RELATO: Nas manhãs do sul do mundo

Salve, salve!

Uma coisa que o meu parceiro Rodrigo Herd não pode dizer é que não aproveita seus dias livres. Após fazer um retorno à terra de seus antepassados em julho, como ele relatou aqui, ele partiu de Floripa agora em setembro, em direção ao Sul de Santa Catarina, visitando as belas paisagens rurais das cidades cortadas pela SC-108. Segue abaixo seu relato de viagem.

“Vou fugir desta metrópole à libertação e seguir algum caminho que me leve ao sul…”

Como na canção do Grupo Engenho, resolvi aproveitar os dias ensolarados que me restavam de férias, após uma semana de chuva ininterrupta, para seguir um caminho que me levasse ao sul de Santa Catarina. Mais especificamente, o plano era sair de Floripa e ir até Nova Veneza pedalando na maior parte do tempo pela SC-108, que corta o estado de norte a sul pelo interior, ligando a região de Joinville à divisa com o RS, em Praia Grande.

A primeira etapa foi subir até Angelina, para alcançar a referida estrada. Os 40 km iniciais até São Pedro de Alcântara são tranquilos, apesar das subidas, pois é tudo asfaltado ou pavimentado. Mas a medida em que se continua para Angelina, os aclives vão ficando cada vez mais duros e, somando-se às condições da estrada de chão, os quilômetros acumulados vão pesando nas pernas. Nada que não se compense com as belas paisagens e construções históricas pelo caminho, que é muito usado por peregrinos católicos com destino à Igreja de Nossa senhora da Imaculada Conceição de Angelina.

O segundo dia começou com 13 km de muitas subidas até Rancho Queimado, além de um calor considerável, mas num asfalto lisinho e quase sem nenhum movimento automotor. Após uma parada para almoço e descanso, segui, já protegido do sol pelas sombras da face oeste da estrada, os 35 km até Anitápolis. Esse trecho é dos mais divertidos pelos quais já tive o prazer de pedalar. Há duas subidas fortes, uma no início, outra já bem perto do fim, mas o que separa ambas são mais de 10 km de deliciosas descidas asfaltadas.

No terceiro dia, a estrada segue descendo, primeiro num trecho não pavimentado de 23 km até Santa Rosa de Lima, onde se destacam os penhascos e as vistas privilegiadas do vale do Rio Braço do Norte. Depois volta o asfalto, num caminho em que prevalecem as descidas e trechos planos, passando por Rio Fortuna até chegar à Braço do Norte. Os últimos 10 km antes da chegada foram um pouco desagradáveis: menos pela chuva que resolveu cair, e mais pelo maior tráfego na região, aliado à falta de acostamento do trecho e à impaciência de alguns poucos motoristas, que decerto gostariam que eu me desintegrasse para sair dos seus caminhos.

O quarto dia foi, sem dúvida, o menos “aprazível”. Ao optar por permanecer seguindo a SC-108, pelo trajeto mais direto até Urussanga, me vi pedalando junto a um constante fluxo de veículos, especialmente caminhões. O acostamento pedalável, na maior parte do trecho, evita maiores riscos ou tensões, mas não há grandes paisagens ou locais tranquilos para contemplação. O asfalto e a falta de sombreamento também contribuíram bastante pra aumentar a sensação de calor. Mas foi um dia de encontros: primeiro, cruzei com um ciclista local na saída de Braço do Norte e fomos pedalando juntos trocando amenidades até São Ludgero. Depois, encontrei um amigo da época da escola para almoçar em Orleans. E ao fim dos 40 km do dia, ao chegar em Urussanga, um encontro merecido com uma(s) caneca(s) de chopp artesanal da região, no pub anexo ao hotel.

No quinto e último dia da viagem, eu desisti da SC-108 e resolvi ir até Siderópolis pela não pavimentada SC-445. As generosas sombras e belas vistas fizeram valer a pena o esforço a mais nas subidas (e descidas!) pelos esburacados caminhos do interior. E ao passar pela praça central de Siderópolis uma recompensa extra: um concurso e mostra de cachaças artesanais, com direito à degustação, claro! Na hora de continuar em direção à Nova Veneza, uma distração (ou a “marvada”) me fez perder o acesso e descer quase 1 km no sentido errado. Corrigido o rumo, segui pelo belo caminho, ora asfaltado, ora de chão, que leva ao charmoso centro de Nova Veneza. Mais alguns poucos quilômetros e cheguei ao destino final, a Pousada Di Venezia, onde Alícia e Manuel (minha esposa e filho) me encontrariam. :DDD

Tracklogs:
Dia 1:

Dia 2:

Dia 3:

Dia 4:

Dia 5:

Hospedagens:
Angelina : blumengartenhaus.com.br 48 3274-1180
Anitápoils: Pousada Weiss (48) 3256-0109
Braço do Norte: costanobrehotel.com.br (48) 3658-3121
Urussanga: Urussanga Palace Hotel (48) 3465-4231
Nova Veneza: pousadadivenezia.com.br (48) 98479-3131

Review: equipamentos de bikepacking

Salve, salve!

