RELATO: Quatro dias na Serra da Mantiqueira

Bela e bruta. Linda e impiedosa. Divina e desumana. A Mantiqueira não dá trégua, são estradas de terra, subidas desgranhentas, acampamentos selvagens, longas descidas, um frio da “mulestia”…. mas também são cenários de tirar o fôlego, uma região rica e muito agradável para se pedalar, com um povo acolhedor sempre com disposição pra um dedim de prosa, e toda aquela receptividade que o mineiro tem de sobra.

E assim, com o pensamento inabalável de que no domingo teríamos completado o trajeto e estaríamos de volta ao ponto de partida, passamos os 4 dias de feriado pedalando, acampando e cicloviajando pela Serra da Mantiqueira. Ritmo lento, baixa quilometragem, aproximadamente 150km, mas 3.500 de altimetria acumulada entre topos e vales, terra e lama, subidas e descidas…. com as bicicletas carregadas com nossas barracas, comidas, roupas, e todo equipamento necessário.

Na quarta a noite reunimos o grupo em Itajubá: Vivi, Elaine, Meire, Ruiara, Fabio, Ricardo, Bruno e Heitor. Alguns já são amigos de longa data, mas o Heitor e Ruiara são amigos do Bruno/Meire e fariam sua primeira vivência com o ‘cicloturismo’ de maneira auto-suficiente. Fomos para o local de acampamento a uns 12 km da cidade e montamos acampamento por lá. No dia seguinte retornamos para Itajubá de onde saímos pedalando.

Dia 1: Itajubá x Morrão x Taquaral – 34km com aproximadamente 1200 de altimetria subida acumulada
Iniciamos a pedalada por volta de 11 da manhã em Itajubá e seguimos sentido Marmelopolis, pela estrada de chão (terra). Foram 15km de retas tranquilas, e na bifurcação se pegar a direita vai para Delfim Moreira, e pela esquerda sobe a serra pelo topo do morro. Pegamos a esquerda. Foram alguns kms de uma subida desgranhenta, com bastante terra, lama, e uma certa dificuldade devido a bicicleta pesada nesses trechos com mais lama escorregadia. Creio que uns 8kms de sobe sobe sobe constante pelo Taquaral. E lá no topo começa a descida, e depois um sobe/desce. 34 km rodados e Já começava a anoitecer. Hora de procurar um local para acampar. De um lado era encosta, e do outro barranco, rs. Diante da dificuldade de achar um local plano para acampar, optamos por adentrar numa propriedade rural e acampar na entradinha. Gastos do dia: 0,00
Link do dia (não marquei completo)


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Dia 2: Acamps x Sertão Pequeno x Morangal x quase Virgínia – 28km com aproximadamente 978 de altimetria subida acumulada
Levantamos acampamento tarde pois o dia amanheceu frio, gelado, úmido, e onde acampamos não batia sol. Subimos o restinho da serra, e a esquerda seguia para Barra, mas mantemos o nosso trajeto a direita. Entramos a esquerda novamente, sentido oposto a Cubatão. E no ponto de bus entramos a esquerda, sentido Prainha Morangal. (se entrar a direita segue para Marmelópolis). Em Morangal fizemos uma longa parada para fazer manutenção em 2 bagageiros do grupo, que devido a muitas costeletas na estradinha de terra não aguentaram o tranco. E da-lhe enforca gato, a melhor gambiarra de sempre, rs. Dali seguimos por 8 km por uma subidinha suave e pouco inclinada sentido Virginia. Logo depois da cachoeira de Virginia paramos para acampar antes de chegar na cidade. Gastos do dia: 10,00 bar de Morangal, com pasteis a R$ 1,50, espetinhos a R$ 2,00.
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Dia 3: Acamps x Virginia x Igrejinha São Miguel – 27 km com 916 de altimetia subida acumulada
Levantamos acampamento e a partir daí foi somente descer, descer e descer. No centrinho de Virginia uns foram para o mercado, outros para padaria. Tocamos sentido Maria da Fé… saímos da cidade subindo a estradinha da Pousada Mantiqueira, e continuamos subindo até 1.500 de altitude, ali no topo saímos da principal pela estradinha da direita e descemos todo o vale por uma linda estradinha estreita e sem movimento algum. A descida era sentido Pinto Negreiros. Era cedo, por volta de 15hs, mas resolvemos acampar em uma Igreja/Cemitério no bairro de São Miguel que tinha um gramado bom e um riozinho ao lado. Foi o acampamento perfeito. Eu já acampei em Prefeitura, praças, escolinhas, ps, bombeiro, rodoviária, casa, abrigos, wc, … mas nunca tinha acampado em um cemitério de vilarejo …rs. Gastos do dia: 12,50 (Padaria, mercadinho, cerveja)
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Dia 4: São Miguel x subida até a capela x Mata de Cima x Charquinho x Jardim x Posses x Maria da Fé x Itajubá – 47,6 km com 868 de subida acumulada
A subida não foi íngreme, mas constante, sobe sobe sobe…. e hoje foi o dia mais quente de todos, rs. Judiou um bocado da thurma toda, que com a bike carregada toda subida com sol forte fica mais sofrida. Já saímos subindo até a cruz (o ponto mais alto)…. e a partir dali foram poucos km pedalados e muitas descidas até Maria da Fé, onde fizemos uma longa pausa para almoço. De Maria da Fé para Itajubá foi um pulinho, rs, descida rápida e retinha suave, e logo chegamos na praça de Itajubá.
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Agradeço a todos os companheiros de pedalada. Ao Ricardo por traçar o roteiro e por pesquisar toda a rota. Aos parceiros de sempre: Elaine, Fabio, Bruno e Meire, que dispensam comentários, são cias que adoro estar junto nos melhores momentos de Perrengue Supremo, rsrs. E agradeço especialmente a Ruiara e Heitor “O Roncador” (rsrsrs) pela valentia de terem seguido com a gente, mesmo que num ritmo mais lento e com toda a sofrência, não desistiram e terminaram o roteiro com alto astral e muita historia pra contar. Parabéns !!!

*Relato de Vivi Mar, gentilmente cedido para publicação no Pedal Nativo.

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