RELATO: Serra da Garganta em quatro dias

Salve, salve!

Neste feriado de 7 de setembro fomos revisitar a Serra da Garganta, em uma viagem de quatro dias a partir de Floripa. Atendendo ao nosso pedido, o amigo Juliano Goularti fez o relato da viagem. Confira!

“Quinta feira, feriado da independência, 9h. Primeiro dia: Saímos do posto de saúde da Trindade, Florianópolis/SC, com destino a cidade de Águas Mornas/SC (Grande Florianópolis). O percurso de 52,2km com ganho de elevação de 452m, desconsiderando a atenção redobrada em função do trânsito pesado, o trajeto não apresenta dificuldades. A parte mais tensa foi cruzar a parte central de São Amaro da Imperatriz pela BR-282 que não dispõe de acostamento.

Pedalamos em ritmo leve, média de 17,1Km/h, com uma parada para descanso em Palhoça. Hidratamos-nos e repomos as calorias. Reposta as energias, seguimos viagem até nosso destino final. Demos ainda uma pequena parada na prefeitura de Águas Mornas para uma fotografia. Chegamos ao destino final um pouco depois das 13h. Desconsiderando a parada para descanso, foram 3h e 02min pedalados. Desmontamos parte de nossos equipamentos, papeamos, tomamos um banho de rio e almoçamos uma deliciosa macarronada. À tarde tiramos para montar as barracas, repor as energias e ir até a padaria (8,6km, ida e volta) para comprar comida para o jantar, pão com salame. À noite ficamos ao redor da churrasqueira papeando.

Sexta Feira, 08 de setembro, 10h. Segundo dia, o dia D: Pela manhã, preparamos um café reforçado, levantamos acampamento e despedimos da valorosa acolhida propiciada pelo Vinicius e pela Naiara.

Saímos de Águas Mornas com destino a Serra da Garganta, em Anitápolis/SC. Expectativa de conhecer a Serra da Garganta que foi palco da Revolução de 30 era tamanha. Eu particularmente já tive a oportunidade de fazer alguns cicloturismo, dentro os quais envolvem a Serra do Rio do Rastro, Serra do Corvo Branco, Serra da Rocinha e Serra do Faxinal (todas em Santa Catarina). Até então não conhecia a da Garganta. Fui pesquisar sobre a serra e, principalmente, o conflito entre as forças federais Legalistas e as forças Rebeldes, ou as tropas Revolucionárias gaúchas. Despertou meu espírito de curiosidade e coloquei nos pedais cicloturístico a ser realizado. Para felicidade, o Pedal Nativo criou essa oportunidade.

Do ponto de partida até o ponto de chegada, seriam 42,1Km com uma altimetria acumulada de 1.498m (equivalente a subida da Serra do Rio do Rastro, 1.421m). Seria o dia mais difícil, pelas condições do terreno, peso dos equipamentos, subida íngreme e sol forte. Pedalados 10min, ainda sem esquentar o corpo, logo nos deparamos com uma subida de terra íngreme e longa. O sol forte nos surrou. Mas a vista da paisagem e o contato direto com a natureza recompensavam.

Certos da dignidade da subida, fizemos algumas paradas para hidratação, descanso e para tirar algumas fotos dado a beleza da paisagem natural. Estávamos em quatro pessoas. Cada um possui um ritmo, uns mais fortes e outros mais fracos. Porém prevaleceu a camaradagem, os que estavam à frente sempre esperavam por quem estava atrás. Vencida a primeira parte do trajeto, seguimos pela BR-282 até a entrada de São Bonifácio/SC. Pela SC-435, uma subida longa, seguimos até a comunidade de Rio Novo que da acesso a Serra da Garganta. Percorridos 27,5km, antes de encarar uma nova subida, esta a mais longa e digna, desancamos um pouco e fizemos um lanche reforçado. Confesso que pedalar pela BR-282 é chato e tedioso.

 

Passados 1h de descanso e lanche seguimos o pedal. Logo no começo, depois de uns 7km pedalados, acontece algo inusitado. Sempre procuramos esperar quem possui um ritmo menor para reagrupar. Embora tivesse um momento que esperamos e esperamos por um membro(a)do grupo que não aparecia. Preocupado(a), um de nós voltou (aprox. 1km, o que acaba sendo 2km) desceu serra abaixo para saber o que havia acontecido. Ao final encontramos o(a) membro(a) do grupo conversando com um morado local que ao final acabou presenteando(a) com um pote de mel.