Frame bag, seadle bag e handlebar bag. Os nomes em inglês deixam clara a origem norte-americana dos equipamentos que compõem um kit de bikepacking. Esta modalidade de viagem, com a bagagem “amarrada” à bicicleta, é bastante antiga, mas voltou à moda nos últimos anos após cair nas graças dos ciclistas aventureiros da California. A justificativa para o uso destas bolsas, que levam bem menos bagagem que um conjunto de alforges, é que elas preservam o prazer de pedalar em uma bicicleta mais leve. Assim é possível percorrer trilhas estreitas, ignorar pequenos buracos e até arriscar alguns pulos durante uma viagem.

Cicloturista na Austrália, há mais de 100 anos

A fama do bikepacking vem crescendo e hoje temos fabricantes nacionais produzindo bolsa de quadro, bolsa de selim e bolsa de guidão específicos para bikepacking (este termo está um pouco mais complicado para traduzir). A Aresta, aqui de Florianópolis, é a pioneira na fabricação destes equipamentos no Brasil e foi a empresa que escolhi para produzir o meu kit personalizado. Afinal, eu estava curioso para testar esta modalidade de viagem e ver se não era apenas uma modinha passageira. Para isso, encomendei uma bolsa de selim, que eles chamam de Marimbondo, uma frame bag e uma mochila, item que é abominado pela maioria dos cicloturistas mas que ajuda a aumentar a capacidade de carga no bikepacking. A bolsa de guidão eu desenvolvi em casa, a partir de uma peça que estava sem uso por aqui.

Confira no vídeo abaixo a explicação detalhada de cada componente do kit e as minhas impressões de uso após duas viagens.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=rGCu1hnTD9o?rel=0&w=560&h=315]

Relato: Caminho dos antepassados

Salve, salve!

Neste mês de julho o grande parceiro de pedaladas Rodrigo Herd fez uma viagem bem bacana pelo interior de SC. A meu pedido, ele escreveu um relato para publicação aqui no Pedal Nativo. Espero que gostem!

 

Há 100 anos, em 1918, João Hoffmann (meu bisavô materno) com sua família (entre eles meu avô Waldemar, então com 12 anos) chegaram à Rio do Sul – SC. Era o fim de uma saga tão comum aos imigrantes alemães e seus descendentes estabelecidos em Santa Catarina desde metade do séc. XIX. A busca por terras melhores para sustentar a família havia começado alguns anos antes quando deixaram a região das colônias próximas à Capital. Primeiro subindo o caminho das tropas (como era conhecida a estrada que levava à Lages) até a localidade de Barracão (hoje Alfredo Wagner). Depois, usando a estrada aberta em 1912, seguiram pela margem do Rio Itajaí do Sul até a localidade de Ilha Grande, para anos depois, finalmente se fixarem em Rio do Sul. Para comemorar o centenário desta história, decidi fazer uma cicloviagem pelos caminhos percorridos pela minha família materna.

Saí de Rancho Queimado numa sexta-feira de sol e calor atípico para mês de julho. Os primeiros 15km incluem um divertido zigue-zague no trecho asfaltado, uma bela descida em estrada de chão e trechos com calçamento em Rio Bonito e ao chegar em Taquaras. Destino turístico de final de semana, a localidade mantém preservada muitas de suas construções históricas, como a casa de campo do ex-governador Hercílio Luz e as igrejas católica e luterana. Esperava almoçar num restaurante local, mas este só funciona aos sábados, domingos e feriados, e acabei dando com a “cara na porta”. Teria que me contentar então com a pouca comida seca que trazia comigo. De Taquaras, uma subida de 4km, suave e constante, me levou até à BR282, na altura do mirante da Boa Vista. Desci pelo acostamento da BR por alguns poucos quilômetros até sair à esquerda rumo aos distritos de São Leonardo e Picadas. A partir dali eu percorreria a margem esquerda do Rio Itajaí do Sul, cujo leito eu acompanharia até chegar à Rio do Sul. Nesse trecho prevalecem as paisagens típicas rurais, pequenas plantações e pastagens na beira do rio. Fiquei sem água logo após terminar a descida, mas apesar de não haver pontos de apoio nesse trecho, logo encontrei uma casa onde pude pedir um pouco. Reabastecido de água gelada, segui no sobe e desce característico dos vales até reencontrar a BR282 poucos quilômetros antes do trevo de Alfredo Wagner e meu destino final do dia: Hotel, Lanchonete e Churrascaria Kretzer.

