergunto quando será a próxima.

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RELATO: Shimano Fest 2017

Salve, salve!

Ir à Shimano Fest era um sonho antigo, desde os tempos em que ela era realizada em Mogi das Cruzes. Neste ano, com a proximidade dela com a Brasil Cycle Fair, eu e a Lê nos programamos para vir a São Paulo e visitar as duas feiras. Nosso objetivo principal é a busca de parcerias e patrocínio para o Pedal Nativo e nosso projeto Transpirineus 2018. E, neste sentido, fizemos bons contatos com importantes empresas do setor. É algo a ser trabalhado nos próximos meses.

Mas o objetivo deste post é outro. Vou mostrar o que mais nos chamou a atenção na Shimano Fest 2017. A primeira coisa que gostamos foi a diversidade de marcas expostas. Sem pressa, fomos conhecer o que Caloi/GT/Cannondale, Soul/BMC, Sense, Oggi, Audax, Focus, e outras, tinham a mostrar.

MTB elétrica no estande da Shimano

E as bikes com assistência elétrica estavam em vários estandes. Aonde não havia era porque o protótipo não tinha ficado pronto. Mas nada de urbana, o que mais vimos foram mountain bikes mesmo. A posição do motor é central, junto ao pé de vela, e não no cubo dianteiro ou traseiro. A explicação é que assim o peso do conjunto fica mais centralizado, facilitando uma pedalada mais esportiva.

Corratec elétrica que experimentamos no exigente circuito do evento: bem divertida!

Outra tendência que percebemos é a chegada das bikes Gravel. Pra quem não conhece, é uma espécie de bicicleta de estrada capaz de rodar em terrenos mais acidentados. Para isso, ela tem um pneu mais largo e a posição do ciclista não é tão projetada para a frente. Está sendo vista como uma opção para quem não tem os melhores asfaltos para pedalar, mas não quer perder tanto desempenho quanto em uma mountain bike.

Lê dando uma volta com o protótipo de Gravel da Soul

Mas e o cicloturismo? Apesar de estar presente em pequeno número, havia algumas coisas interessantes. No pequeno estande da Ortlieb chamava a atenção uma bela Trek da década de 1990 com o quadro de carbono. Ela estava equipada com bolsas de selim e guidão para bikepacking. A bolsa de quadro, por variar muito de tamanho entre as bicicletas, não estava sendo exposta.

Já tinha ouvido falar desta bike, feita em 1993 com componentes de fibra de carbono no seu quadro. Mas ao vivo foi a primeira vez <3

A mineira NorthPak estava presente, com seus conjuntos para bikepaking e acessórios feitos em cordura. Ela era apresentada pelo Jander Avila, que não conhecíamos. Além de ajudar no desenvolvimento da marca, ele promove passeios de bicicleta. Outro operador presente era o Pirenaica, que promove viagens com bicicletas de estrada na Europa.

Batendo um papo com o Guilherme Cavallari e o Kiko, da Deuter/Sea to Summit/Camelback.

O Guilherme Cavallari também estava lá, promovendo seus guias de cicloturismo e bikepacking. É sempre uma boa referência pra quem busca informação de qualidade. Também não se nega a dar dicas específicas. Falando em “celebridades”, pudemos conhecer o Edu Capivara, do excelente Pedaleria, e o Brou Bruto Drews, uma figura. Trocamos uma ideia ainda com o Eduardo Gasperini, do programa Vamos Pedalar, da TV Cultura.

Conhecendo ao vivo aquele que está sempre no nosso Youtube

E da Shimano Fest foi isso. Em mais alguns dias começa a Brasil Cycle Fair, e nós estaremos lá também. Até!