Minha experiência com tubeless

Minha experiência com tubeless

Uma sequência de problemas com o sistema tubeless jogou por água abaixo minha tentativa de completar o Rapha 500 de 2021. Era a encrenca que faltava para decidir voltar à câmara de ar em minha Gravel. Quer entender a história? Vou explicar como foi, começando dos motivos que me fizeram instalar o tubeless.

Pneu Vittoria Terreno Zero: 22 furos em 2.000 Km

O primeiro pneu gravel que coloquei na minha Triban 500 foi o Vittoria Terreno Zero, no tamanho 700×38. Produzido por uma marca super recomendada por 10 entre 10 ciclistas, ele tem uma boa combinação para quem, como eu, roda muito mais no asfalto que na terra. E nisso ele é muito bom. Roda como um pneu bem mais fino e tem um grip surpreendente nas curvas. Mas os furos…

Não havia pedalada em que eu não tivesse ao menos um furo. As vezes eram dois, e já foram até três. Não chegou a quatro porque eu desisti no terceiro. Trocava as câmaras de ar após o quarto remendo, o que gerou um considerável desperdício de borracha em poucos meses. Os furos ocorriam tanto no dianteiro quanto no traseiro, e não diminuíram com a troca das fitas de aro nem com a instalação de fitas antifuro. Uma incomodação enorme, que me levou à decisão de trocar de pneus ainda com muita borracha para gastar.

Instalando tubeless no Specialized Pathfinder

Para substituir, optei pelo também recomendado Specialized Pathfinder, que é compatível com tubeless. Apesar de caro, a Specialized tem revenda na minha cidade, o que me deu tranquilidade quanto a possíveis novos problemas. Como as rodas da Triban também são Tubeless Ready, já pedi que instalassem com esse sistema. A loja fez todo o serviço, trocando a fita do aro, instalando os bicos específicos e aplicando o líquido selante.

Na hora de pegar as rodas, algumas recomendações:

  • Não deixar parado por mais de 10 dias, para que o líquido não endureça em um único ponto do pneu;
  • Não botar menos que 40 nem mais que 60 libras;
  • Revisar a cada 3 a 6 meses.

Além disso, fui avisado que ele poderia não segurar o ar nos primeiros dias, o que realmente aconteceu. No dia seguinte eu tive que voltar lá para que colocassem mais líquido na roda dianteira.

Tubeless no dia a dia da gravel

Mesmo com o vazamento no primeiro dia, as primeiras pedaladas foram agradáveis. O pneu não furava mais! Na segunda semana já me empolguei e fui até a cachoeira do Amâncio, que fica a 60 km de casa. Baixei a pressão para o trecho de terra e a bike flutuou na estrada. Porém, ao voltar para o asfalto, o primeiro problema. Eu não consegui repor a pressão com minha (excelente) bomba de mão. Ela simplesmente não conseguia vencer a resistência causada pelo bico da roda dianteira. 

Tive que seguir pelo asfalto com 40 libras até um posto de gasolina, onde, com ajuda de um adaptador, voltei às 60 libras indicadas pelo mecânico. A partir daí, esse bico foi se tornando cada vez mais e mais difícil de lidar. Mesmo a bomba de pé que tenho em casa começou a sofrer com ele.

Ao mesmo tempo, ambos os pneus começaram a perder pressão regularmente. Tinha que calibrar ao menos uma vez por semana, se quisesse pedalar com uma boa pressão. 

Outro dia, na véspera de um pedal 100% no asfalto, estava intrigado com a recomendação do mecânico de usar um máximo de 60 libras. Como o pneu especifica até 80 libras, resolvi colocar 75 libras. Como resultado, o pneu amanheceu completamente vazio. 

Com 100 dias de uso, o bico dianteiro já não servia para encher nem para esvaziar. Estava entupido, imagino. Levei caminhando até o posto, onde, após várias tentativas, consegui fazer o ar entrar. Na caminhada de volta pra casa já começou a espumar o selante por toda a base do bico. Comecei a rir.

Terminava ali a minha paciência com o sistema tubeless. No dia seguinte comprei uma câmara de ar e limpei tudo para a instalação do sistema tradicional. Dois dias depois, a roda traseira se esvaziou sem motivo algum, e também ganhou banho e câmara de ar.  Terminava aí uma relação de 1.590 Km com pontos positivo e negativos:

Ponto positivo do tubeless

  • Não furou o pneu.