A antiga estrada que possibilitou a chegada dos meus antepassados ao Alto Vale do Itajaí seguia pela margem direita do rio, onde hoje é a rodovia SC350. Como pedalar na rodovia não é muito agradável, o caminho que tracei até Ituporanga margeava o outro lado do Itajaí do Sul por estradas vicinais e rurais sempre que possível. Logo após a saída de Alfredo Wagner, há um pequeno trecho em que não há alternativa até Catuíra, onde uma estreita ponte pênsil me levou de volta à tranquilidade da margem esquerda. A partir daí, as paisagens rurais se intercalam com trechos de mata e o caminho vai ficando mais duro. Uma montanha-russa com pequenas subidas íngremes e estradas com muito cascalho e pedras soltas esgotaram rapidamente minhas energias. Na altura da localidade de Jararaca, pra evitar um trecho em aclive e sem acostamento pela SC, desviei morro acima sentido Chapadão do Lageado, aumentando a distância, a subida acumulada e o cansaço das minhas pernas. Nesse momento, ficou claro que eu havia cometido um vacilo grave. Sabendo da falta de pontos de apoio, levei comida seca comigo, mas claramente era insuficiente para repor minhas energias. Fica a dica: Mandolate, pipoca Bilu, amendoim doce e banana passa não tem a “sustança” necessária pra um dia inteiro de pedal. Como resultado passei a me arrastar morro acima e, ao invés de curtir o caminho, só conseguia pensar no quanto de sofrimento ainda me faltava pela frente. Apesar de tudo, viajar de bike sempre revela boas e novas experiências. Ao passar em frente a uma propriedade, um agricultor me pediu pra “tocar” umas vacas e bezerros, que haviam se perdido, pra direção certa. Descobri mais uma utilidade da bicicleta: o pastoreio. Dado o meu estado de esgotamento físico, ao cruzar com a estrada asfaltada de acesso à Chapadão do Lageado, retornei por ela até a rodovia pra encurtar o caminho e chegar logo à Ituporanga.

 

O terceiro dia foi tranquilo, cerca de 30 km até Rio do Sul. Me mantendo à esquerda do rio pra fugir da SC, o sobe e desce é bem mais sossegado que o dia anterior, e de Aurora em diante é basicamente plano. A paisagem também muda, com mais áreas urbanizadas intercaladas com pequenas propriedades rurais. Havia combinado de almoçar na casa da minha madrinha e cheguei bem na hora que serviram à mesa. O almoço de domingo reuniu alguns dos descendentes (meus tios, tias e primos) do João Hoffmann que ainda moram em Rio do Sul 100 anos depois. Não poderia haver forma melhor de celebrar minha chegada.

Agora era só voltar.

Com a previsão de chuva para o início da semana, cheguei a cogitar voltar de ônibus, mas as empresas (a Reunidas no caso) fazem tantas exigências para o transporte da bicicleta, que preferi apostar na imprecisão da meteorologia.

Saí de Rio do Sul na segunda antes das 9h. Com 65km pela frente até Vidal Ramos, além da bela serra de Presidente Nereu, não iria cometer o mesmo erro de sábado. Iniciei a pedalada com duas bananas e um café no estômago, mas 15 planos quilômetros depois parei numa padaria em Lontras pra reforçar o estoque calórico. O dono do estabelecimento puxou papo ao ver minha bicicleta e disse que também era ciclista. Contou que organizam todo ano uma prova na estrada que percorreria até Presidente Nereu. São 28 km totalmente asfaltados, quase sem movimento, os 8 primeiros planos, 10 subindo (com os 4 últimos mais inclinados) e os últimos 10 numa deliciosa descida. Cheguei no centro de Nereu 12h30 e tratei logo de parar para almoçar e descansar. O dia que havia amanhecido nublado e encoberto as vistas da serra, agora se mostrava ensolarado e razoavelmente quente.

Se a estrada até Pres. Nereu é uma atração em si, o caminho dali até Vidal Ramos é cheio de paisagens belas, pitorescas e bucólicas, em especial quando se avista o rio Itajaí-Mirim. Já quase chegando em Vidal Ramos, duas construções chamam a atenção. Primeiro a charmosa casa comercial Irmãos Stoltenberg, em estilo enxaimel. E alguns quilômetros à frente, destoando da natureza ao redor, ergue-se uma enorme fábrica de cimento da Votorantim. Dali até a entrada da cidade, onde fica o Acacius Hotel, meu destino do dia, pedalei pelo acostamento da rodovia usada pra escoar a produção da fábrica.

Os menos de 30 km de distância entre Vidal Ramos e Leoberto Leal podiam indicar um dia fácil de pedal, mas como percebi ao longo da pedalada, a sequência de subidas que acumulam mais de 1000m elevação, tornam o caminho bem desgastante. Em compensação, pedalei em meio à tranquilidade da natureza. A impressão é de que não pára de subir nunca, e realmente só pára quando se chega à divisa dos municípios, já na asfaltada rodovia SC281. Uma forte descida leva ao centro de Leoberto Leal. Cheguei a tempo de almoçar no Hotel e Churrascaria JK, onde me hospedei e fui muito bem recebido. Consegui lavar e secar todas as minhas roupas de ciclismo, o que seria primordial pro dia seguinte, quando a previsão de chuva e frio finalmente se concretizaria.

