Pedalando e acampando nos cânions

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Viagens de bicicleta pelos Estados Unidos não são muito conhecidas aqui no Brasil. Quando se fala em roteiros internacionais, os destinos mais buscados são os Andes e o Uruguai, na América do Sul, e o Caminho de Santiago e a Via Claudia Augusta, na Europa. Milhares de brasileiros fazem estes roteiros anualmente.

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Mas o país que inventou o Mountain Bike e realiza uma das provas de ciclismo mais legais do mundo, a Race Across America, tem ótimos circuitos para cicloturismo. Um deles explora o interior do Parque Nacional de Canionlands, no Estado de Utah. Com 156 quilômetros, sendo 140 de estrada de terra, a trilha de White Rim percorre uma região seca, de belas paisagens ocres.

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Este roteiro foi percorrido pelo pessoal do site Pedaling Nowhere de forma autônoma. Durante três dias eles pedalaram e acamparam com liberdade para explorar os cenários da região. Segundo o blog, o acampamento na borda do cânion em uma noite estrelada é incrível. O preço desta opção autônoma é a necessidade de levar sua água para três dias, já que o único rio do trajeto não tem água potável.

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Para os menos aventureiros, outras formas mais comuns de percorrer a trilha são de jipe e em grupos de ciclistas com carros de apoio. Qualquer que seja a modalidade do passeio, vale dar uma conferida nas dicas que o Pedaling Nowhere preparou. Lá eles falam sobre condicionamento exigido, equipamentos e as autorizações necessárias.

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Se empolgou e vai lá? Conte pra gente como foi!

Informações para iniciar no cicloturismo

Informações para iniciar no cicloturismo

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Salve, salve!

O caminho das pedras para quem quer começar a viajar de bicicleta não é tão simples. Os gostos pessoais e os diversos tipos de roteiros e orçamentos tornam cada escolha muito individual, sem resposta fácil. Por outro lado, há muita informação equivocada, que é repassada por “especialistas” viajantes ou vendedores com pouca ou nenhuma experiência no assunto. Assim, o caminho percorrido por muitos cicloturistas acaba sendo caro e demorado, avançando na base da tentativa e erro.

Pesquisando bem, no entanto, se pode encontrar informação de qualidade, transmitida por especialistas que, além de grande experiência, têm consciência de que não há verdades absolutas neste assunto. Neste caminho, o site do Clube de Cicloturismo do Brasil oferece um extenso manual de preparação para ciclistas de primeira viagem.

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No mesmo caminho, o professor universitário e ciclistas André Schetino lançou, e disponibilizou gratuitamente na internet, o seu “Guia para Viajar de Bicicleta”, que já está em seu segundo volume.

São leituras extensas, mas que, interpretadas corretamente, podem facilitar e baratear bastante as primeiras viagens de ciclistas acostumados apenas a pequenos passeios. Assim, melhoram as chances de pegar gosto pela brincadeira e desbravar cada vez caminhos mais inspiradores!

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Como montar uma bicicleta para chamar de sua

Qual é a melhor bicicleta para o cicloturismo? A melhor resposta à esta pergunta, a despeito da frustração de quem à formula, é: depende. E não de poucas variáveis. Vai do orçamento do viajante ao tipo de terreno em que será feita a viagem, passando pela experiência do ciclista.  Também tem que se considerar gostos e vontades. Mas dá pra dar uma sugestão, baseado, principalmente, em minhas experiências e gostos: procure usar uma bicicleta simples, de equipamentos confiáveis e adequada ao seu tamanho. Opinião parecida tem meu parceiro de pedal Waldson, o Antigão, que chegou a montar uma sugestão completa de bicicleta, peça por peça. E o resultado final, garanto, é uma bicicleta confiável e confortável, boa para quem quer pedalar e se preocupar apenas com roteiros e paisagens.

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Para ver a lista completa de peças, com preços, vale uma visita ao blog do Antigão. Se alguém montar uma como a sugerida, deixe comentário abaixo dizendo como foi!

