10 anos de Pedal Nativo

Audax Floripa 2019

Em 2019 o Pedal Nativo completa dez anos de vida. Desde o primeiro post, com uma pedalada pelo norte de Floripa, até o relato sobre a ciloviagem ao Morro dos Conventos foram 226 posts, que geraram 545 comentários. O blog começou com o nome de Náculo, em referência a um boneco que meu filho adorava. Aliás, minha intenção inicial era registrar minhas pedaladas para inspirá-lo quando maior. Em 2011, buscando inspirar mais pessoas, alterei o nome para Pedal Nativo. Na época, eu escrevi:

Pedal Nativo remete ao prazer espontâneo da aventura sobre uma bicicleta. Aquela emoção que guardamos com carinho, das aventuras na infância pelas ruas do bairro. Podemos ficar até alguns anos sem pedalar, mas basta girar o pedal para sentir tudo isso voltando. Afinal, nascemos para isso.

Com esta mudança de filosofia, os conteúdos se expandiram para além dos meus relatos: relatos de viagens de terceiros, entrevistas com grandes viajantes e dicas para iniciantes.

Ao mesmo tempo, organizei concurso e exposições de fotos, participei da criação do primeiro Curso Online de Cicloturismo, dei palestras e desenvolvi e coloquei à venda uma caneca personalizada. Do blog nasceram ainda um canal no YouTube e perfis no Instagram e no Facebook.

Reparou como quase tudo está conjugado na primeira pessoa? Isso é porque este blog é um reflexo do que sou, do que penso e desejo. Mesmo que ele não se chame “blog do Fábio”, sou eu que estou aqui. Daí dá pra chegar a duas conclusões:

Se fosse para viver disso, este blog teria uma configuração diferente. Os textos seriam uma coleção de listas de “os dez mais” e outros conteúdos baseados nas palavras mais buscadas do Google. Mas eu optei por escrever de maneira totalmente livre. E isso custou ao blog pouca atratividade para os anunciantes.

Mas, como disse, o Pedal Nativo é um blog onde me expresso como pessoa. E, por isso mesmo, ele não deve, obrigatoriamente, gerar dinheiro para continuar existindo. Afinal, respeito meu compromisso com a minha natureza. Individualidade essa que respira aliviada sempre que está em contato com o ambiente natural.

Apesar da redução no número de relatos por aqui, sigo fazendo incursões na natureza. Mas não apenas de bicicleta. O trekking, que eu também pratico desde a adolescência, voltou ao meu radar ao fazer o curso da Outward Bound Brasil, em 2017. Com mais algumas boas experiências de caminhada, o Pedal Nativo começou a ficar pequeno para o Fábio.

Mas não mais, neste aniversário de 10 anos o Pedal Nativo vai passar o bastão. Mais uma vez, é uma mudança que contraria algumas “regras” para criadores de conteúdo. Afinal, ainda que sem números fantásticos o Pedal Nativo tem alguma relevância no Google.

Mas as regras deste autor permitem e até endossam. Assim, as aventuras de bicicleta vão continuar (lembre-se do compromisso), mas também irei escrever sobre trekking e outras práticas que me levam à natureza.

Um novo nome, novo endereço, nova logo, novas seções. Mas o mesmo Fábio de sempre escrevendo e ouvindo. Inspirando e sendo inspirado. Vamos em frente que a coisa só melhora!

E fique tranquilo, o Pedal Nativo seguirá no ar. Com todo seu histórico de postagens.

RELATO: a batalha do Morro dos Conventos

Salve, salve!

Neste fim de semana fui conhecer um lugar que há tempos ocupa minha imaginação. O Morro dos Conventos me chamou a atenção desde que vi uma foto de 1958. Ela mostrava um solitário prédio em estilo modernista, construído entre o morro e o mar, sobre a restinga. Bem na filosofia do homem se descobria capaz de dominar a natureza pela tecnologia, nem que isso custasse agressões ao meio-ambiente e à estética. Mas e hoje, como estaria a região? Quem teria vencido a batalha? De propósito, não busquei fotos atuais do morro. Deixei para ver pessoalmente.

Meu parceiro para a viagem foi o Felipe Munhoz, ciclista amigo já de outros carnavais. O Felipe é companhia boa para viagem. Acompanha ritmo forte de pedalada, mas não tem problema nenhum em parar para tirar fotos ou resolver qualquer outra coisa. Não é de falar muito, o que permite boas reflexões ao longo das jornadas. Assim como eu, ele andava querendo fazer uma cicloviagem há tempos. Calhou de estarmos liberados no mesmo fim de semana e partimos.

Selfie na saída. Cuidado com o guidão!

Fomos de carona até o acesso à praia do Sonho, evitando pedalar no famigerado morro dos cavalos e suas pistas cheias de caminhão e sem acostamento. Pegamos a BR-101 e fomos direto pelo acostamento. Logo percebemos que o vento estava a nosso favor, o que nos fez começarmos em ritmo forte, já pedalando na coroa maior. Considero este trecho em especial um dos mais bonitos da BR, por ter longa vista para a Serra do Tabuleiro, à direita.

A viagem seguia se embalando pelo vento quando passei por tachões a aproximadamente 40 km/h e meus dois alforges traseiros foram simplesmente ejetados da bike. O Felipe vinha atrás e começou a sinalizar para os carros e caminhões desviarem de um deles, que tinha ido parar na faixa da direita. Enquanto eu voltava, ele acabou deixando a bike no chão e indo pegar o alforge suicida. Mas foi preciso ainda que eu atravessasse até a faixa da esquerda para resgatar um adaptador plástico do sistema de fixação. Fortes emoções neste começo de viagem, mas nada nem ninguém saiu atropelado.