Deixei Leoberto Leal pouco antes das 9h, sob uma fina garoa, para encarar os últimos 57km da minha jornada. Durante os primeiros 16 km, que me levaram ao sopé da Serra dos Tropeiros, a garoa fina apertou, me obrigando a colocar em ação a capa de chuva comprada na Cravil de Vidal Ramos no dia anterior. A estrada de chão, inaugurada em 2012, tem apenas 1750m, mas uma inclinação absurda. Os primeiros 500, 600 metros eu nem tentei pedalar, simplesmente desci e empurrei a bici morro acima. Depois que suaviza um pouco a subida eu voltei pra cima do selim. Ao chegar no “fim” da serra encontrei o caminho que liga à BR282 e à localidade de Mato Francês, já em Rancho Queimado. Mas as subidas continuam por pelo menos uns 6km, mas bem mais leves. Nesse ponto, já acima dos 1000m de altitude, junto com a garoa, o vento gelado se tornou um grande inimigo. Parei para trocar de roupas, e colocar a calça plástica que veio com a capa de chuva, antes de encarar a descida. Isso me ajudou a manter o corpo seco e aquecido apesar do intenso frio. Após a descida, em frente à igreja luterana de Mato Francês, entrei num rancho aberto e aparentemente desocupado para me abrigar, descansar e me alimentar. Desta vez sem vacilação: pão de centeio, linguiça defumada e uma lata de atum ralado. Coloquei a última muda de roupa seca de pedal que ainda me restava para percorrer os 20km finais. Uma pequena subida antes de descer novamente à Taquaras, e de lá segui pelo caminho inverso ao percorrido logo no início da viagem. O último desafio, subir o Morro Chato, fez jus ao nome do local, especialmente com o vento contra, e ajudou a somar os quase 1.800m de subida acumulada no dia. Avistar meu carro estacionado no centro de Rancho Queimado significava o fim dessa incrível viagem por alguns dos caminhos que levaram meus antepassados e tantos outros imigrantes ao interior de Santa Catarina.

Números da viagem: 9 cidades, 6 dias, 297km e 7.325m de subida acumulada.

Registros do Strava:
Dia 1
Dia 2
Dia 3
Dia 4
Dia 5
Dia 6

Podcast: mulher coragem

“Estou atrás da minha zona de desconforto”. Esta frase é da primeira mulher desacompanhada a fazer o trajeto entre o Alaska e Ushuaia de bicicleta. Pelo caminho de Juli Hirata, esta é uma rota com mais de 35 mil quilômetros, com pistas congeladas e desertos escaldantes. Mas Juli é uma pessoa doce, que gosta de sorrir e observar coisas belas.

A Juli ganhou uma caneca, claro

Tivemos esta conversa em um café aqui de Florianópolis, quando ela veio participar de evento da Amobici, ONG que faço parte. Falamos sobre assuntos como a importância de viver o presente, o papel que ela exerce ao motivar outras mulheres e sobre seus planos para o trecho da América do Sul. Isso e muito mais. Só peço paciência do ouvinte com o ruído da cafeteria, porque o conteúdo é de primeira!

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Pra quem ouviu, a história completa do Ukulelê Azul.

Ele foi atirado de um carro, quando pai e filho brigavam, pois pais e filhos brigam.

O pai sentia um imenso orgulho e admiração pelo talento do filho com o ukulele azul. O filho sabendo disso, no auge da discussão, quando palavras não ferem mais, abriu o vidro do carro e atirou o amado instrumento pela janela.

Dias depois, após uma breve chuva, uma ciclista passando pela estrada viu o ukulele. Ela parou para beber agua e comer uma barrinha de cereal e por alguns minutos ficou admirando o instrumento. 

Tão azul, tão bonito.

Ela pegou o objeto e arriscou dedilhar as cordas. Um som bonito saiu e a ciclista sorriu.

Ela então, prendeu o instrumento no alforge e decidiu que tentaria aprender a tocá-lo.

Na mesma noite com a ajuda de um aplicativo no celular ela arriscou as patéticas primas lições. Na “platéia” um garoto ouvia e ria do jeito desajeitado da ciclista.

Eles riram juntos e o garoto pediu para tentar.

Nas mãos pequenas do garoto o ukulele soltou o som bonito de novo.

Na manhã seguinte a ciclista seguiu na estrada sentido sul mas o ukulele ficou no banco na frente da casa do garoto…

Juli Hirata

Gostou deste podcast? Ouça também o da Ada Cordeiro e o do Palmieri, da Kampa.