Pontos negativos do tubeless

  • Redução na pressão máxima suportada;
  • Entupimento da válvula pelo selante;
  • Perda constante de pressão;
  • Demanda por mais manutenção.

Voltando à câmara de ar

Após uma limpeza caprichada, recoloquei a fita de aro normal e dei uma boa inspecionada nos pneus, removendo arames que tinham sido neutralizados pelo selante. Instalei fita antifuro e câmaras novas, montando com muito cuidado. Enchi os pneus com 75 libras atrás e 70 libras na frente. 

Na manhã seguinte eles seguiam com pressão! Parti para um pedal de 90 km por acostamento de rodovias, em um dia de muito calor aqui em Santa Catarina. E não tive nenhum problema. Nem furo, nem perda de pressão misteriosa. Que assim continue!

10 anos de Pedal Nativo

10 anos de Pedal Nativo

Em 2019 o Pedal Nativo completa dez anos de vida. Desde o primeiro post, com uma pedalada pelo norte de Floripa, até o relato sobre a ciloviagem ao Morro dos Conventos foram 226 posts, que geraram 545 comentários. O blog começou com o nome de Náculo, em referência a um boneco que meu filho adorava. Aliás, minha intenção inicial era registrar minhas pedaladas para inspirá-lo quando maior. Em 2011, buscando inspirar mais pessoas, alterei o nome para Pedal Nativo. Na época, eu escrevi:

Pedal Nativo remete ao prazer espontâneo da aventura sobre uma bicicleta. Aquela emoção que guardamos com carinho, das aventuras na infância pelas ruas do bairro. Podemos ficar até alguns anos sem pedalar, mas basta girar o pedal para sentir tudo isso voltando. Afinal, nascemos para isso.

Com esta mudança de filosofia, os conteúdos se expandiram para além dos meus relatos: relatos de viagens de terceiros, entrevistas com grandes viajantes e dicas para iniciantes.

Ao mesmo tempo, organizei concurso e exposições de fotos, participei da criação do primeiro Curso Online de Cicloturismo, dei palestras e desenvolvi e coloquei à venda uma caneca personalizada. Do blog nasceram ainda um canal no YouTube e perfis no Instagram e no Facebook.

Reparou como quase tudo está conjugado na primeira pessoa? Isso é porque este blog é um reflexo do que sou, do que penso e desejo. Mesmo que ele não se chame “blog do Fábio”, sou eu que estou aqui. Daí dá pra chegar a duas conclusões:

Se fosse para viver disso, este blog teria uma configuração diferente. Os textos seriam uma coleção de listas de “os dez mais” e outros conteúdos baseados nas palavras mais buscadas do Google. Mas eu optei por escrever de maneira totalmente livre. E isso custou ao blog pouca atratividade para os anunciantes.

Mas, como disse, o Pedal Nativo é um blog onde me expresso como pessoa. E, por isso mesmo, ele não deve, obrigatoriamente, gerar dinheiro para continuar existindo. Afinal, respeito meu compromisso com a minha natureza. Individualidade essa que respira aliviada sempre que está em contato com o ambiente natural.

Apesar da redução no número de relatos por aqui, sigo fazendo incursões na natureza. Mas não apenas de bicicleta. O trekking, que eu também pratico desde a adolescência, voltou ao meu radar ao fazer o curso da Outward Bound Brasil, em 2017. Com mais algumas boas experiências de caminhada, o Pedal Nativo começou a ficar pequeno para o Fábio.

Mas não mais, neste aniversário de 10 anos o Pedal Nativo vai passar o bastão. Mais uma vez, é uma mudança que contraria algumas “regras” para criadores de conteúdo. Afinal, ainda que sem números fantásticos o Pedal Nativo tem alguma relevância no Google.

Mas as regras deste autor permitem e até endossam. Assim, as aventuras de bicicleta vão continuar (lembre-se do compromisso), mas também irei escrever sobre trekking e outras práticas que me levam à natureza.

Um novo nome, novo endereço, nova logo, novas seções. Mas o mesmo Fábio de sempre escrevendo e ouvindo. Inspirando e sendo inspirado. Vamos em frente que a coisa só melhora!

E fique tranquilo, o Pedal Nativo seguirá no ar. Com todo seu histórico de postagens.