Marcha pesada e seguimos em direção ao Sul. Sem demora chegamos em Laguna. Na alça de entrada, quase fui ao chão com a derrapada que o pneu traseiro deu. Estava furado e, ao pararmos para trocar a câmara, deu pra ver que o vento seguia aumentando. Corri para concluir a operação o mais rápido possível e sair da “zona de ataque” das lufadas de areia.

Entramos em Laguna pelo acesso principal, passando pelo seu simpático centro. Sempre me pergunto porque esta não é a principal cidade da região. Por ali passava o Tratado de Tordesilhas, criado em 1494, que dividia a América entre Portugal e Espanha. Também é uma das mais antigas vilas de Santa Catarina, tendo sido oficializada em 1676. Além disso, em 1839, foi cenário da batalha que uniu o italiano Giuseppe Garibaldi e a catarinense Ana Maria de Jesus Ribeiro, que viria a ser conhecida como Anita Garibaldi. O casal revolucionário teve participação decisiva na Revolução Farroupilha e no processo de unificação da Itália.

Aula de história vivenciada, comemos um pastel e seguimos para a balsa que atravessa o canal da Lagoa do Imaruí. Durante a travessia, um grupo de botos nadava ao lado da balsa, pena que não deu tempo de fotografar.

E após o desembarque… Olha, o vento acho que estava em torno dos 30 km/h. Bastava aplicar alguma força no pedal que a bicicleta se encarregava de manter o movimento indefinidamente. Pedalávamos na última marcha disponível com mínimo esforço. Ao chegar aos cruzamentos era preciso acionar os freios com força, pois a aceleração do vento continuava empurrando. E assim, voando, chegamos ao trevo que leva diretamente ao Farol de Santa Marta. Seria minha primeira passagem por esta estradinha depois do asfaltamento. Fizeram uma obra bacana. com ciclofaixa bem delimitada e mensagens de preservação. Mas o clima naquela região não é muito amigável e parte da estrada já estava coberta por areia. Ela foi trazida pelo vendo, que neste momento nos atingia lateralmente e desequilibrava a bicicleta o tempo todo.

O acampamento foi montado no Cardoso Surf Camping, onde já tinha ficado em uma cicloviagem de 2017. É um lugar agradável, com boa infraestrutura e atendimento de acordo. O preço, de R$ 35, está bem justo para o que encontramos lá. Uma única ressalva à noite que passei lá é o barulho de carros e motos em exibições de aceleração e som alto nas redondezas. Isso era algo que não existia antes e só posso imaginar que seja uma consequência do asfaltamento do acesso. Antes este público não arriscava suas “maquinas” na estrada arenosa e esburacada.

Para o segundo dia de pedal eu tinha imaginado duas opções de roteiro. Voltar à BR-101 e seus caminhões ou seguirmos por estradinhas secundárias, que correm entre o mar e a BR. Mas o Felipe alertou que muitas destas são de terra/areia, com longos trechos de “costela de vaca” e areia fofa, boa para atolar a bike. Sugeriu que fossemos pela praia mesmo, e assim fizemos. Logo após a Barra do Camacho nós deixamos as ruas e estradas para trás e fizemos da beira da água nosso caminho. O piso não era tão firme quanto eu tinha experimentado na Ilha Comprida, mas era sim possível pedalar em bom ritmo. Seguimos por muitos quilômetros, até que a proximidade de uma tempestade me fez sugerir que buscássemos uma estrada convencional, menos exposta a raios.

Após uns 20 minutos neste desvio a tempestade de desfez e, já no caminho de volta para a areia, passamos pelo Chuveirão de Jaguaruna. Eu nunca tinha ouvido falar e a informação do Felipe é que era um lugar “esquisito”, seja lá o que isso quer dizer. Mas bastou me aproximar para ter certeza que iria me molhar. Ao Felipe, que estava tirando fotos, só avisei: “Está filmando? Eu vou entrar!”. E fui de capacete e tudo para aquele dilúvio refrescante. Que coisa boa!

Ensopado voltei à praia e seguimos pedalando por mais dezenas de quilômetros e muitos balneários desta praia sem fim. Alguns são mais simpáticos, com deques de madeira e turistas aproveitando o domingo, e outros parecem cidades do faroeste, com casas muito precárias e sujeira para todo lado. Ao chegarmos a Barra Velha, ficamos em dúvida se iríamos pelas ruas ou seguíamos pela praia até a pequena balsa que atravessa o Rio Araranguá. O problema é que ela fica um pouco pra dentro do rio, e a viabilidade de se pedalar no trajeto de sete quilômetros entre a foz e o porto da balsa era dúvida. Em um rápido papo com um pescador, ele disse que sim, bastaria irmos bem rente a água.

Resolvemos então seguir na areia, apesar do risco de ter que pedalar de volta até o balneário se a travessia não fosse possível. Àquela altura já estávamos um pouco cansados dos 80 km na areia. Conforme avançamos em direção à foz do Araranguá o movimento de pescadores e banhistas foi diminuindo bastante. De repente a faixa de areia virou à direita e começamos a pedalar em direção à serra. A faixa de areia dura diminuiu pela metade. Troncos e galhos de árvores caídas reduziam um pouco mais o espaço pedalável. Um pouco tenso, fui avançando sem apreciar muito o entorno. Até que de repente cruzo com um ciclista pedalando em sentido contrário. De chinelo e ouvindo rádio, pedalava bem relaxado em direção ao mar. Me senti ridículo com toda aquela preocupação e tratei de aproveitar o gostinho deste final de percurso.