Como o yoga pode salvar o prazer de pedalar

Você já está há um tempo fazendo pequenas cicloviagens e pegando gosto pelo negócio. Então se empolga e parte para uma viagem de 500 km, entre Colonia del Sacramento, no Uruguai, e Chuí, no Brasil. Porém, durante o trajeto seus joelhos começam a doer e, para concluir a aventura, você é obrigado a tomar remédios como o Ibuprofeno.

Para evitar novas dores, afinal outras viagens virão, você inicia um treinamento com musculação. O objetivo é fortalecer as principais partes do corpo envolvidas em longas pedaladas. E após seis meses da experiência no Sul, parte para o Caminho de Santiago. Lá, porém, não apenas os joelhos doem. As costas também incomodam bastante e as pernas passam a ter caibras.

Na volta ao Brasil, começa a praticar uma modalidade de yoga, o Iyengar, e aos poucos os incômodos físicos vão desaparecendo das longas viagens.

foto: annamariechen.com
foto: annamariechen.com

Este é um resumo da experiência da cicloturista Camila Guido. “Poucos meses depois [do início da prática de Iyengar Yoga] abandonei a musculação. Após um ano, viajando pela Itália e pela França e escalando uns três ‘paredões’ por dia, não senti rigorosamente nada”, afirma Camila.

“Por dar muita ênfase ao alinhamento durante a execução das posturas, a prática regular de Iyengar Yoga fez com que eu passasse a tomar mais cuidado com o meu alinhamento ao pedalar. Fiquei mais atenta ao meu corpo a perceber onde eu estava mais ou menos tensa, com mais ou menos dor, o que eu estava fazendo de errado, onde eu podia relaxar etc. Assim, a rigidez nos ombros e dores na lombar, no pescoço, na região da coluna cervical também diminuíram.” completa.

Camila gostou tanto da prática que em 2012 iniciou o Curso de Formação de Professores em Iyengar Yoga. E esta prática tão específica para o praticante de cicloviagens será o tema de um mini-curso que acontece durante o feriado de Corpus Christi. Idealizado por Camila, Pepê Esteves e Fábio Faleiros, o curso integra a programação do 12° Encontro Nacional de Cicloturismo e Aventura, que acontece na região de Campos do Jordão, em São Paulo.

A idéia principal da palestra, segundo Camila, apresentar o assunto e aguçar a curiosidade das pessoas. Entre os tópicos abordados, estarão:

– Demonstração da necessidade, para cicloturistas e ciclistas em geral, de alongamento e fortalecimento das cadeias musculares envolvidas na biomecânica do ciclismo, da melhora da capacidade respiratória e da manutenção de uma postura adequada durante a pedalada;

– Breve introdução ao yoga e ao método Iyengar Yoga e a sua utilização como ferramenta para atingir os pontos problemáticos;

– Exposição de experiências pessoais que fizeram perceber a forte relação entre a prática de yoga e a melhora da qualidade da pedalada;

– Sugestão de uma série de posturas, conhecidas como asanas, de fácil execução, especialmente elaborada para cicloturistas a partir do enfoque anatômico das estruturas corporais mais solicitadas ao longo de um dia de viagem e para pessoas que não necessariamente tiveram contato anterior com o yoga;

– Explicação sobre a importância da respiração e sugestão da prática de exercícios respiratórios, conhecidos como pranayamas, simples, relaxantes e restauradores.

Para saber mais sobre o mini-curso e a programação do encontro, acesse a página do evento no site do Clube de Cicloturismo do Brasil.

Na opinião deste que vos bloga, o yoga pode lhe ajudar também a curtir mais o ritmo da viagem, se desligando de suas preocupações e ansiedades. Assim, você fica mais aberto para interagir com o ambiente as as pessoas que encontra pelo caminho. Sem dúvida, recomendo a prática a todos que querem aproveitar mais de suas aventuras.