RELATO: A natureza como escola – parte 3

Esta é a terceira parte do relato da minha experiência no programa de Fundamentos da Educação ao Ar Livre, da Outward Bound Brasil, que participei em agosto de 2017. Se você está chegando agora, confira a primeira e a segunda partes.

A liderança de equipes era um assunto complicado para mim. Tive algumas experiências boas e algumas ruins nesta posição ao longo dos anos, e andava evitando assumir novos encargos. Mas como o espírito do programa da OBB é o crescimento, decidi me candidatar a líder do grupo no quito dia. Eu tinha um assunto pessoal para trabalhar neste dia: a comunicação com os colegas.

Todo o peso da gravata de líder. Fotos: João Teodósio e Fábio Almeida.

E a comunicação já foi fundamental para que, apesar de termos nos atrasado com as primeiras aulas do dia, eu fizesse um acordo com os colegas para mantermos a programação para o banho de rio. Era algo que estávamos precisando. Não só pelo cheiro, mas também para espairecermos os conflitos.

E foi muito bom! Um rio com pequenas quedas e várias piscinas naturais só para nós. Água gelada na medida, para um dia que já estava quente desde cedo.

Bem mais leves, partimos para a caminhada perto do meio-dia. Curta e com bastante descida, a rota do dia foi boa para treinarmos um pouco de navegação. Com a turma caminhando sem muita distração, terminamos o deslocamento às 15:59h, um minuto antes da meta.

Ainda bem, pois esta era noite de pizza! Sim, fizemos pizza em um acampamento selvagem. Uma verdadeira linha de produção foi montada, com parte do grupo preparando a massa, outros cortando os ingredientes e os demais assando tudo em uma Fry-Bake e uma frigideira normal. Foi bastante trabalho, mas elas ficaram deliciosas e em quantidade para empanturrar a todos.

Com palavras gentis dos colegas sobre a minha liderança, terminei o dia aliviado. A comunicação, na base do “o combinado não sai caro”, funcionou muito bem. Percebi que, tomando cuidado com as minhas já conhecidas falhas, dá sim para fazer um trabalho bacana de liderança.

**

Vamos ou ficamos? O dia começou com a dúvida se o reabastecimento chegaria a tempo para fazermos a caminhada prevista. Esta incerteza deu esperança para alguns, que, já cansados dos dias anteriores imaginavam se ao longo do curso teríamos um dia sem deslocamento.

Mas o reabastecimento chegou, a comida foi redistribuída e nós partimos para a caminhada do dia. A perspectiva era de uma rota dura, com bastante subida e um longo trecho sem trilha demarcada no mapa.

Em pouco tempo vencemos o primeiro morro. Uma paradinha na sombra e logo partimos para o segundo. Já sem trilhas no mapa, a navegação do grupo começou sob a responsabilidade do líder Oliver. Aos poucos, no entanto, outros começaram a debater as opções e participar das decisões.

“Brilhante”, foi como o Helder, um dos instrutores, viria a definir a nossa navegação naquele dia. Porém, não bastava apenas definir caminhos. Com as mochilas mais pesadas do que nunca, alguns sentiram dificuldades com o passar dos morros.

O ritmo foi lento e, como começamos tarde, chegamos ao destino com os últimos raios de sol. Neste momento o grupo foi tomado por um mix de emoções. O João corria pelos campos, a Bianca abraçava a todos e o Oliver criava uma força-tarefa para buscar água.

Já no escuro, e com a mediação do Helder, percebemos que já chegamos com água suficiente para o nosso consumo naquela noite. Pôde prevalecer, então, a sensação da conquista. Aliviados, montamos as barracas e fizemos uma “reunião” de 10 pessoas dentro de uma única tenda para 4. Até o Michel, também nosso instrutor, se jogou, contagiado por nossa energia.

Como disse a Patrícia, em uma música criada na hora, foi um “dia lindo pra viver. Aqui na serra do papagaio eu só tenho a agradecer”.

Ainda com tempo bastante aberto, no sétimo dia fizemos uma longa caminhada pela crista de duas serras. Apesar da belíssima vista, foi uma caminhada muito dura, seja pelo sol constante, seja pela longa distância, seja pelas mochilas cheias.

Sem muita filosofia, nos esforçamos em manter o ritmo e cumprirmos o deslocamento do dia. Neste esforço, cometemos duas imprudências: almoçamos expostos ao sol, sem conseguirmos relaxar, e fomos em direção a um grande erro de navegação, que iria nos custar horas para desfazer. Foi um dos poucos momentos em que os instrutores precisaram interferir mais fortemente.

Bom, etapa vencida, fomos para o alto de um pequeno morro para a aula que falava muito sobre tudo que o grupo vinha passando e ainda iria a passar: fundamentos da educação experiencial. Muito bacana entender um pouco do funcionamento do curso que estávamos passando e ter contato com outras ferramentas disponíveis.

Pena para o Helder, que deu a aula, pois estávamos exaustos e, atrás dele um pôr do sol fantástico se exibia lentamente. Montanhas douradas ao longe e um balé de andorinhas. Não foi fácil para ele competir.