Após mais uns quilômetros na beira do rio chegamos à Ilha, uma comunidade que vive em um pedaço de terra cercado pelo Rio Araranguá e um dos seus afluentes. O nome é tudo isso mesmo: Ilha. De lá, percorremos uma pequena estrada rural até o portinho da balsa. Ao embarcarmos, o capitão perguntou se tínhamos vindo pedalando pela areia. Questionei como ele tinha adivinhado e ele disse que era pelo estado dos nossos tênis e bicicletas.

Aliás, sobre isso. Sei de várias pessoas que nunca colocariam sua bicicleta na areia, por medo de desgastar/enferrujar. Por elas eu lamento. A sensação de liberdade, incluindo o visual e o som das ondas, compensa qualquer possível problema que a pedalada venha a causar na bike. Basta uma boa ducha na bicicleta e um pouco de óleo na corrente para a viagem seguir. Ela, a bicicleta, está aí para nos servir, e não o contrário.

De volta ao relato, foi nesta balsa que tive a primeira visão do Morro dos Conventos. Ela aporta na parte de trás do morro, dando uma vista de perfil dos paredões. Mas ainda não seria neste dia que eu conheceria o morro. Tocamos direto para o Balneário Arroio do Silva, onde acamparíamos. O Camping Morro dos Conventos, último que restava próximo ao morro, foi desativado para se transformar em um condomínio de luxo. Mas os quilômetros adicionais até a cidade vizinha foram recompensados. O pessoal do Camping e Pousada Serra Mar nos recebeu de forma exemplar e nos ofereceu o pernoite em chalé por um preço irrecusável.

Bem descansados, o plano para o dia seguinte era “turistar” pelo morro e pegar o ônibus para Florianópolis no começo da tarde. Seria o momento de ver quem teria levado a melhor na guerra entre a bruta natureza da região e a sede do homem por domina-la.  Então, após limparmos as bicicletas da areia, seguimos com elas descarregadas pelas curiosas ruas do Arroio do Silva. Lá se encontra todos os tipos de pavimento, da terra ao asfalto, passando por lajotas e pedras lascadas. As vezes tudo na mesma rua, em espaço de um quilômetro.

Subimos o Morro dos Conventos por trás. Uma rua bastante arborizada e com belas casas sobe em direção à beira do penhasco, e ao farol da Marinha que está instalado ali. No mirante, a vista é muito ampla, incluindo, bem ao fundo, as encostas da serra, as curvas e a foz do Rio Araranguá, as dunas entre o morro e a praia e… uma pequena vila que se formou em torno do prédio pioneiro, que continua por lá. Há uma dezena de ruas e boas casas de veraneio. A natureza, no entanto, segue ditando condições e espalhando areia com suas dunas móveis. Não deve ser pequeno o trabalho de manutenção no bairro, que ainda tem que lidar com a salinidade trazida pelos sempre fortes ventos. Sei que é uma batalha sem fim e sei também que a humanidade está sempre em crescimento e precisa avançar. Mas acredito que lugares como este deveriam ser poupados, preservados em sua forma natural. Quando a natureza ganha, ganhamos nós também.

Selfie de fim de viagem. Guidão bem seguro.

Com estas reflexões na cabeça, descemos o morro e seguimos de forma objetiva até a pousada. Era preciso ajeitar os alforges e pedalar até a rodoviária, desmontar as bicicletas e guarda-las em um malabike (a do Felipe) em uma caixa (a minha), que eu ainda iria conseguir no comércio. Mas tudo isso deu certo e às 15h embarcamos de volta para Florianópolis. Tempo de reflexão, de processar tudo o que vivi nestes dias de pedalada rumo ao sul. Agradeço ao Felipe, em especial, pela parceria impecável durante todo o tempo. Precisamos fazer outras! Agradeço também aos que de alguma forma ajudaram nesta jornada. Valeu!

 

RELATO: Nas manhãs do sul do mundo

Salve, salve!

Uma coisa que o meu parceiro Rodrigo Herd não pode dizer é que não aproveita seus dias livres. Após fazer um retorno à terra de seus antepassados em julho, como ele relatou aqui, ele partiu de Floripa agora em setembro, em direção ao Sul de Santa Catarina, visitando as belas paisagens rurais das cidades cortadas pela SC-108. Segue abaixo seu relato de viagem.

“Vou fugir desta metrópole à libertação e seguir algum caminho que me leve ao sul…”

Como na canção do Grupo Engenho, resolvi aproveitar os dias ensolarados que me restavam de férias, após uma semana de chuva ininterrupta, para seguir um caminho que me levasse ao sul de Santa Catarina. Mais especificamente, o plano era sair de Floripa e ir até Nova Veneza pedalando na maior parte do tempo pela SC-108, que corta o estado de norte a sul pelo interior, ligando a região de Joinville à divisa com o RS, em Praia Grande.

A primeira etapa foi subir até Angelina, para alcançar a referida estrada. Os 40 km iniciais até São Pedro de Alcântara são tranquilos, apesar das subidas, pois é tudo asfaltado ou pavimentado. Mas a medida em que se continua para Angelina, os aclives vão ficando cada vez mais duros e, somando-se às condições da estrada de chão, os quilômetros acumulados vão pesando nas pernas. Nada que não se compense com as belas paisagens e construções históricas pelo caminho, que é muito usado por peregrinos católicos com destino à Igreja de Nossa senhora da Imaculada Conceição de Angelina.

O segundo dia começou com 13 km de muitas subidas até Rancho Queimado, além de um calor considerável, mas num asfalto lisinho e quase sem nenhum movimento automotor. Após uma parada para almoço e descanso, segui, já protegido do sol pelas sombras da face oeste da estrada, os 35 km até Anitápolis. Esse trecho é dos mais divertidos pelos quais já tive o prazer de pedalar. Há duas subidas fortes, uma no início, outra já bem perto do fim, mas o que separa ambas são mais de 10 km de deliciosas descidas asfaltadas.

