RELATO: Circuito das Araucárias – Parte 1

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As araucárias não têm vida fácil. Vivem em regiões frias e de ar mais rarefeito. Com madeira boa, elas foram devastadas no último século. De sua cobertura original, hoje restam apenas 3%. Mas ainda nesta conjuntura, forma belas paisagens em regiões de difícil acesso. Então, por que seria fácil pedalar por lá e apreciar estes cenários?

Acredito que o melhor adjetivo para resumir o Circuito das Araucárias seja intenso. As paisagens são belíssimas e variadas, as subidas são fortes e estão sempre presentes a sensação de isolamento é constante e a recepção é fantástica em muitos dos lugares.

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Já comecei o circuito em condição desconfortável. O plano de ir pedalando de Florianópolis ao ponto de partida, em São Bento do Sul, não tinha dado 100% certo. Ao chegar a Brusque, após 110 km percorridos, percebi que a gripe tinha me pegado de jeito e que havia algo errado no cubo da roda traseira da Godzilla. No dia seguinte, levei a uma bicicletaria no centro da cidade, onde o cubo foi desmontado, limpo e lubrificado. Eu, no entanto, seguia com grande dificuldade para respirar. Achei melhor tirar um dia para descansar, e voltar a pedalar apenas no circuito. Assim, meu anfitrião Léo me deu uma carona até Joinville, onde me juntei ao Antônio, que me acompanhou nos dois primeiros dias das Araucárias.

Você está lendo a parte um, confira as partes dois e três, além do post complementar.

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Quando partimos em direção ao ponto inicial percebi que o cubo seguia com problemas. Com frequência a corrente girava em falso ao pedalar, quase me derrubando. Peguei o guia do trajeto e tocamos direto para uma bicicletaria de São Bento do Sul. Lá, o mecânico desmontou o cubo novamente e me mostrou que os dentes do núcleo estavam muito gastos. Remontou tudo com menos graxa e uma nova mola improvisada, na esperança de que não escapasse mais.

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Assim, partimos em direção a Corupá. Eu ainda gripado e o cubo com uma gambiarra a ser testada. Logo de cara, no entanto, o circuito já mostrou suas belezas, com muita natureza e estradas com pouquíssimo movimento. Matas, rios, aves. Foi a hora que pensei: este é o tipo de passeio que eu gosto!

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Em uma parada do Antônio para tirar fotos, percebi que a gambiarra estava dando problema. Ela foi escapando até que fiquei totalmente sem tração. Após alguns metros, no entanto, ela voltou. Tentando manter a calma, avisei o parceiro, que sugeriu que tocássemos assim mesmo. Afinal, o dia teria muito mais descidas que subidas. E poderíamos procurar uma solução lá em Corupá.

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Assim fomos, pedalando sem forçar nas subidas e buscando aproveitar todo o embalo das descidas. Acabou sendo bom para quem, como eu, ainda estava com dificuldade de respirar. Chegamos à capital catarinense das bananas ainda no começo da tarde, à tempo de procurar uma solução.

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Foto: Antônio Heil

A troca do cubo já era decisão tomada, só não sabíamos que isso não era tão simples assim. Procuramos por um cubo Alivio ou Deore nas bicicletarias de Corupá, São Bento do Sul e Jaraguá do Sul e nenhuma das mais de 10 lojas tinha à pronta entrega. A única solução possível foi adaptar um cubo Altus de 36 raios no aro de 32 raios da Godzilla.

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Porém, graças à rapidez e à competência do Célio, da Bicicletaria Nelson, a montagem ficou firme e equilibrada. Às 18h eu já estava pedalando para a pousada e pensando na subida de volta para São Bento do Sul, no segundo dia do meu planejamento para o circuito.

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Partimos pouco depois das 8h, após um último ajuste nos raios. O Antônio tava que parecia um guri. Encarava todas as subidas com vigor, dificilmente usando a última marcha da bicicleta. Enquanto o gripado aqui se arrastava morro acima, inventando de tirar fotos para recuperar o fôlego. Confesso também que empurrei em algumas das ladeiras. Estava complicado.

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Foto: Antônio Heil

 

Já sem acompanhar metro a metro a minha programação, entendi que quando chegássemos ao mirante a subida teria acabado. Pois não só tivemos mais subidas, como eu não consegui preparar nossa comida porque começou a chover. Então foi isso. Mais subidas, com fome e sob chuva. Fazer o quê? Baixar a cabeça e pedalar. Fomos até o Recanto do Noti, um pesque e pague alguns quilômetros depois da comunidade de Rio Vermelho, já em São Bento do Sul.

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Após termos que convencer o Sr Noti que não éramos ladrões de peixe, como os últimos campistas que ele tinha recebido, pude fazer nosso almoço e montar minha barraca em um rancho com piso de terra. Ao menos era seco e tinha uma grande mesa com bancos. Almoçamos e o Antônio pôde seguir rumo ao centro de São Bento do Sul, onde pegaria seu carro para voltar a Joinville. Ver este bom parceiro de viagem sumir na estrada foi como uma grande fixa caindo: agora é só comigo.

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Track Floripa – Brusque

Track São Bento do Sul – Corupá

Track Corupá – Recanto do Noti.

Inventário da bagagem no Circuito das Araucárias.

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