Até o destino final do acampamento passamos por alguns perrengues que nos trouxe experiência para que não seja cometido na próxima cicloviagem. Excesso de peso para uma subida digna como é a Serra da Garganta deve ser evitado. O peso em excesso faz você cansar mais rápido, podendo levar a exaustão, reduz o ritmo do pedal e faz você consumir energia muito mais rápido. Mas prevaleceu novamente a camaradagem, distribuímos o peso o que acabava distribuindo a fadiga para que todos pudessem chegar ao destino final do acampamento selvagem. Se estiver valendo uma dica, é a camaradagem na cicloviagem, que além de reforçar os laços de amizade, permite que todos cheguem ao destino final.

Chegando próximo ao ponto final da subida, estávamos cansados e paramos mais um pouquinho para apreciar a vista e repor o fôlego para encarara os últimos 2,5km de descida e subida, que envolvia passar pelo local da batalha da Revolução de 30, e assim chegar ao local do acampamento. A pergunta que mais rolava era se faltava muito para chegar ao destino final. Parecia aquela cena do segundo filme de Shrek quando o Burro perguntar vezes sem conta “já chegámos?”, quando ele, o Shrek e a Princesa Fiona se deslocam de carro até Bué Bué.

Com uma média de 9,5Km/h e 4h e 27min de pedal (sendo que saímos às 10h e chegamos às 17h e 30min), ao chegar ao local do acampamento, com pouco tempo de sol, tratamos de nos apressar em montar as barracas e deixar os mantimentos prontos para fazer a janta. Ao redor do fogareiro, já que não foi possível fazer uma fogueira, todos nós estávamos exausto. Papeamos, bebemos uma boa pinga para baixar a poeira e brindar a dignidade da subida. Ao redor da comida, rimos muito e apreciamos as estrelas.

Além disso, vale registra que acampados em baixo de um corredor de vento, o que fazia as arvores da floresta se retorcer e produzir um som magistral noite adentro. Tão magistral quanto isso, é perceber que depois das 5h da manhã o som da floresta começa a mudar. Como assim: o som dos animais noturnos começa a dar lugar ao som dos animais diurnos, principalmente dos pássaros. Isso são coisas que somente o acampamento selvagem pode lhe propiciar!

Sábado, 09 de setembro. Terceiro dia: No dia seguinte, preparamos o café reforçado, apreciamos o mel que nosso(a) membro(a) do grupo ganhou do morador local e levantamos acampamento, mas sem antes recolher todo o lixo. Alimentados e com o local limpo, próximo das 10h, montamos em nossas bikes para descer a Serra da Garganta, mas sem antes subir aprox. 150 metros para iniciar a descida.

 

Ao todo, o Pedal Nativo de feriado da independência estava planejado para quatro dias, porém eu somente estaria presente em três. Mas antes disso, seguimos juntos do acampamento até uma lanchonete na comunidade de Teresópolis. Saímos próximo das 10h, fizemos algumas paradas para fotografia e encher as garrafinhas de água. Ao chegarmos ao ponto mais alto fomos contemplados por uma neblina que nos fez sentir a sensação de estar dentro das nuvens. Disse um de nós: “Pedal Nativo nas nuvens”. Depois de algumas fotos, iniciamos a descida até a comunidade de Teresópolis para descanso e lanche. Aqui nos despedimos. Uma parte do grupo seguiu viagem até Águas Mornas, local de acampamento do primeiro dia, e eu segui em direção a Florianópolis. Nesse dia, percorri 86,6km em 5h e 34min com um ganho de elevação de 911m.

Ao final dos três dias de cicloviagem, foram 189,5km pedalados e 2.949 de altitude acumulada. Mas o que ficou é a certeza de retornar a Serra da Garganta, mas agora pelo lado de Anitápolis, e não por Águas Mornas.”

Esta foi mais uma viagem da nossa agenda anual de viagens rápidas. A próxima será para o Circuito das Araucárias, em novembro. Saiba mais aqui.

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