No terceiro dia, a estrada segue descendo, primeiro num trecho não pavimentado de 23 km até Santa Rosa de Lima, onde se destacam os penhascos e as vistas privilegiadas do vale do Rio Braço do Norte. Depois volta o asfalto, num caminho em que prevalecem as descidas e trechos planos, passando por Rio Fortuna até chegar à Braço do Norte. Os últimos 10 km antes da chegada foram um pouco desagradáveis: menos pela chuva que resolveu cair, e mais pelo maior tráfego na região, aliado à falta de acostamento do trecho e à impaciência de alguns poucos motoristas, que decerto gostariam que eu me desintegrasse para sair dos seus caminhos.

O quarto dia foi, sem dúvida, o menos “aprazível”. Ao optar por permanecer seguindo a SC-108, pelo trajeto mais direto até Urussanga, me vi pedalando junto a um constante fluxo de veículos, especialmente caminhões. O acostamento pedalável, na maior parte do trecho, evita maiores riscos ou tensões, mas não há grandes paisagens ou locais tranquilos para contemplação. O asfalto e a falta de sombreamento também contribuíram bastante pra aumentar a sensação de calor. Mas foi um dia de encontros: primeiro, cruzei com um ciclista local na saída de Braço do Norte e fomos pedalando juntos trocando amenidades até São Ludgero. Depois, encontrei um amigo da época da escola para almoçar em Orleans. E ao fim dos 40 km do dia, ao chegar em Urussanga, um encontro merecido com uma(s) caneca(s) de chopp artesanal da região, no pub anexo ao hotel.

No quinto e último dia da viagem, eu desisti da SC-108 e resolvi ir até Siderópolis pela não pavimentada SC-445. As generosas sombras e belas vistas fizeram valer a pena o esforço a mais nas subidas (e descidas!) pelos esburacados caminhos do interior. E ao passar pela praça central de Siderópolis uma recompensa extra: um concurso e mostra de cachaças artesanais, com direito à degustação, claro! Na hora de continuar em direção à Nova Veneza, uma distração (ou a “marvada”) me fez perder o acesso e descer quase 1 km no sentido errado. Corrigido o rumo, segui pelo belo caminho, ora asfaltado, ora de chão, que leva ao charmoso centro de Nova Veneza. Mais alguns poucos quilômetros e cheguei ao destino final, a Pousada Di Venezia, onde Alícia e Manuel (minha esposa e filho) me encontrariam. :DDD

Tracklogs:
Dia 1:

Dia 2:

Dia 3:

Dia 4:

Dia 5:

Hospedagens:
Angelina : blumengartenhaus.com.br 48 3274-1180
Anitápoils: Pousada Weiss (48) 3256-0109
Braço do Norte: costanobrehotel.com.br (48) 3658-3121
Urussanga: Urussanga Palace Hotel (48) 3465-4231
Nova Veneza: pousadadivenezia.com.br (48) 98479-3131

Review: equipamentos de bikepacking

Salve, salve!

Frame bag, seadle bag e handlebar bag. Os nomes em inglês deixam clara a origem norte-americana dos equipamentos que compõem um kit de bikepacking. Esta modalidade de viagem, com a bagagem “amarrada” à bicicleta, é bastante antiga, mas voltou à moda nos últimos anos após cair nas graças dos ciclistas aventureiros da California. A justificativa para o uso destas bolsas, que levam bem menos bagagem que um conjunto de alforges, é que elas preservam o prazer de pedalar em uma bicicleta mais leve. Assim é possível percorrer trilhas estreitas, ignorar pequenos buracos e até arriscar alguns pulos durante uma viagem.

Cicloturista na Austrália, há mais de 100 anos

A fama do bikepacking vem crescendo e hoje temos fabricantes nacionais produzindo bolsa de quadro, bolsa de selim e bolsa de guidão específicos para bikepacking (este termo está um pouco mais complicado para traduzir). A Aresta, aqui de Florianópolis, é a pioneira na fabricação destes equipamentos no Brasil e foi a empresa que escolhi para produzir o meu kit personalizado. Afinal, eu estava curioso para testar esta modalidade de viagem e ver se não era apenas uma modinha passageira. Para isso, encomendei uma bolsa de selim, que eles chamam de Marimbondo, uma frame bag e uma mochila, item que é abominado pela maioria dos cicloturistas mas que ajuda a aumentar a capacidade de carga no bikepacking. A bolsa de guidão eu desenvolvi em casa, a partir de uma peça que estava sem uso por aqui.

Confira no vídeo abaixo a explicação detalhada de cada componente do kit e as minhas impressões de uso após duas viagens.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=rGCu1hnTD9o?rel=0&w=560&h=315]

Relato: Caminho dos antepassados

Salve, salve!

Neste mês de julho o grande parceiro de pedaladas Rodrigo Herd fez uma viagem bem bacana pelo interior de SC. A meu pedido, ele escreveu um relato para publicação aqui no Pedal Nativo. Espero que gostem!

 

Há 100 anos, em 1918, João Hoffmann (meu bisavô materno) com sua família (entre eles meu avô Waldemar, então com 12 anos) chegaram à Rio do Sul – SC. Era o fim de uma saga tão comum aos imigrantes alemães e seus descendentes estabelecidos em Santa Catarina desde metade do séc. XIX. A busca por terras melhores para sustentar a família havia começado alguns anos antes quando deixaram a região das colônias próximas à Capital. Primeiro subindo o caminho das tropas (como era conhecida a estrada que levava à Lages) até a localidade de Barracão (hoje Alfredo Wagner). Depois, usando a estrada aberta em 1912, seguiram pela margem do Rio Itajaí do Sul até a localidade de Ilha Grande, para anos depois, finalmente se fixarem em Rio do Sul. Para comemorar o centenário desta história, decidi fazer uma cicloviagem pelos caminhos percorridos pela minha família materna.