**

Na manhã do oitavo dia um pico de tensão eclodiu no grupo. Um dos integrantes não saiu da barraca para ajudar na preparação do café. Assim como não tinha participado dos trabalhos da janta no dia anterior. E como vinha se desviando de lavar a louça em todas as refeições.

Vários foram à barraca conversar com ele. Tentar ouvir suas razões e argumentar sobre a importância do trabalho de cada um para o grupo. Mas não houve mudança. Outro, já não tão paciente, foi lá “resolver” a questão. Provocar para ser respondido. Mas nem assim.

Aos poucos o grupo foi deixando este caso de lado e seguindo com a arrumação para o café da manhã. Aos poucos o episódio foi sendo processado. Mais tarde, ficou assim registrado no diário do grupo.

“Hoje abri o saco de dormir de um colega. Ali dentro, um corpo. O frágil corpo de um homem. Qual o próximo passo? Me contive, retrocedi. Vamos buscar outro caminho. Em grupo. Andar junto. Viver junto. É um compromisso que assumimos em 11 pessoas. Nenhum problema é só individual.”

Bom, a caminhada foi mais uma vez dura. Começamos com uma forte subida, sem trilha demarcada. Mas pelo menos eu estava descansado. Na noite anterior caí na barraca logo após cumprir minhas obrigações com o grupo, dormindo uns 40 minutos mais cedo que o restante dos colegas.

Com esta disposição para caminhar, e confiança na minha navegação, fui seguindo o dia à frente do grupo. Era eles chegarem e eu já partia para o próximo trecho. Apesar de energizado, eu não queria muito papo. O caminhar contemplativo estava muito bom e a falação dos demais estava atrapalhando isso.

Cheguei a comentar com o Helder que sentia a necessidade de um momento de introspecção para processar tudo que vinha passando desde o começo do curso. Ainda não podendo comentar sobre o nosso próximo, ele apenas consentiu.

Mal sabia eu que, nos próximos dias, eu iria dormir em bivaque, encarar uma temperatura baixíssima com chuva e vento, e ter que navegar por horas sem qualquer referência visual. Mas estes são assuntos para a quarta e última parte do relato. Confira agora!

RELATO: A natureza como escola – parte 2

Esta é a segunda parte do relato da minha experiência no programa de Fundamentos da Educação ao Ar Livre, da Outward Bound Brasil, que participei em agosto de 2017. Confira a primeira parte aqui.

O terceiro dia começou com um belo nascer do sol no Pico da Bandeira. Ainda com a boa sensação da conquista da montanha no dia anterior, curtimos bastante o café da manhã. Tempo de batermos fotos e, nos papos, irmos nos conhecendo melhor.

Quase não percebemos o tempo passando e acabamos nos atrasando um pouco para a primeira aula do dia, que foi sobre navegação por mapa e bússola. Orientação para o norte, escala, curvas de nível. Nada disso era novidade para mim, graças ao curso de guia de turismo que fiz no IFSC.

Fotos: Fábio Almeida e João Teodósio

Mas aprender a utilizar a bússola para a navegação, em conjunto com mapa, era um desejo antigo. E daí tive contato com conceitos como azimute, declinação magnética e outros. O curioso é que, na aula, nada é complicado. São conceitos de lógica bem simples, mas que precisam de bastante prática para serem assimilados. E eu iria perceber isso com clareza em alguns dias.

Neste terceiro dia, no entanto, a ordem era guardarmos tudo nas mochilas após a aula, para partirmos para o próximo ponto de acampamento. Conseguimos sair às 11h. Já um pouco tarde, mas ainda normal para quem está pegando o embalo da viagem.

Foi uma caminhada de muito sol, mas sem maiores esforços físicos. Fomos descendo do pico pelas cristas dos morros, cruzando pequenas matas e curtindo o visual. Ao longo do caminho, os papos foram ficando mais interessantes também. Poder e economia global, estilo de vida saudável e outros tantos assuntos passaram pelas trilhas do dia.

E durante este caminhar relaxado, fui me dando conta de que poderia me abrir mais para o grupo. Ao contrário da cidade, onde a norma, ao menos para mim, era nunca se expor sem necessidade, ali era um ambiente emocionalmente seguro, que funcionaria bem como um laboratório para lidarmos com questões pessoais.

Este assunto seria tratado dois dias depois, quando tivemos uma aula sobre a Janela de Johari. Conceito novo para mim, esta teoria divide o conhecimento sobre nós mesmos em quadrantes. Vale conferir:

Eu público: aquilo que eu conheço de mim mesmo e exponho aos demais.

Eu secreto: características minhas que opto por não mostrar para as pessoas.

Eu cego: os traços meus que são percebidos pelas pessoas que convivo, mas eu mesmo não percebo.