Saí de Rancho Queimado numa sexta-feira de sol e calor atípico para mês de julho. Os primeiros 15km incluem um divertido zigue-zague no trecho asfaltado, uma bela descida em estrada de chão e trechos com calçamento em Rio Bonito e ao chegar em Taquaras. Destino turístico de final de semana, a localidade mantém preservada muitas de suas construções históricas, como a casa de campo do ex-governador Hercílio Luz e as igrejas católica e luterana. Esperava almoçar num restaurante local, mas este só funciona aos sábados, domingos e feriados, e acabei dando com a “cara na porta”. Teria que me contentar então com a pouca comida seca que trazia comigo. De Taquaras, uma subida de 4km, suave e constante, me levou até à BR282, na altura do mirante da Boa Vista. Desci pelo acostamento da BR por alguns poucos quilômetros até sair à esquerda rumo aos distritos de São Leonardo e Picadas. A partir dali eu percorreria a margem esquerda do Rio Itajaí do Sul, cujo leito eu acompanharia até chegar à Rio do Sul. Nesse trecho prevalecem as paisagens típicas rurais, pequenas plantações e pastagens na beira do rio. Fiquei sem água logo após terminar a descida, mas apesar de não haver pontos de apoio nesse trecho, logo encontrei uma casa onde pude pedir um pouco. Reabastecido de água gelada, segui no sobe e desce característico dos vales até reencontrar a BR282 poucos quilômetros antes do trevo de Alfredo Wagner e meu destino final do dia: Hotel, Lanchonete e Churrascaria Kretzer.

A antiga estrada que possibilitou a chegada dos meus antepassados ao Alto Vale do Itajaí seguia pela margem direita do rio, onde hoje é a rodovia SC350. Como pedalar na rodovia não é muito agradável, o caminho que tracei até Ituporanga margeava o outro lado do Itajaí do Sul por estradas vicinais e rurais sempre que possível. Logo após a saída de Alfredo Wagner, há um pequeno trecho em que não há alternativa até Catuíra, onde uma estreita ponte pênsil me levou de volta à tranquilidade da margem esquerda. A partir daí, as paisagens rurais se intercalam com trechos de mata e o caminho vai ficando mais duro. Uma montanha-russa com pequenas subidas íngremes e estradas com muito cascalho e pedras soltas esgotaram rapidamente minhas energias. Na altura da localidade de Jararaca, pra evitar um trecho em aclive e sem acostamento pela SC, desviei morro acima sentido Chapadão do Lageado, aumentando a distância, a subida acumulada e o cansaço das minhas pernas. Nesse momento, ficou claro que eu havia cometido um vacilo grave. Sabendo da falta de pontos de apoio, levei comida seca comigo, mas claramente era insuficiente para repor minhas energias. Fica a dica: Mandolate, pipoca Bilu, amendoim doce e banana passa não tem a “sustança” necessária pra um dia inteiro de pedal. Como resultado passei a me arrastar morro acima e, ao invés de curtir o caminho, só conseguia pensar no quanto de sofrimento ainda me faltava pela frente. Apesar de tudo, viajar de bike sempre revela boas e novas experiências. Ao passar em frente a uma propriedade, um agricultor me pediu pra “tocar” umas vacas e bezerros, que haviam se perdido, pra direção certa. Descobri mais uma utilidade da bicicleta: o pastoreio. Dado o meu estado de esgotamento físico, ao cruzar com a estrada asfaltada de acesso à Chapadão do Lageado, retornei por ela até a rodovia pra encurtar o caminho e chegar logo à Ituporanga.

 

O terceiro dia foi tranquilo, cerca de 30 km até Rio do Sul. Me mantendo à esquerda do rio pra fugir da SC, o sobe e desce é bem mais sossegado que o dia anterior, e de Aurora em diante é basicamente plano. A paisagem também muda, com mais áreas urbanizadas intercaladas com pequenas propriedades rurais. Havia combinado de almoçar na casa da minha madrinha e cheguei bem na hora que serviram à mesa. O almoço de domingo reuniu alguns dos descendentes (meus tios, tias e primos) do João Hoffmann que ainda moram em Rio do Sul 100 anos depois. Não poderia haver forma melhor de celebrar minha chegada.

Agora era só voltar.

Com a previsão de chuva para o início da semana, cheguei a cogitar voltar de ônibus, mas as empresas (a Reunidas no caso) fazem tantas exigências para o transporte da bicicleta, que preferi apostar na imprecisão da meteorologia.

Saí de Rio do Sul na segunda antes das 9h. Com 65km pela frente até Vidal Ramos, além da bela serra de Presidente Nereu, não iria cometer o mesmo erro de sábado. Iniciei a pedalada com duas bananas e um café no estômago, mas 15 planos quilômetros depois parei numa padaria em Lontras pra reforçar o estoque calórico. O dono do estabelecimento puxou papo ao ver minha bicicleta e disse que também era ciclista. Contou que organizam todo ano uma prova na estrada que percorreria até Presidente Nereu. São 28 km totalmente asfaltados, quase sem movimento, os 8 primeiros planos, 10 subindo (com os 4 últimos mais inclinados) e os últimos 10 numa deliciosa descida. Cheguei no centro de Nereu 12h30 e tratei logo de parar para almoçar e descansar. O dia que havia amanhecido nublado e encoberto as vistas da serra, agora se mostrava ensolarado e razoavelmente quente.

Se a estrada até Pres. Nereu é uma atração em si, o caminho dali até Vidal Ramos é cheio de paisagens belas, pitorescas e bucólicas, em especial quando se avista o rio Itajaí-Mirim. Já quase chegando em Vidal Ramos, duas construções chamam a atenção. Primeiro a charmosa casa comercial Irmãos Stoltenberg, em estilo enxaimel. E alguns quilômetros à frente, destoando da natureza ao redor, ergue-se uma enorme fábrica de cimento da Votorantim. Dali até a entrada da cidade, onde fica o Acacius Hotel, meu destino do dia, pedalei pelo acostamento da rodovia usada pra escoar a produção da fábrica.

Os menos de 30 km de distância entre Vidal Ramos e Leoberto Leal podiam indicar um dia fácil de pedal, mas como percebi ao longo da pedalada, a sequência de subidas que acumulam mais de 1000m elevação, tornam o caminho bem desgastante. Em compensação, pedalei em meio à tranquilidade da natureza. A impressão é de que não pára de subir nunca, e realmente só pára quando se chega à divisa dos municípios, já na asfaltada rodovia SC281. Uma forte descida leva ao centro de Leoberto Leal. Cheguei a tempo de almoçar no Hotel e Churrascaria JK, onde me hospedei e fui muito bem recebido. Consegui lavar e secar todas as minhas roupas de ciclismo, o que seria primordial pro dia seguinte, quando a previsão de chuva e frio finalmente se concretizaria.

Deixei Leoberto Leal pouco antes das 9h, sob uma fina garoa, para encarar os últimos 57km da minha jornada. Durante os primeiros 16 km, que me levaram ao sopé da Serra dos Tropeiros, a garoa fina apertou, me obrigando a colocar em ação a capa de chuva comprada na Cravil de Vidal Ramos no dia anterior. A estrada de chão, inaugurada em 2012, tem apenas 1750m, mas uma inclinação absurda. Os primeiros 500, 600 metros eu nem tentei pedalar, simplesmente desci e empurrei a bici morro acima. Depois que suaviza um pouco a subida eu voltei pra cima do selim. Ao chegar no “fim” da serra encontrei o caminho que liga à BR282 e à localidade de Mato Francês, já em Rancho Queimado. Mas as subidas continuam por pelo menos uns 6km, mas bem mais leves. Nesse ponto, já acima dos 1000m de altitude, junto com a garoa, o vento gelado se tornou um grande inimigo. Parei para trocar de roupas, e colocar a calça plástica que veio com a capa de chuva, antes de encarar a descida. Isso me ajudou a manter o corpo seco e aquecido apesar do intenso frio. Após a descida, em frente à igreja luterana de Mato Francês, entrei num rancho aberto e aparentemente desocupado para me abrigar, descansar e me alimentar. Desta vez sem vacilação: pão de centeio, linguiça defumada e uma lata de atum ralado. Coloquei a última muda de roupa seca de pedal que ainda me restava para percorrer os 20km finais. Uma pequena subida antes de descer novamente à Taquaras, e de lá segui pelo caminho inverso ao percorrido logo no início da viagem. O último desafio, subir o Morro Chato, fez jus ao nome do local, especialmente com o vento contra, e ajudou a somar os quase 1.800m de subida acumulada no dia. Avistar meu carro estacionado no centro de Rancho Queimado significava o fim dessa incrível viagem por alguns dos caminhos que levaram meus antepassados e tantos outros imigrantes ao interior de Santa Catarina.

Números da viagem: 9 cidades, 6 dias, 297km e 7.325m de subida acumulada.

Registros do Strava:
Dia 1
Dia 2
Dia 3
Dia 4
Dia 5
Dia 6

Relato: Serra do Tabuleiro com amigos

Salve, salve!

No começo de fevereiro fiz uma viagem-acampamento para a Serra do Tabuleiro, aqui perto de Florianópolis. Além de ser muito agradável pelas companhias, foi minha primeira experiência com os equipamentos de bikepacking da Aresta. A meu pedido, o Juliano Goularti, um dos participantes da viagem escreveu o relato abaixo. Sobre os equipamentos eu devo fazer uma avaliação avaliação em breve!

Tomando como ponto de partida a “ponte do jacaré”, em Florianópolis, com um pequeno atraso, iniciamos nosso pedal às 7h25min. Com tempo favorável, seguimos em direção ao nosso ponto de chegada: região do Tabuleiro. Num ritmo leve, uns com carga relativa de peso, outros sem nada e outros a bike parecia um bitrem, seriam 4h30min de pedal, isso sem intervalos para descanso e lanche.

Com um percurso de 64 km, 885m de elevação acumulada e 412 de elevação máxima, os primeiros 44 km foram relativamente tranquilos. Relativamente porque a parte de pedalar as margens da BR-101 e BR-282 requer uma atenção mais que redobrada em função do trânsito pesado. Este trecho, principalmente, na parte de Santo Amaro da Imperatriz, é muito chato, tedioso e, principalmente, perigoso.

 

Num ritmo de passeio, a primeira parada foi num posto de combustível logo depois do centro histórico de São José. Hidratamos-nos e repomos as calorias. Claro, não poderíamos deixar de beber Pureza! Repostas as energias, seguimos nosso pedal. Ao completarmos 44 km, antes de encarar a dignidade da subida, paramos novamente para repor as energias e papear um pouco. Não faltou Pureza!