Eu escuro: o setor da minha personalidade que nem eu nem as pessoas com quem convivo já tiveram acesso.

O grande aprendizado desta teoria é a de que a maior exposição de nós mesmos, e a disponibilidade em ouvir o feedback das pessoas, são ações que ampliam o conhecimento sobre nós mesmos. Elas reduzem especialmente as áreas do eu cego e eu escuro.

Não por um acaso, ao conversar com os instrutores após o programa, eles comentaram que notaram diferença no meu comportamento após o terceiro dia. Sentiram que eu, aí sim, agia como um participante engajado no Feal, e não como alguém que estava lá apenas para tirar fotos e escrever um relato.

Bom, “decisão tomada”, seguimos caminhando rumo ao antigo curral que serviria de local de acampamento. Chegamos lá no fim da tarde, com tempo para armarmos rapidamente as barracas e corrermos para apreciar o belo pôr do sol.

Enquanto as meninas tomavam banho no rio, nós fomos ao mirante. De lá pudemos ver o vale da vargem e todas as altas montanhas ao seu redor. Nomeamos até o “morro do gavião”, que parecia uma ave, de costas para nós, voando rumo ao por do sol.

O quarto dia começou com uma novidade em nossas atividades. Cada um de nós teria que fazer uma apresentação sobre um assunto de nossa preferência. E quem abriu a agenda foi o João, que falou sobre sua paixão por andar de skate. O objetivo, no entanto, não era avaliar o conteúdo. Após sua fala, fomos estimulados a dar um retorno sobre a forma como ele apresentou o tema.

Feedback passado, terminamos de fechar as mochilas e começamos a caminhada do dia. Nosso destino era o que viríamos a batizar de Vale da Geada. Neste quarto dia, a liderança do grupo ficou com a Patrícia. Aliás, vale falar disso um pouco.

Todos os dias tínhamos um líder entre os participantes. A ele cabia zelar pela união do grupo, determinar pontos de parada e lanche e cuidar dos horários, entre outras funções. O objetivo era o mesmo das palestras: nos expor para depois obtermos feedback dos colegas. E ele era dado todas as noites, após o jantar.

Bom, este quarto dia foi de bastante caminhada. Estávamos sentindo o esforço de andar com tanto peso nas costas. Progredimos lentamente e terminamos a caminhada perto do horário do pôr do sol.

Foi o tempo assistir a segunda aula do dia, pegar água e montar as barracas. Já era noite e mais uma vez tivemos um jantar saindo tarde. O papo após a janta foi meio complicado, com a tensão entre alguns participantes crescendo. Havia queixas sobre a não participação de alguns nos trabalhos coletivos, como preparar comida e lavar a ouça. Mas o conflito ainda estava velado e fomos dormir perto da meia-noite.

Os próximos dias da nossa jornada você acompanha na terceira parte do relato.

RELATO: A natureza como escola – parte 1

Elas estão por toda as partes. Cruzamos por elas em vales, descampados, matas e platôs. As cercas, que há alguns anos limitavam as propriedades, perderam a utilidade com a criação do Parque Estadual da Serra do Papagaio. Hoje apenas compõem o cenário durante deslocamentos livres pela enorme área de vida silvestre.

Além de transitar por terras outrora restritas a cada um de seus donos, minha participação no programa Fundamentos da Educação ao Ar Livre, da Outward Bound Brasil (OBB), me levou a aprender sobre educação experiencial* e a romper barreiras internas e ampliar meu autoconhecimento. É sobre estas experiências que este e os próximos textos tratam.


Cheguei à base da OBB, em Campos do Jordão, em cima da hora. Havia dormido na casa do meu pai, em Taubaté, e nos atrapalhamos no momento da saída. Mas tudo bem, o grupo estava se preparando para a primeira atividade do curso: a conferência dos itens pessoais que cada um havia separado para passar 14 dias na natureza. Não era algo muito complicado, já que havíamos recebido uma lista com itens obrigatórios e opcionais. Porém, o minimalismo desta relação nos levou a querer levar mais coisas.

Segunda bermuda, quarta cueca, espuma de barba, shampoo e condicionador. Estes e outros tantos itens foram convidados a ficarem na base. A explicação era de que precisaríamos de espaço livre nas mochilas para carregarmos outros itens pessoais, como saco de dormir, e alguns coletivos, como barracas e alimentação.

Feita a limpa, fomos conhecer o cardápio. Pizza, estrogonofe, carne seca, arroz, feijão, legumes, tabule, frutas secas, pão sírio, pão de queijo, bolo de chocolate. Passaríamos bem longe do Miojo-com-enlatados que muitos acreditam ser a única comida possível em acampamentos.

As barracas eram quatro. Uma para os dois instrutores e três para os nove alunos. Nos dividimos em equipes meio no susto, sem saber absolutamente nada um do outro, e dividimos as partes das barracas. Afinal, já estava na hora de entrarmos na van para o deslocamento até a Serra do Papagaio, que fica no sul de Minas Gerais, não muito distante do Pico das Agulhas Negras (este já no Rio de Janeiro).