Alimentados, subimos na bike e cruzamos a ponte sobre o Rio Cubatão. À nossa frente estava ele, o Tabuleiro. Faltando 20 km ao nosso destino (19 km de estrada de chão) este seria o trecho mais difícil, pelas condições do terreno, peso dos equipamentos e pela subida íngreme. O sol e a umidade estavam nos aguardando para surrar. Mas a vista da paisagem e o contato direto com a natureza recompensavam. Havia muitas árvores frutíferas às margens da estrada, como goiaba (branca e vermelha), araçá (amarelo e vermelho), morango silvestre e limão. Desfrutamos-nos de todas.

Após 14 km de subida forte, paramos para um banho de rio. Mas antes de chegar ao rio, ocorreu o primeiro incidente, um pneu furado. Nada de mais, concertado, seguimos adiante. Nas margens da água corrente do rio, aproveitamos a oportunidade para fazer um café e comer uns pãezinhos. Passados 1h, seguimos viagem. Faltavam apenas 7 km, de subida forte, terreno irregular e alguns rock garden. Nos últimos 500 metros, boa parte foi empurrando devido à irregularidade do terreno. Às 15h30min chegamos ao nosso destino.

Chegando ao nosso objetivo, levantamos acampamento. Não foi possível fazer uma fogueira, as madeiras estavam muito úmidas. Ao redor das pedras que seriam utilizadam para a fogueira nos reunimos para fazer a comida. Macarrão integral, brócolis, molho branco, linguiça e salame colonial estavam no cardápio. Miojo é para os fracos. Não faltou aquela cachaça artesanal. Mas faltou vinho! “Eu quero um gole de vinho, acabou!” Ao que consta, duas garrafas de vinho estavam garantidas. Mas apenas 500 ml de foram levados. Baita Fake News! Sem fogueira (madeira úmida) e sem vinho (mi mi mi). Mesmo assim, ao redor da comida, rimos muito e apreciamos o Tabuleiro. 19h30min já estávamos postos em nossas barracas, ao som da sinfonia dos grilos e sapos, esperando o sono.

A noite foi agradável. A chuva fraca não foi empecilho. Pelo contrário, os pingos de chuvas sobre o teto da barraca torna a situação mais romântica. Magistral do acampamento selvagem é o rush da floresta, isto é, perceber que depois das 4h da manhã o som da floresta começa a mudar. O som dos animais noturnos começa a dar lugar ao som dos animais diurnos. Pela manhã, tomamos um café reforçado, ajustamos os equipamentos, fizemos algumas fotografias e levantamos acampamento em direção à Florianópolis. Alimentados e com o local limpo, próximo das 10h, montamos em nossas bikes para descer a dignidade da subida, mas sem antes subir alguns metros.

Nos primeiros quilômetros da volta, um novo incidente, pneu furado. Nada demais, concertado seguimos adiante até uma padaria na região de Santo Amaro da Imperatriz. Pausa para o lanche. Passados 1h, tocamos o pedal. Oos últimos 40 km, 20 km foram de chuva torrencial, transito pesado, acostamento alagado e pista escorregadia. Faltando 30 km para nosso chegarmos nosso destino, mais um pneu furado. Concertamos de baixo de uma chuva forte e seguimos viagem em fila indiana.

 

Ao final de dois dias de cicloviagem, foram três pneus furados, sem nenhum incidente mecânico, 128 km pedalados e 1.366 de altimetria acumulada (equivalente à subida da Serra do Rio do Rastro, com seus 1.421m). O que ficou pedal foi o reforço do laço de amizade é a certeza de um novo cicloturismo, a Serra da Garganta, Anitápolis.

Juliano Goularti.

Podcast: mulher coragem

“Estou atrás da minha zona de desconforto”. Esta frase é da primeira mulher desacompanhada a fazer o trajeto entre o Alaska e Ushuaia de bicicleta. Pelo caminho de Juli Hirata, esta é uma rota com mais de 35 mil quilômetros, com pistas congeladas e desertos escaldantes. Mas Juli é uma pessoa doce, que gosta de sorrir e observar coisas belas.

A Juli ganhou uma caneca, claro

Tivemos esta conversa em um café aqui de Florianópolis, quando ela veio participar de evento da Amobici, ONG que faço parte. Falamos sobre assuntos como a importância de viver o presente, o papel que ela exerce ao motivar outras mulheres e sobre seus planos para o trecho da América do Sul. Isso e muito mais. Só peço paciência do ouvinte com o ruído da cafeteria, porque o conteúdo é de primeira!

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Pra quem ouviu, a história completa do Ukulelê Azul.

Ele foi atirado de um carro, quando pai e filho brigavam, pois pais e filhos brigam.

O pai sentia um imenso orgulho e admiração pelo talento do filho com o ukulele azul. O filho sabendo disso, no auge da discussão, quando palavras não ferem mais, abriu o vidro do carro e atirou o amado instrumento pela janela.

Dias depois, após uma breve chuva, uma ciclista passando pela estrada viu o ukulele. Ela parou para beber agua e comer uma barrinha de cereal e por alguns minutos ficou admirando o instrumento. 

Tão azul, tão bonito.

Ela pegou o objeto e arriscou dedilhar as cordas. Um som bonito saiu e a ciclista sorriu.

Ela então, prendeu o instrumento no alforge e decidiu que tentaria aprender a tocá-lo.

Na mesma noite com a ajuda de um aplicativo no celular ela arriscou as patéticas primas lições. Na “platéia” um garoto ouvia e ria do jeito desajeitado da ciclista.

Eles riram juntos e o garoto pediu para tentar.

Nas mãos pequenas do garoto o ukulele soltou o som bonito de novo.