Após três horas de viagem, a van nos deixou na fazenda da dona Marieta, localidade do Ribeirão, em Pouso Alto. Como já estávamos no fim da tarde, caminhamos apenas o suficiente para encontrarmos um lugar plano para montarmos as barracas.

Hora de nos apresentarmos “oficialmente” ao grupo. Mas nada de “meu nome é Fábio, tenho 43 e sou jornalista”. Somos convidados a falarmos quem somos. Em muitos anos de atividades em grupos, esta foi a primeira vez que vi este pedido. Mas achei bacana. Afinal, quem estava ali para formar um grupo e conviver por 14 dias era a pessoa, com suas qualidades e defeitos. E aí teve “sou tímido”, “gosto de descobrir a verdade das coisas” e, de minha parte, “gosto de lidar com coisas novas”.

Fomos então às primeiras aulas. Coisa bem básica para quem vai passar dias na natureza: uma gota de purificador a cada 500 ml de água, louça limpa com o mínimo de sabão e sem o uso de esponja, carregar conosco todo o lixo, inclusive borra de café. Para mim, no entanto, a parte mais complicada foi aprender a fazer o “número 2” causando o mínimo impacto no ambiente.

Já tinha experiência em fazer cocô no mato, usando uma pazinha para cavar um buraco e enterrar as fezes. Mas para me limpar havia usado papel higiênico, que também se degrada, mas de forma mais lenta. Só que um grupo de 11 pessoas durante 14 dias causa um impacto consideravelmente maior na natureza, e a OBB optou por uma técnica de limpeza que usa folhas ou gravetos, em associação com um pingo de sabonete líquido.

E aí é que a coisa pegou. Durante os primeiros dois dias este foi um momento psicologicamente complicado para mim. Sempre ficava com a impressão que não tinha feito certo. Porém, com o passar do tempo isso foi se tornando natural e hoje tendo a manter isso nas próximas incursões na natureza. Pra quem quiser saber mais, o Blog da Escalada tem um ótimo artigo sobre o assunto.

Bom, a primeira noite foi relativamente tranquila. Dormi aliviado ao perceber que o isolante inflável, que havia se furado aqui em casa, estava segurando bem o ar após ter sido remendado. Apenas o latido constante de cães um canil nas proximidades incomodou um pouco. Mas sabia que seria o último sinal de “civilização” que veria em um bom tempo. Então nem atrapalhou tanto assim.

A preparação do café da manhã foi marcada para as 7h. Um bom indicador que, apesar de estarmos na natureza, não se tratava de férias. Conseguimos finalizar os preparativos e partirmos às 9h. Seria um dia relativamente curto, mas com muita subida. Era preciso “ganhar” a serra. E assim fomos, subindo, parando, nos acostumando com o peso nas costas, subindo, colocando esparadrapo no pé e curtindo o visual.

Em algumas horas chegamos ao Pico da Bandeira, com 1.930 metros. E poucas coisas são mais empolgantes que alcançar um pico após uma caminhada dura em um dia de céu aberto. Montanha! Ainda na empolgação da subida, começamos a montar acampamento. Logo percebemos que o descampado estava com o solo todo revirado. Segundo os instrutores, quem faz isso é o javali. Este animal, que não tem origem brasileira, se tornou uma praga em diversos estados, principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

Bastante agressivo, ele anda em grupos e gosta de comer tubérculos, como batata, cenoura e cebola. Também há registros de ataques a outros animais e a humanos. Não vimos nenhum durante a expedição, mas encontramos solo revirado em mais alguns lugares. De qualquer forma, a dica é subir em árvores para fugir de um ataque.

Dormimos no cume e a única bandeira que avistamos foi a “blupita”. Trata-se de uma flamula branca com a borda azul, utilizada por navios. Seu nome é um aportuguesamento de “Blue Peter”, pronunciado com sotaque britânico. Ela indica que a embarcação está pronta para sair. Mesmo significado da expressão Outward Bound, que dá nome à OBB. A bandeira foi carregada a cada dia por um de nós. Sempre presa na mochila, à vista de todos.

Sem cachorros, nem javalis, por perto, tivemos uma ótima noite de sono. Bom para nos prepararmos para as diversas atividades dos dias que viriam. Mas isso é assunto para a segunda parte do relato. Confira aqui.

* O termo educação experiencial começou a ser utilizado a partir das experiências educacionais de Kurt Hahn, fundador da Outward Bound, quando ao treinar jovens no manejo de veleiros para lapidar-lhes o caráter, fez a diferenciação entre o que seria o treinamento pelo mar (aprendizado de vida proporcionado pela experiência de velejar) contrapondo-o ao treinamento para o mar (aprendizado operacional das tarefas necessárias para velejar).