Na manhã seguinte a ciclista seguiu na estrada sentido sul mas o ukulele ficou no banco na frente da casa do garoto…

Juli Hirata

Gostou deste podcast? Ouça também o da Ada Cordeiro e o do Palmieri, da Kampa.

Afinal, conteúdo é o que realmente importa

Afinal, conteúdo é o que realmente importa

Salve, salve!

Nos últimos dois anos o Pedal Nativo diversificou sua atuação. Neste tempo guiei grupos em viagens pelo Estado, conhecendo e revendo pessoas e lugares bacanas. Também investi, em parceria com a Letícia, bastante tempo na formulação de um roteiro de cicloturismo por Florianópolis. Porém, o retorno a tanto trabalho e dedicação não foi o esperado. Nem no campo financeiro nem no campo pessoal. Em ambas iniciativas.

Assim, em 2018 o Pedal Nativo volta a se focar no faz desde 2009: conteúdo. Texto, foto e vídeo. Trabalho que tanta satisfação me dá, ao contar histórias e inspirar pessoas. Que me levou a conhecer muita gente. Que me possibilitou à experiência fantástica de passar 14 dias na natureza em um programa da OBB. Que gerou boas parcerias para novas aventuras.

Desde janeiro venho trabalhado para fortalecer a presença do Pedal Nativo no Youtube. Já são vários vídeos com teste de equipamentos, informações para iniciantes e relato de viagem. Aos poucos, esta onda de novidades vai chegar aqui ao blog, com um novo visual e novas postagens. Também teremos a segunda edição do concurso de fotos de cicloviagens e outras novidades bem bacanas.

Vamos em frente que o caminho vale a pena!

 

 

Dica: como limpar caramanholas e bolsas de hidratação

Salve, salve!

Tomar água em recipiente sujo ninguém merece, né? Mas isso acaba acontecendo se as caramanholas e as mochilas de hidratação não foram limpadas corretamente. E não adianta passar esponja com sabão, porque em locais de difícil acesso, como bicos e tubos, o fungo vai se criar. A dica é deixar as peças de molho em uma solução com água sanitária. Qual proporção? Por quanto tempo? Confira um passo-a-passo no vídeo abaixo.

Ainda sobre o tema, descobri há pouco tempo que existe um perigo grande em se hidratar acima do necessário. Isso dilui a quantidade de sódio no organismo e pode causar uma série de problemas. Confira neste texto bem detalhado do Camelbak Training Club. Ele fala para corredores de maratona, mas as dicas servem perfeitamente para cicloturistas e suas longas jornadas.

Uma das primeiras coisas que pensamos quando começamos a nos exercitar é a hidratação. Trazemos nossas garrafas d’água, bebemos água em bebedouros e sabemos que precisamos continuar a nos hidratar quando praticamos exercícios no calor ou quando suamos, mantendo a temperatura do organismo baixa e maximizando nossa performance. Ficamos tão focados em uma questão que acabamos esquecendo outra: a hidratação acima do necessário (hiponatremia), que realmente acontece e precisa ser encarada com seriedade. A hiponatremia está crescendo por conta do aumento da popularidade dos eventos esportivos de resistência. Vamos começar, então, com os sinais e sintomas causados por uma ingestão excessiva de líquidos.

Sinais e Sintomas:

Náusea
Vômitos
Dor de cabeça
Tonturas
Espasmos musculares
Desorientação / Confusão
Perda da coordenação
Fadiga
Perda de apetite
Fraqueza muscular
Exaustão física
Convulsões
Formigamento
Coma
Parada cardíaca ou respiratória

Estrago que o sol e o excesso de água causaram em mim em uma viagem de 2015. Foram dois dias de cama para ficar bom.

Causa:
Sob o ponto de vista científico, a hiponatremia é uma condição que ocorre quando o nível do sódio no sangue está abaixo do normal. Sua causa mais comum é a ingestão excessiva de água durante a prática de esportes de resistência, quando o consumo de água ultrapassa a capacidade do organismo de eliminá-la. Para as pessoas que têm um “suor salgado”, a hiponatremia também pode ser causada por uma grande perda de sódio através da transpiração. Beber uma quantidade excessiva de água ou perder uma grande quantidade de sódio no suor provoca a diluição da concentração de sódio circulando no organismo, fazendo com que o nível da água no organismo aumente e inche. O inchaço é o que pode causar uma série de problemas médicos.

Quem Está Exposto ao Risco?
Atletas de atividades de resistência precisam dar uma atenção especial à hiponatremia, especialmente aqueles com pouca experiência, cujo ritmo é mais lento e acabam fazendo as provas em mais tempo. Provas mais longas causam um maior consumo de água e maior perda de sódio, aumentando os riscos da hiponatremia.

Como Evitar a Hiponatremia:
É importante destacar que beber água é muito importante, porém chega um ponto em que se pode estar causando mais prejuízo do que benefícios. Um teste simples é: continue com seus exercícios cotidianos e se pese antes e depois da atividade. Se você terminou o exercício com um peso maior do que começou, pode-se concluir que está consumindo mais água do que necessário e potencialmente se colocando em risco. Na Maratona de Boston de 2002, por exemplo, dentre os corredores que tiveram hiponatremia, 73% ganharam peso durante a maratona. Se começar a sentir alguns dos sinais e sintomas da hiponatremia, tente urinar para que a taxa de água no seu organismo volte ao normal. Nesse ponto, uma bebida rica em eletrólitos não irá ajudar, pois a quantidade de sódio nessas bebidas esportivas é relativamente baixa comparada ao volume líquido, então será contra-produtivo.

Conhecer os sinais, sintomas e os riscos associados à hiponatremia é o primeiro passo para a melhoria na segurança em maratonas.